13 de março de 2014

Sonhos

Eu não acredito em destino, que algo vai acontecer de qualquer maneira porque "está escrito". Mas eu acredito que existe algo que move  todos nós, algo que se não fizermos nós nunca seremos completos.

Um dream job, o sonho de uma vida, uma cidade dos sonhos.

16 de janeiro de 2014

Sobre o amor e a liberdade

Quem me conhece sabe bem o grande amor que tenho por Free Bird. É minha música favorita na vida toda! Eu tenho essa coisa dentro de mim, que eu não sei ao certo o que é, que grita por liberdade, que precisa se sentir livre para ser feliz. Nada na minha vida funcionaria sem isso.

É verdade que eu adquiri uma liberdade muito grande muito nova. Desde meus 16 anos mais ou menos eu comecei a não ser tão cobrada assim. Não sei dizer se isso foi ruim ou bom, mas me transformou em quem sou hoje, me moldou. Morei sozinha, fiz minhas escolhas, me tatuei, pintei o cabelo, arrumei um emprego, paguei minhas contas, pintei minhas paredes, aboli os porta retratos. Dever algo para alguém tornou-se castrador. Me questionei se algum dia seria capaz de me casar, de dividir o mesmo teto, se pensar em alguém que não fosse eu mesma, se eu teria vocação para ser mãe. Tão desprendida, tão desgarrada.

Mas tudo isso não passava de uma visão distorcida de liberdade.

As pessoas julgavam que eu cansava delas porque eu era livre, geminiana, louca e precisava sempre de novas aventuras. Nunca pararam para pensar ou culpar a canceriana que há dentro de mim. A grande verdade é que não me canso das pessoas, mas das rotinas, do sentimento de castração, de me sentir presa, sufocada, de não poder ser eu mesma. Isso é o que me joga para longe, para nunca mais querer voltar.

As vezes parece que tudo o que vivi não passou de um grande ensaio. Que tudo o que me aconteceu até agora foi uma preparação para o que eu teria que passar, para quando chegasse o que realmente me faria feliz de verdade. É como se finalmente estivesse encontrando aquelas peças do quebra-cabeças que você acha que perdeu, mas que estavam ali o tempo inteiro.

Pareceu-me, de repente, que está tudo acontecendo, que está tudo um pouco mais próximo, que é só o começo de tudo, mas tudo mesmo. Que é tudo meu. Que tudo vai ser meu.

Com músicas, balões, tatuagens, carnavais, escritas, sangue, amizades, família, amor, liberdade.

Felicidade.


14 de dezembro de 2013

Sobre iluminação

As pessoas sempre tem mania de fazer longos discursos sobre como devo guiar minha vida. Sei que, na maioria das vezes, estão mandando só ideia certa. Mas pra mim sempre foi difícil tomar as atitudes corretas. O errado, o torto, o complicado me atrai, me cega e eu me afundo sempre em mares de coisas desnecessárias.
 
Ontem eu tive um momento de iluminação. Ele foi breve e simples e se firmou com o momento que tive horas depois. Ontem foi dia de revelações internas, de compreensão pessoal, de level up. Ontem eu entendi o que eu estava fazendo de errado e o que eu tinha que fazer.
 
Chame de Deus, chame de consciencia, de Genio, de Musa, de insight, epifania. O que importa foi que aconteceu.
 
De repente todos aqueles delirios de vida louca dos últimos meses se esvairam. Foram embora como pensamentos efêmeros, o que eram pra ser desde o ínicio. Tomaram conta do meu coração, me fizeram chorar por dentro - e por fora.
 
Eu descobri mais do que eu realmente queria; o que eu realmente precisava. E então tudo se clarou e fez sentido em frente ao cinema Estação. E tudo se concretizou, se tornou real e intenso durante uma explosão de sentimentos.
 
De repente eu me lembrei de quem eu sou e eu voltei para o meu corpo e lancei aquele espirito que se apossou de mim para longe. Eu voltei e estava tão segura como 2012.
 
2013 foi um ano blá. Tudo que estava indo bem em 2012 começou a ruir ou parar de fazer sentido. Tive um break down no primeiro semestre e minha vida deu uma viravolta. Então, tudo melhorou. Um pouco. Ainda esbarrei aqui e ali, fiquei confusa, ruí as unhas, amei, desejei, fui impulsiva. Não me arrependo. Eu precisava de tudo isso para chegar à esse momento com a certeza do que eu realmente preciso e de quem eu realmente sou.
 
Esse ano está, graças a Deus, chegando ao fim. E eu estou feliz por isso. Porque 2014 vai ser o ano da decisão, 2014 as coisas vão acontecer. Porque eu estou acreditando novamente,  porque eu estou me permitindo sonhar novamente. Porque eu não estou mais aceitando o amor que eu acho que eu mereço; mediocre e pela metade. Porque eu não estou mais vivendo uma vida na qual eu não acredito que eu não sou capaz de alcançar meus três maiores sonhos.
 
Porque eu estou me permitindo chorar. E porque eu, finalmente, estou cedendo. Eu estou pronta.
 
Venham.

23 de outubro de 2013

A arte de ser um filho da puta (e o feminismo)

Porque sempre é muito fácil para o homem ser filho da puta. 

Essa ideia de que o homem é naturalmente um ser sexual e que a mulher é um ser emocional transforma mostra como os conceitos da sociedade estão perdidos. Porque nem todo homem é um filho da puta e nem toda mulher fica esperando uma ligação no dia seguinte. Mas as pessoas insistem que é assim que é. Ou pior, que não pode ser de outro jeito. Um homem que repele uma mulher? Viado. Não existe homem integro, existe homem com tesão. As mulheres não podem ceder aos seus desejos carnais e dizer ao cara "ei, que tal um motel?" se não quiser ser uma vagabunda com quem o cara jamais vai querer sair novamente simplesmente porque ela teve atitude.

O homem é o machão e a mulher é submissa. Simples assim. Mulher que dá não é pra casar. Homem que não come não é homem. Qual é o problema das pessoas? 

Estava conversando com um amigo sobre Californication. O protagonista, Hank, é um ídolo. Tudo dá errado na vida dele, mas ele tá lá, entre erros e acertos, mulheres e bebidas, a filha e a mulher da vida dele, seu grande talento e sua falta de inspiração. Eu quero ser Hank Moody, eu disse. Então um amigo levantou a sobrancelha e perguntou "você quer estar com Hank Moody, não?" Não. Por que eu iria querer estar com alguém foda quando eu poderia ser esse alguém? Porque uma mulher não poderia ser o tal Hank Moody, se ela quisesse? Esteriótipos. A mulher tem que ser a Karen, que está lá para limpar as merdas dele, e não vice-versa.

Hank e Karen são um dos meus casais favoritos, top 5, provavelmente. Mas de todos os casais da ficção com os quais eu já esbarrei, não existe outro como Jesse e Tulipa para mim. Jesse não come um monte de mulher por ai porque só tem uma que ele quer. Tulipa é uma mulher independente, decida e acha que ele tem que aceitá-la exatamente como ela é. E isso não é o modelo de como as pessoas deveriam ser. Esse é apenas o meu modelo de casal perfeito.

Eu só acho que as pessoas deveriam ser menos hipócritas e se importar menos com a vida dos outros. O mundo é feito de caras filhos da puta, mulheres submissas, mas também de caras "bundões" e mulheres "vadias". Não estou aqui para julgar quem está certo e quem está errado, pois são valores muito abstratos. E vai muito mais da consciência de cada um do que de uma verdade universal.

21 de setembro de 2013

Algo sobre Esperança

Incrível como as coisas mudam.

Eu adoro essa montanha russa que é a vida. Nunca sabemos onde vamos parar. Mas como já disse Steven Tyler em Amazin' "life's a journey, not a destination" e a graça toda está exatamente em fechar os olhos, sentir o vendo batendo no seu rosto e curtir a viagem.

Qualquer uma.

O importante é estar sempre caminhando. Para frente, para o lado, nunca para trás. Olhar para trás apenas para aprender com seus erros. Nesses últimos tempos ouvi coisas duras, coisas difíceis,  aquelas que nos fazem entrar em conflito com nós mesmos. Aprendi a gostar delas. É ruim no começo, como mudar quem nós somos? Mas não é isso que fazemos a vida toda, mudar? E me atrevo a dizer que isso não é apenas uma característica dos geminianos, mas dos seres humanos em geral. Vi o que estava errado e estou fazendo o máximo para melhorar. Passei a entender melhor algumas coisas e acho que hoje posso dizer que me entendo, me aceito melhor e que consigo lidar muito melhor com as coisas ruins. Afinal, elas são apenas coisas ruins, e apenas um trecho do longo percurso. Uma curva perigosa na highway.

Planos mudam. Ano passado eu queria me casar, queria ter filhos. Não que eu não queira mais, esses planos estão anotados em algum lugar na minha listas de coisas para "fazer antes de morrer", mas hoje eu tenho novos planos para agora. Vai saber se esses também vão se realizar, mas meu ponto é: as coisas mudam, a gente cresce, amadurece, aprende, erra, dá com a cara na parede, mas a vida continua. Enquanto ainda estamos aqui.

As coisas parecem difíceis. Eu sempre fui uma pessoa muito idealista e, talvez por isso, tenha sofrido muito na vida. Além de ser muito ingenua sobre como o jogo funciona, provavelmente por nunca ter visto nada como um jogo. Tudo é sincero, é de coração, espontâneo e intenso. Viver uma vida medíocre com um casamento monótono, dinheiro na conta e presa num mesmo lugar nunca serviria para mim. Eu preciso amar o que eu faço, preciso estar por ai, descobrindo gente e lugares e sensações e ser reconquistada todos os dias como se minha memória fosse apagada assim que eu dormisse.

Talvez parte da minha ingenuidade seja crer que viverei essa vida. Mas acho que é isso que me mantem viva. O sonho. Dessa grande jornada, desse grande ciclo de vida. E tudo passa rápido demais. É como se de repente eu acordasse de uma longa hibernação e percebesse que há uma vida inteira a minha frente, esperando para acontecer. 21595 dias esperando para serem vividos.

E dançados, e cantados, e chorados, e ridos, e celebrados, com plumas, paetês, apitos, sussurros e gritos. Vividos até a última gota. Até o último suspiro.

31 de julho de 2013

Sobre Dualidades

Eu sou geminiana com ascendente em cancer e talvez isso devesse explicar tudo. Mas não explica. Porque é muito generalista querer decidir sua vida segundo o horóscopo. Algumas coisas, entretanto, parecem fazer um quê de sentindo. Provavelmente são só uma daquelas coincidências que me enlouquecem, das meninas de guarda-chuvas amarelos, virar à esquerda quando se deveria ir para a direita e todas aquelas coisas que parecem fazer algum sentido, mas que não fazem.

Existem duas Islands dentro de mim. Talvez até mais, mas essas são as mais importantes, pois são duas Islands que por essência se anulam. Uma Island quer encontrar um bom rapaz, atraente, magricelo, de barba e nerd para casar e ter Anakin, Pedro, Noah, Vivian, Alice, Scarlett e todos os outros filhos que quero ter na vida. Uma Island quer viver la vie hédonist. Beber todos os vinhos que não bebo, fumar todos cigarros que não fumo, ler todos livros que ainda não li, sentir todas as peles que ainda não senti, o gosto de todos os amantes, mudar de amigos com o humor. Uma Island quer uma vida simples na cidade que ela ama, mesmo sem conhecer outras. Uma varandinha na parte nobre da Tijuca daqui há uns 20 anos. Outra Island deseja se desapegar de tudo e de todos. Viajar por ai, Grécia, Peru, Califórnia, França, ter vários lares sem casa alguma. Uma Island quer ser uma pesquisadora, mergulhar no mundo dos livros, livros e bibliotecas, e suas texturas e fazer mestrados e doutorados, cada vez mais intelectualizada. Outra Island apenas quer escrever seus contos, seus romances e torcer para que eles encham seu estomago em Hydra.

Uma Island quer, no fundo, ser Penélope, ao menos uma vez na vida. Outra Island acha que não há razões para se privar dos prazeres instantâneos por causa de sonhos impossíveis.

Meus sonhos se fundem e se confundem, como cintilâncias (beijos Blanchot!) destoantes da minha alma. Meu lado hedonista tem cedido, tem se rendido aos prazeres de uma roda de cerveja e meaningless sex. Meu eu está cada dia mais franco, mais sincero, mais bocudo, sem se importar com as consequências. Afinal, cada pedaço do meu ser compreende que todas ações possuem reações e que devemos abraçar as recompensas que nossos atos nos proporcionaram, sejam elas boas ou não. São filhos da nossa inconstância, da nossa falta de paciência, da nossa malandragem, da nossa falta de sabedoria, da nossa ignorância. São os filhos bastardos expandidos de nossa consciência. 

Ah, consciência... se eu pudesse arrancava isso de mim! e vivia apenas de sensações.

Mas não posso. E escolhas precisam ser feitas e sofridas.

28 de julho de 2013

Sobre Esperança

Tenho me perguntado o que estou fazendo com minha vida. Esse primeiro semestre de 2013 foi o pior semestre que tenho em tempos. Parece que tudo combinou para ser um verdadeiro desastre. Talvez eu só precisasse me reinventar. Para sair da inércia as vezes precisamos mesmo queimar. Queimar nem sempre é algo ruim. É um combustível para nos fazer enxergar o que queremos e o que precisamos de verdade. Eu tenho, aos poucos, enxergado o que eu desejo. Ainda não sei os caminhos para chegar até lá, mas se soubesse seria trapaça. Spoilers, como River Song diria.

Muitas vezes me coloco em um papel como se ele fosse feito para mim, quando na verdade nosso destino está sempre mutando de acordo com nossas atitudes. Eu escolho como quero ser, como quero levar minha vida. Vi algo acontecer e perguntei "por que não foi comigo?" e então pensando bem agora percebo que não queria levar aquela vida.

Na virada de 2011 para 2012 eu disse que aquele seria o ano que mudaria minha vida. E ele foi. Me trouxe perspectivas perdidas, algumas que eu sequer sabia que tinha. Então deixei a escuridão entrar mais uma vez em meu coração e me perdi. Mas a luz no fim do túnel está lá, nos esperando um pouco mais adiante. O que nos separa é apenas uma esquina. Se deu certo uma vez, porque não pode dar novamente? Eu coloco minha fé, minha esperança, minhas fichas em 2013.2. All in. É isso o que fazemos no poker quando não temos nada mais para perder. Um all in com uma dupla de dois. Porque dois é o número mais solitário depois do numero um. Ou pelo menos é o que diz Aimee Mann. E eu acredito nela. Porque, ao som dela, sapos caíram do céu.

E assim, ao som de Wise Up, fico esperando por uma chuva de sapos e uma nova chance ao amanhecer. 

17 de julho de 2013

Sobre Quarta Feiras

As vezes bate aquela tristeza que ninguém sabe de onde vem. O desanimo, a vontade de ficar um pouco mais na cama, de assistir Doctor Who pelo resto do dia. De ouvir Yellowcard e lembrar de todas as vezes que eu ouvia Yellowcard, quando tinha livejournals e ficava escrevendo sobre pessoas que hoje em dia não estão mais na minha vida. É engraçado como de repente as pessoas param de importar e outras entram na sua vida e importam. Até que não importam mais. 

Ser humano é muito difícil. É uma complexidade de sensações de sentimentos. A gente ama e ao mesmo tempo não ama. Tem vontade de estar junto mas não quer. Tem medo, tem raiva, tem preguiça. Sofre mesmo sem motivo. Mas sempre tem um motivo.

Hoje é quarta feira. Eu não gosto de quartas feiras, quarta feiras aren't cool. Talvez haja um motivo escondido para não gostar esse dia. O motivo é, na verdade, bem óbvio. É o medo. O medo de perder o que não se tem.  Seres humanos são tão complicados que eles inventam cada coisa.

Mas na verdade todos os dias tem sido quartas. Quartas de chuva. E eu sinto hoje que não há Lagoa Rodrigo de Freitas que cure isso. Aquele sentimento de vazio, daquela adolescência perdidas, das noites perdidas ao som de Courtney Love... aquele mesmo vazio que volta para me puxar pelo pé. E as coisas perdem o sentido. A comida perde o gosto, as risadas são forçadas, o que se ama perde sua cor, as amizades se tornam cansativas. E as músicas são apenas repetições de outras vidas que se teve e que não vão voltar.

E Proust só torna tudo mais difícil. Quando a literatura se mistura com sua vida e sua paixão se torna quase destrutiva. 

Quase.

Mas é difícil respirar toda vez que eu paro para pensar. Ou para sentir. É sufocante ver que a vida que eu levo está tão distante da vida que me faria feliz.

Mas talvez esse seja meu destino. Queimar.

9 de julho de 2013

A Garota e o Verbo Esperar

Havia conjugado mentalmente o título desse texto muitas vezes. A última conjugação foi inspirada pela música da Fiona Apple e dos sinais que rondavam. Acontece que eu esqueço que sinais sempre foram apenas sinais e que essa música da Fiona é "amor às causas perdidas" feelings. E eu preciso tatuar essa frase logo para parar de ficar escrevendo isso em todos os lugares.

Fim de semana de muitas reflexões e a pior segunda feira da vida. Apaguem o último texto. Importa. Muito. "Hunger hurts and I want him so bad it kills me, cause I know I'm a mess he don't wanna clean up". Tá bom, trago Paper Bag de novo para jogo. Poucas músicas me definem tão bem quanto essa. Talvez Hurt regravada pelo Johnny Cash. É, talvez essa seja a música que mais me define.

Sorte que eu tenho amigos que abraçam forte e deixam as lágrimas escorrerem e estão ali para o que importa. Sem isso eu estaria realmente perdida.

Dói. Em algum lugar. Mas quando a gente fecha todas as frechas por onde sentimentos são capazes de passar a gente parar de sentir. Para de sofrer, para de amar. Mas talvez essa seja a única solução e eu estou disposta a abraça-la.

A menina que não esperou. A menina que esperou (e continua esperando) mesmo sem esperar. A menina que queria esperar porque a fome dói, mas passar fome vale a pena quando o preço é muito alto para amar. 

A menina está cansada de esperar por coisas que não vem.

And time is ticking.

Tick. Tick. Tick.


5 de julho de 2013

Sobre Perceber

Hoje foi um dia atípico no meu último mês. Foi um bom dia.

Ele começou dando certo e assim foi. Segundas chances, pessoas, quarto limpo, trilha sonora, livros, pessoas, conversas, pessoas, pessoas, pessoas, peteca. Um sentimento de preenchimento, de não mais apenas um dia gasto, mas uma série de pequenas coisas que foram boas o suficiente para me fazer deitar a cabeça no travesseiro e pensar antes de apagar "este foi um bom dia".

Então, em um determinado momento, provavelmente um dos pontos mais altos do meu dia, eu percebi. Ali, com o vento na cara e os cabelos balançando. Percebi. E notei que não senti falta, pelo menos não até aquele momento. Pensei em quebrar a greve, mas Fiona Apple ensinou que passar fome por vezes é bom. Por amor às causas perdidas e coisas assim.

Eu percebi. Será que fui a única?

O mais importante: será que importa?

26 de maio de 2013

Sobre Renascer

Complexo de Fênix. Complexo de Lady Lazarous, Sylvia Plath.

Seja lá o que for, eu sempre volto. Renasço das cinzas dos meus erros, dos meus maus caminhos, dos desejos da carne, do que não era pra ser. Eu volto a vida. Outra vida. Porque renascer é morrer e nascer mais uma vez. E isso muda as coisas. Não se pode esperar que tudo será igual uma vez que tudo se foi e não vai mais voltar. Não se pode esperar que você seja igual uma vez que você se deixou mergulhar naquele lago com o sobretudo cheio de pedras no bolso e que acabou acordando na margem do rio se perguntando o que aconteceu que a trouxe de volta à vida.

Quando você está morrendo tudo é escuro. Só existe destruição. Devo dizer aos suicidas de primeira viagem, é doloroso. Muito. O vazio que sentimos por vezes parece mais vasto que todo o universo e nossas lágrimas tanto internas e externas parecem encher mares inteiros. Os sonhos se desmancham diante de nós, como frágeis girassóis. E nada parece fazer sentido. Então você morre. E tudo continua escuro.

Mas em algum momento, é quase como se você fosse abduzida, só que de volta. E quando você vê seu coração mais uma vez bate e você não quer mais pintá-lo de preto. Vermelho works just fine. Os esmaltes descascados incomodam. A sobrancelha por fazer incomoda. E você sente uma saudade. Um desejo de se redimir de seus pecados. Então você traça caminhos internos para entender o que você aprendeu nessa grande jornada de vida pós morte. E você não entende. Não mesmo. Você vê que a vida tá ai. "The sun is up, the sky is blue, it's beautiful and so are you", mas ainda assim você não vê o propósito. Você passa achar que é uma chance para remediar os seus erros. Mas não é. Uma chance para ser melhor. Não, não é.

É uma oportunidade para seguir em frente.

E seguir em frente é difícil. Ô, eu sei. Eu estou seguindo em frente. Seguir em frente significa lutar contra a morte todos os dias. Porque querer matar seus sonhos é muito fácil. Acreditam que eu desisti de escrever? Eu disse em alto e bom som "eu não quero mais ser uma escritora, acabou". É, verdade. E tenho testemunhas! Eu disse também que não acreditava mais em amor e nem que um dia eu teria uma família. Eu não só matei o que me fazia mal, mas eu ousei matar as coisas que me faziam continuar. E eu quase não voltei dessa morte. 

Mas aqui estou eu. Sonhando novamente. Escrevendo novamente. Ouvindo Marcelo Camelo novamente. Acreditando. Ressuscitando pessoas. Mantendo outras mortas. Porque a gente tem que aprender que as vezes tem que ser pra sempre. Por mais que não pareça o suficiente. 

Hoje eu senti aquele velho sentimento, aquele que os filmes do Cameron Crowe me fazem sentir sempre que os assisto, enquanto ouvia Tiny Dancer. Over and over. E por mais que algumas coisas me assustem nessa minha nova vida, eu sei que esse é só o período de adaptação. E que eventualmente elas vão se acertar.

Ontem eu ouvi uma das coisas mais lindas que alguém que já me disse: "Não mude isso em você." E o que seria isso? Ser guiada pelo meu coração e me deixar ser levada por ele. E eu não mudarei. Não isso.

16 de maio de 2013

And it all comes back to... Engenheiros.

Crises existenciais me definem. Nesse último um mês, talvez um pouco mais, nada me define mais do que isso.

Crise de carreira. Crise de faculdade. Vontade de largar o trabalho, de trancar a faculdade. Crise de escrita, crise no relacionamento. Crises. Mas como eu sempre falo, crises são boas. Nem tudo se resolveu dentro de mim ou em minha vida, mas alguns parâmetros começaram a ser estabelecidos. O que a Nana faz e o que ela não faz. Até onde ela vai. Portas se abriram e estão fechando rapidamente sem chance alguma de retorno. Pois foi assim que eu fiquei depois de bater tantas vezes a cara na parede. Afinal, já chegamos àquela conclusão de que eu não nasci para ser Penélope. E de que jamais serei.

Nesse meio tempo acordei numa terça feira ensolarada e não vi mais sentido de nada. Acordei aos prantos pois nada mais fazia sentido. A vida parecia vazia. Um amigo havia partido e nada o traria de volta. Os anos que eu perdi, as chances que eu perdi, nada disso seria recuperado. Os e-mails não foram respondidos. Um relacionamento foi terminado. E a vida continua.

Alguns dos meus melhores momentos é quando estou em uma aula sobre Marcel Proust, em que muitas questões são levantadas e me fazem pensar sobre a vida, sobre o que eu quero dela. E então eu penso, o que me falta? Não é a paixão. Isso eu tenho e sempre tive até de maneira exagerada. Mas a coragem foge pelos dedos. A vontade foge pelos dedos. A vontade de escrever, a vontade de settle down, de casar e ter filhos. De repente todos os sonhos parecem distantes, inalcançáveis, como se fossem os sonhos de outra pessoa. A coragem de tentar, de arriscar, mais uma vez, mais uma vez.

A vida que segue parece mais fácil. Cansei do amor pelas causas perdidas, cansei de não desistir agora, cansei de pagar os pecados por ter acreditar que só se vive uma vez, cansei de acreditar em um amor 3x4, cansei da infinita highway, cansei de ser sincera como não se pode ser. E dessa vez nem Engenheiros parece mais surtir efeito. Matei as Anas, matei os Pedros, matei os Amores das Quatro Estações. Matei Robôs Gigantes. Matei. E, no fim de tudo, também morri.

9 de abril de 2013

Premonições com gosto de saudades

Fazia aquele trajeto familiar. Já era tão familiar que sequer precisava acompanha-lo pela janela. Estava feliz. Acordara cedo, cedo o suficiente para lanchar e ler Proust enquanto aguardava o início da aula. E estava conseguindo voltar para casa, relaxando, sentada no ônibus. 

Deixou o vento entrar por sua janela enquanto lia um texto de literatura inglesa. Estava na terceira página de umas quinze, ouvindo Leonard Cohen, quando levantou a cabeça. A paisagem a chamava. E não era das mais bonitas. Não passava pela praia, ou pela Lagoa ou pelo aconchegante bairro do Grajaú. Estava em um elevado, no meio do trajeto que a levava da UFRJ até a leopoldina. Entretanto pegou-se observando a vista.

Uma certa melancolia tomou conta de si. E sentiu saudades. Saudades estranhas, ela achava. Saudades do Rio. Saudades daquele trajeto. Saudades dos 485 vazios e até um pouco dos cheios - pero no mucho. Saudades da Letras, dos corredores, do Bloco F, do Bloco H, do bandejão. Da biblioteca. Da xérox. Viu beleza no trecho simples pelo qual passava. Viu a cara do Rio. Viu pela Feira de São Cristovão. Viu as casinhas no morro que compunham o que é chamado de favela. Achou aquilo bonito. Viu uma beleza que jamais tinha visto antes. Como aquilo se encaixava ali e como sentia falta de prestar atenção nelas, sendo que jamais havia prestado - a não ser quando viu a Rocinha pela primeira vez e se sentiu quase invadida, engolida, quase como se abraçasse São Conrado, que ela também sentia saudades. Não entendia o porquê. 

Até que sorriu. Um sorriso triste. Premonições? Essas premonições estavam lhe perseguindo há algumas semanas e ela já estava deixando se levar por elas. Tudo o que podia fazer era sonhar e esperar. Mas eram tantos sonhos e tantas esperanças que não sabia qual estava na frente da sua enorme lista.

Em Almost Famous Zooey Deschannel mandou o protagonista "ouvir Tommy com uma vela acesa e você verá seu futuro inteiro". Não sei se ali William já viu o que queria ser. Mas ao som de Leonard Cohen, durante uma leitura de Literatura Inglesa, ao som de The Future, ela sentiu saudades do presente. E ela gostou.

6 de fevereiro de 2013

Lembrança

Hoje eu me lembrei.

Acordei serelepe ao som de Los Hermanos, cantando com voz de quem acabou de levantar todas as músicas animadinhas que eu há tanto tempo não ouvia e que hoje senti saudade. O repertório foi variando até se estabelecer pelo resto do dia na querida Billie Holiday. 

No meio disso tudo parei no meu primeiro conto de verdade, Filha da Mãe. Numa tentativa de transformá-lo numa versão reduzida para enviar para uma espécie de "concurso", eu me lembrei. Primeiro eu lembrei o quanto eu gostei do resultado final, mesmo vendo coisa e outra que eu poderia mudar. Depois eu lembrei o quanto eu gostei de escrevê-lo e o quanto eu me identifico com a história. Como eu a sinto profundamente, pulsando dentro de mim. Eu me lembrei o quanto eu gosto de escrever e que, as vezes, eu sou boa nisso. 

Então lembrei de todos os momentos que passei fazendo coisa qualquer. Fosse por preguiça, falta de "inspiração" e medo. Medo de colocar uma ideia num papel e não ser boa como parece na minha cabeça. Medo de Filha da Mãe ter sido uma especie de one hit wonder.

Mas reler a história e trabalhar numa edição, da qual eu estava fugindo desde que realmente escrevi a história, me fez perceber que isso não é tão ruim assim. Que revisar é bom. Que escrever é bom. Que deixar que as palavras saiam da ponta dos meus dedos é sempre maravilhoso. Uma das melhores sensações que já senti.

Lembrar, mais uma vez, que eu amo escrever. Lembrar todos os dias abrindo o TCK, dando de cara logo na entrada com uma citação da minha favoritinha Sylvia Plath e com todo esse mar de sentimentos que eu sempre ponho aqui. Essa maneira que eu tenho de expor o que há de mais profundo. Lembrar que eu não devo fugir disso. Nunca mais

30 de janeiro de 2013

Roller coaster

A vida é uma grande sacana. O Grande Murphy. Ela nos dá todos ingredientes necessários para criarmos um futuro inteiro em nossa mente. Planejamos, sonhamos, esquematizamos semanas, meses, anos. Um relacionamento. Uma viagem. Um período na faculdade. Uma dieta. Então vem o fim do amor, a falta de dinheiro, o World of Warcraft e uma pizza família e acabam com tudo de uma forma devastadora. Como o mar vem e leva declarações de areia.

Mas é assim mesmo. Aquele sonho de adolescência de escrever para a Rolling Stone, de ser jornalista, diplomata. De ter conquistado tais coisas até tal idade. De caber num manequim 36. Os sonhos mudam, a vida nos transforma. Algumas coisas continuam, mas nunca do mesmo jeito. Eu ainda canto Hole e penso na California, mas o que imagino é diferente. Os Pedros se vão... e isso não é ruim.

As vezes os sonhos mudam, as vezes eles entram em hiatos.  As vezes eles ainda não estão definidos. As vezes eles tem que esperar um pouquinho mais.

Mudanças não são ruins. A vida nos leva à lugares estranhos, não entendemos o porquê, mas então futuramente entendemos. Ou não. Nem tudo precisa fazer sentido. O mal do ser humano é querer controlar tudo, mas a verdade é que somos controlados por algo maior. A Vida conecta todas essas linhas de todas aquelas pessoas que cruzam nosso caminho e nunca sabemos qual dessas pessoas vai fazer toda diferença.

Hoje eu percebi que não adianta chorar o leite derramado e nem reclamar do que simplesmente é. O que passou e deixamos que fosse levado passou e foi levado. Não há o que mude isso. E o que é não vai deixar de ser apenas porque queremos.

Sonhar é bom, mas eles apenas nos motivam para correr atrás de algo. É preciso aceitar que as vezes para chegar até a garota do guarda chuva amarelo você vai ter que passar por vários guarda chuvas errados. Até chegar no emprego ideal, vai ter que ganhar pouco dinheiro e trabalhar demais. Até morar onde você quer você vai ter que deixar de comprar algumas peças de roupas mensais.

A gente um dia percebe que pra ser feliz basta enjoy the ride, sentir o vento no rosto e gargalhar no presente pelo futuro. Felicidade não é o chegar no destino desejado, mas o caminho que se percorre até enfrentarmos O Verdadeiro e Grande Ponto de Chegada: a morte.

21 de janeiro de 2013

A arte de crescer

Se tem uma coisa que aprendi recentemente é que crescer significa passar por crises. E, oh boy, tenho passado por muitas, de todos os tipos. O post passado foi exatamente isso, a crise do crescimento. Muitas coisas vieram da última postagem. Creio que muita coisa vem de qualquer coisa que eu pense - quer eu tenha exposto ou não esse pensamento. Vejo a crise como algo bom, a gente amadurece. Seja crise financeira, crise com amigos, crise amorosa, crise familiar, crise interna. Crises. Crises.

Pequenas coisas me fazem perceber o quanto eu cresci. Aquelas pequenas coisas do dia a dia que se tornaram habituais. Isso também é crescer. Crescer é fazer todas as coisas chatas. Crescer é chegar em casa sem ter almoço pronto na mesa e não se contentar com um miojo ou uma lasanha Sadia. Crescer é chegar 14 horas em casa, passar no mercado, fazer almoço e almoçar as 16 horas. Com fome. Muita fome. Mas a vida é assim. Aula até 12:45, o 485 que nunca passa e, eventualmente, o trânsito. Acontece.

Crescer também é se confrontar, mas perceber que certos confrontos não chegam a lugar algum. É conhecer seus limites... e suas responsabilidades. É perceber que não adianta querer mudar o passado. Ele está lá, imutável, olhando para você, te provocando. Todo tempo que você perdeu. Tudo o que você não conquistou até aqui. 25 anos. Sem diploma, sem emprego, sem anel no dedo esquerdo. A vida parecia tão diferente aos 12 anos. Querer tudo ao mesmo tempo também não dá certo. 50 anos em 5, só mesmo com JK. Apressado come cru, como já diziam por ai. Entretanto, nada como um sushi, então isso nem deve ser tão ruim assim. As vezes.

A verdade é que crescer é perceber tudo isso e parar. 

Respira. Expira.

Pronto.

O "que passou não volta" deixa de ser uma lamentação para ser apenas a realidade. Atropelar meus afazeres, querer correr atrás do relógio, não vai aproximar minhas metas de mim, ao contrário, vai apenas afasta-las com minha afobação e falta de organização.

A próxima meta é os 30. É. Até lá já estarei graduada, quem sabe já cursando o mestrado, morando lá fora, com um anel no dedo, com meu primeiro romance terminado, tendo lido todos os livros que eu tenho para ler esse ano, levando comigo as amizades que fiz até então. Espera-se que até lá esteja ainda mais tatuada, mais alternativa, mais vermelha, sangrando eu, me descobrindo e redescobrindo mais todos os dias. Quem sabe saberei francês, bateria e dirigir. Talvez estarei dando a festa de um ano do pequeno Anakin com temática de Star Wars.

Mas estarei lá, crescendo, amadurecendo, aprendendo, tropeçando e seguindo em frente. 

17 de janeiro de 2013

Sobre a frustração.

Sempre lembro-me de Hell. Sei que não é um grande livro, mas foi um livro que teve uma grande importância na minha adolescência. Algumas de suas citações permaneceram comigo. Muitas se aplicam até hoje. Poderia citar várias, mas não vou. Entretanto cito uma: "É melhor cair do que ficar sempre no chão?"

Acho que meu cinismo em relação a vida bate de frente com o jeito ultra romântico de esperar as coisas que estão por vir. Eu sou uma desacreditada, entretanto uma esperançosa. Eu dou chances, me dou chances, dou chances a vida, as pessoas. Mas eu tenho uma tolerância muito baixa. Uma vez desapontada, surge esse buraco dentro de mim que me leva para esse Hell state of mind. Só que eu não consigo mais fazer a Hell. Eu não consigo mais me autodestruir. Maturidade e tal. Mas a vida também não segue mais em seu ritmo comum. Passo a repensar uma diversidade de coisas. Sobre esperanças, planos, sobre o que eu mereço. Complexo de Chuck Bass. "Eu a amo, mas eu nunca conseguirei fazê-la feliz." Como se tudo o que eu tocasse apodrecesse. Entretanto, disso tudo não sai uma Sylvia Plath. Apenas mais uma frustração para adicionar a lista.

Talvez meu problema sempre tenha sido sonhar alto demais. Mas qual é a graça de sonhar baixo? Mas viver de sonhos, em determinado momento, torna-se viver de frustrações. E você vê as pessoas, estáveis e felizes. Com casas e carros. Diplomas e empregos. E dentro de você o vazio. Aquele mesmo vazio que  me fazia ouvir No Rain e Big Empty, só que canalizado de outra forma.

Sinto falta dos 17 anos. Parte de mim queria fazer com que fosse totalmente diferente. Criar uma segunda linha em que a Ilha de hoje em dia pudesse estar começando a construir uma vida do jeito que ela gostaria que fosse. Mas no fundo, bem lá no fundo, onde todas vezes que eu sofro eu cantarolo Courtney Love, eu sei que eu sinto vontade de poder fazer tudo de novo. De viver como eu vivia. Lost and Delirious. Achando que eu tinha o mundo pela frente. Mas não o tenho. O que resta para mim? O que resta para todos nós?

Eu sei que não posso culpar ninguém além de mim. Mas ser feliz para mim é extremamente difícil. Como um Hank Moody quando não consegue escrever. Como um Hank Moody que sempre consegue fazer algo que o afaste dos amores de sua vida. Como alguém que destrói tudo o que ele toca. Mas sem Venice, sem o Porsche, sem o talento.

Too much walkin' shoes worn thin. Too much trippin' and my soul's worn thin.

Over and over again. E é exatamente por isso que minhas conversas terminam matando. Como um escorpião que se defende lançando um veneno. A verdade. A loucura. A paixão desenfreada. E todas aquelas coisas sobre as quais que não se deve falar. Sobre as quais eu não pretendo falar.

28 de dezembro de 2012

It was/is going to be legen - wait for it - DARY!

Alguns anos passam batidos, eles vem e vão e você depois não sabe dizer o que aconteceu exatamente, como se não tivesse passado de uma sequência de dias. Outros são únicos, como esse. 2012 foi o ano prometido em que tudo iria mudar. De certa forma, isso ocorreu em tantos aspectos que mal posso começar a citá-los. Mas não foi o ano que mudou tudo, apenas o ano que iniciou a mudança. Como se essa fosse a primeira temporada, o episódio em que Ted conhece a Robin, a grande jornada que se estende. Porque essa é a graça. O caminho, não a linha de chegada.

2012 trouxe caminhos, direções. Fechou portas e abriu outras. Melhores. 2012 foi um ano de evolução, de crescimento, de expansão. 2012 traz consigo promessas para todos os anos que vem a seguir. Traz sonhos, traz esperança. Traz amigos, traz lares, traz saudades. Isso porque ele ainda nem chegou ao fim.

2012 foi um ano tão especial que tem músicas temas. Dog Days Are Over me faz sorrir e querer dançar por ai toda vez que a ouço. Marca a mudança. "Hapiness hit her..." You Can't Always Get What You Want eu acredito que seja uma música para a vida, tanto quanto Free Bird. Aquelas que vão se encaixar sempre, que sempre vão te deixar bem. A música dos Stones trouxe o elemento surpresa; a felicidade não vem de onde você espera que venha, mas dos lugares mais inusitados. Quem diria, quem diria... quem diria!

Eu não poderia deixar de sentar e falar um pouco sobre o que eu vou levar desse fim de ano, no meu último momento em frente ao computador antes do ano acabar.

Então, obrigada a Deus e a todas as pessoas que fizeram parte dessa jornada. Que venha a segunda temporada!

29 de novembro de 2012

Doce Novembro

Essas noites que tem passado me parecem tão familiares... é o clima de Novembro. Não é a toa que é o meu mês favorito. Curiosamente o NaNoWriMo (o desafio de escreva um livro em um mês) se passa justamente em Novembro, por mais que eu não tenha conseguido tempo/desejo/dedicação para participar esse ano. Ainda existem muitos Novembros por ai, não é como se o mundo fosse acabar em 2012... oh wait.

Engraçado é que nenhuma vez eu ouvi November Rain. É, eu sei, é piegas. Mas como chove em Novembro! Que mês mágico. É o mês que anuncia o começo do fim do ano, que nos prepara para as festas, para o Natal, os amigos ocultos, para a grande viradas, incansáveis listas do que fazer no ano que vem e de viagens sabáticas... que, infelizmente, não ocorrem todos os anos. 

Estou meio mal. Isso tem sido notado por ai. Muita pressão na faculdade, muito cansaço, vontade de procrastinar todos os dias. Isso não é mais possível. Novembro faz isso comigo mesmo. É como se fosse uma eterna viagem até aqueles Novembros mágicos nos quais eu não conhecia Sylvia Plath, mas ela já me conhecia tão bem. 

É Novembro e eu ouço Emiliana Torrini, como ouvi tantas outras vezes. Emiliana me acalma. Algumas coisas me deixam pra baixo. Esse sempre foi meu problema... pensar apenas no futuro. As vezes é difícil aceitar que certas coisas vão demorar ainda para chegar. Tantos sonhos que tem que ser adiados só mais um pouquinho, um pouquinho. Porque o hoje parece chato, apenas uma sequencia de dias até chegar ao tão sonhado final feliz, onde eu já terei decidido o que quero fazer, quem eu quero ser. Onde eu terei uma carreira, um marido, filhos. Onde eu serei dona do meu próprio nariz. Finalmente. Onde, pelo menos nos meus sonhos, eu estarei longe daqui. Tantas vidas que eu quero viver.

Odeio ser escrava do momento. Odeio estar presa aqui e agora, sem poder avançar algumas casas no tabuleiro. Onde as pessoas terão suas vidas e eu terei a minha vida, apenas minha. Minha vida, meu espaço, meu, meu, meu. Eu. É tão difícil ser você mesma, quando todo mundo parece ter um pitaco para dar. Todos tem uma opinião, um dedo que querem meter em sua vida. Nesse mês de Novembro eu não estou (apenas) depressiva, estou irritada. Comigo por não ser clara, com as pessoas por não terem suas próprias vidas e não permitirem que eu faça o mesmo.

Mas o fim de ano está ai. Já estão surgindo as luzes de Natal. Amanhã Novembro chega ao fim. Em grande estilo. Emiliana Torrini preenche o ambiente com seu "To Be Free" e com a lembrança do que foi e que, por mais que eu tente fazer com que volte, nunca mais será.

Finalmente.

9 de novembro de 2012

Da Gratidão

Viagem sabática de fim de 2011 para 2012. Tudo começa aqui. Foi dito profeticamente que 2012 seria o ano que mudaria tudo. Eu realmente queria acreditar naquilo. Eu realmente precisava de um ano em que rudo mudasse... pra melhor. 2011 foi um ano que tinha tudo para dar certo e acabou não dando. Tantos deslizes, tantos erros. Tantas decepções. A alegria das terças feiras desapareceu em questão de meses. Máscaras foram caindo. Enxaqueca voltou com toda força. Eu sei, no fundo, que 2011 serviu para inúmeras coisas. 2011 não era pra ser o ano da minha vida, mas o ano que motivaria todas as mudanças que dariam o impulso para tudo de bom que haveria de vir. 2011 era um ano de passagem. 

2012 chegou e com ele certezas. Uma série de coisas aconteceram e, bum, eu estava na UFRJ. Perdi coisas que eu amava, mas eu tinha conseguido entrar na faculdade. Lá minhas expectativas não foram alcançadas. Não da maneira que eu esperava. Eu descobri que não queria o que eu queria. Eu descobri que queria outra coisa. Felizmente essa outra coisa eu encontrei ali mesmo, na Letras. O processo de Boltização mais aula de Teoria Literária abriu minha mente para coisas que eu jamais imaginava.

Rompimentos de um lado, estreitamento de laços de outro. As coisas se encaixaram da forma mais perfeita que se poderia imaginar. Nada aconteceu como planejei, mas aconteceram do jeito certo. Perdi, mas perdi para ganhar. Chorei para poder sorrir. E eu não sabia. Quem poderia saber?

2012 está chegando ao fim e ele fará falta. 2013 começará com um chute na porta e mais projetos, mais sonhos. Que loucura quando a vida finalmente dá certo. É isso que é felicidade? Tão palpável, tão real. Trocando Vanguart por Belle & Sebastian. Algumas mudanças são boas. 

E o ano ainda não acabou. Novembro está ai, com suas chuvas e Guns N Roses para niná-lo e Dezembro que em breve chegará com suas luzes piscantes que aquecem meu coração. E então 2013... que, eu espero, seja ainda melhor.