De volta a 2004, onde eu passava madrugadas inteiras no computador, colocando meu coração em blogs, sendo tão explicita como eu jamais poderei voltar a ser, inocencia de criança, que achava que a melhor maneira de lidar com os problemas é exorcizando os demonios, olhando pela janela e vendo a chuva que caia ao som de November Rain. Hoje seis anos se passaram. Estou mais velha, mas não necessáriamente mais sábia. Provavelmente devo estar sim mais sábia, acho que aprendi com muitos erros passados, mas algumas coisas não mudam nunca, como a inspiração de um mês de novembro, que sempre traz um coração partido e a chuva, que vem pra limpar a alma e preparar terreno para as próximas coisas que vem vindo. O arco íris.
Eu amo fim de ano, começando justamente nesse mes, que sempre me parece nublado e preto e branco, mesmo quando estou embaixo de um sol, molhando os pés no mar. Dezembro me remete a minha infância, a arvore, trocas de presentes, jantares na casa do meu tio no dia 24 e almoços no dia 25 aqui em casa. Fim de ano, lista de coisas a fazer, coisas que passam despercebidas após janeiro. E o ano se repete, e chegamos novamente a novembro, passando por todas as outras coisas que vem antes disso.
Com um coração sentimental me ponho a fazer o que eu sempre faço. Escrevo incessantemente sobre os fantasmas e as musas que me trazem insonia. Espero não meter os pés pelas mãos e aprender a não agir com o coração. Aguardo não tão pacientemente que uma onda invada a areia e apague o nome que escrevi com tanto afinco e capricho, para um novo recomeço. Porque nada dura para sempre, nem mesmo a chuva de novembro.
6 de novembro de 2010
25 de outubro de 2010
Tentando evoluir
Ouvindo: Ani Difranco
Entra ano, passa ano. Coisa em cima de coisa. Erros, quedas, acertos, novas músicas, novos amores e Ani DiFranco sempre continua presente. Independente dos motivos iniciais da entrada dela em minha vida, eu consigo encaixa-la em quase qualquer momento de minha vida. E mesmo que uma hora suas músicas não me digam o que fazer, ao menos ela me ajuda a me acalmar. De tempos em tempos esqueço suas músicas, deixo-a pegando poeira na minha pasta para quando realmente preciso de ajuda ir atrás dela para que me dê algum apoio. Apoio tal que surge numa frase, numa música inteira ou na sua maneira de tocar o violão.
O engraçado é que foi só abrir minha pasta e jogar suas músicas para o Media Player que eu achei uma música sobre a qual eu poderia falar agora, cujo assunto está ainda bem quente, mas que não vale a pena expor dessa maneira. Não vale a pena mais causar dor a alguém que me foi muito bom mesmo que hoje essa pessoa não queira mais falar comigo, olhar na minha cara e me odeie, mesmo tendo prometido que nada que eu pudesse vir a falar a ele o faria me odiar. Me doi magoá-lo.
Ele acha que tudo o que ele disse entrou por um ouvido e saiu por outro, que eu ignorei tudo o que ele me disse. Mas isso é mentira. Eu tenho um defeito. Admitir que as pessoas estão certas sobre mim... só que apenas em voz alta. Dentro de mim, tudo funciona, analisa e examina aquelas afirmativas para achar algum sentido que no fim de tudo existe. Ele estava certo. Não sobre tudo, como eu tentei explicar mas ele se recusou em acreditar, mas ao menos em parte. Não ao que se referia a ele, mas ao que se referia a mim. Ele estava certo sobre como eu funciono e sobre o que eu deveria mudar em mim.
De certa forma isso me lembrou Comer, Rezar, Amar, que de alguma forma muito brega teve um impacto muito forte na minha vida. Eu estava perdida. E não é que eu precide comer na Itália, rezar na Índia e ir pra Bali encontrar um brasileiro para chamar de meu, mas cada um tem seu próprio comer, rezar, amar. Cada pessoa tem suas próprias descobertas pessoais que precisam ser feitas. Liz, a personagem do filme, estava insatisfeita, se sentindo morta, procurando significado. Eu estou em busca de evolução.
Evolução é algo relativo e pessoal. Eu sei os pontos que preciso evoluir, o que preciso melhorar em mim mesma, o que preciso buscar. Eu sei o que preciso e o que não preciso e, principalmente, eu sei o que eu sinto. Eu compreendo que certas coisas na minha vida aconteceram por algu motivo, motivos esses que eu ainda não descobri. Eu sei que algumas coisas que eu quero vão demorar. Algumas, se acontecerem, demorarão anos, e em relação a outras estou disposta a esperar o tempo necessário, o tempo que meu corpo suportar, até a areia terminar de cair na ampulheta. Eu achava que eu estava numa greve, mas percebi que minha greve começa agora.
Não me arrependo de ter dito aquelas palavras, foi a única coisa justa a se fazer. Espero que me perdoe um dia e que possamos ser bons amigos. Não sei o que esperar de um escorpiano furioso. Mas como uma geminiana, já estava na hora de me reinventar. Queimar para ressurgir de novo. Espero aprender as coisas que sempre tive preguiça de aprender, espero continuar tendo a coragem que demonstrei, espero voltar a aprimorar meu dom de ouvir, e aprender a me calar um pouco. Espero voltar a ser sincera, a colocar todos os sentimentos no papel. Pretendo me dedicar novamente a Igreja, a instituição e a palavra, me jogar nos ensinamentos religiosos, buscar um eu melhor do que o eu de hoje.
Preciso aprender a me separar das pessoas para aprender a lidar comigo mesma. Estar sozinha para aprender como estar junto. Mas isso não significa uma separação do mundo me isolando na minha torre de conformismo. Não que umas mudanças e umas viagens não me fariam bem. Mas, até então, minhas mudanças serão mais de dentro para fora do que de fora para dentro, apesar de algumas mudanças desse tipo estejam no meu roteiro de autodescoberta, exploração do mundo e levar as coisas mundanas e efêmeras menos a sério.
12 de outubro de 2010
Mimimi.
Ouvindo: She And Him
Falar sobre amor é clichê. Não querer falar sobre amor, como foi dito em Apenas o Fim também é clichê. Amor é algo tão extenso, tão cheio de silhuetas, que é complicado falar sobre ele sem deixar tantos detalhes de fora. Mas não estou aqui para decifrar o amor, ou falar de toda sua complexa simplicidade. Só estou precisando sentar na mesa do bar e abrir meu coração para o atencioso garçom, no estilo Reginaldo Rossi.
Quando eu era mais nova eu me apaixonava fácil, ou pelo menos pensava assim. Quando se é imatura é fácil confundir certos sentimentos. Eu sonhava acordada e escrevia no meu caderno o nome de qualquer menino que fizesse meu coração bater mais forte. Alguns anos depois eu percebi - com algumas excessões - que não bastava ele fazer meu coração disparar, mas precisavamos ter os mesmos gostos. Como eu poderia estar com alguém que não gostasse das mesmas músicas, dos mesmos filmes, mesmos tipos de lugares? Jamais fariamos nada juntos! Mas hoje, alguns meses depois de ter feito vinte e dois anos eu vejo um pouco mais a fundo, apesar de não tão fundo de como verei daqui há alguns anos. Não basta ele te fazer sorrir como uma idiota e compartilhar os seus gostos mais bizarros, mas você tem que olhar para frente e ver as mesmas coisas.
Uma amiga minha me disse certa vez que cada um tem suas prioridades na vida. Ela se comparou com sua irmã, que sempre planejou se casar e todos seus planos giraram em torno disso, diferente dos dela, que tem tantos sonhos e planos que, a principio, pretende realizar antes de juntar as escovas de dentes. Eu sempre gostei de parecer independente, principalmente depois que passei a morar sozinha. Eu tinha liberdade! Ouvir musicas nas alturas, esquecer um casaco em cima do sofá por uma semana, dormir a hora que eu quisesse, acordar a qualquer hora, não ter que lidar com as manias e defeitos de alguém todo dia. Mas no fim das contas é eu morro de medo de baratas, e preciso de alguém para matá-las. (Obs: olhando ao redor para ver se acho alguma)
A grande verdade que eu demorei pra admitir é que eu sou uma dessas garotas, que chora assistindo O Casamento do Meu Melhor Amigo e já viu diversos romances baratos escondida, vendo fotos de vestidos de noiva na internet, sonhando com o casamento dos sonhos e em que bairro gostaria de morar e qual nome daria para os filhos. Eu sou mimimi. O que importa não é conseguir um anel ou mudar o relacionamento no Orkut ou no Facebook. Acho triste casar para não ficar sozinha. Mas a questão é achar alguém pra estar do seu lado, compartilhando a vida dele, os problemas, os traumas, durante setenta anos, até que um de vocês se vá. E o outro vá logo em seguida.
4 de outubro de 2010
Aos amigos.
Escutando: Leoni
Enquanto eu cantava a mesma canção durante a manhã, eu percebi que eu precisava mudar de trilha sonora. Por isso, abri mão do meu masoquismo e resouvi mudar minha soundtrack. Escolhi Leoni. Entre um "Porque Não Eu?" "Os Outros" e "As Cartas Que Eu Não Mando" eu passei por diversas coisas. Passei por antigos relacionamentos, eternas paixões platônicas e uma velha amiga com quem eu ouvia muito este cd ao vivo do Leoni e que se perdeu da minha vida.
Então eu parei, inevitavelmente, em "Canção Para Quando Você Voltar" e as lágrimas encheram meus olhos em "Fotografia". E me lembrei dos meus queridos amigos, os que ainda fazem parte da minha vida. Tão diferentes entre si, e de mim mesma. Amigos com suas próprias ideologias, sonhos e planos. Amigos que eu não sei para aonde a vida vai levar. Amigos esses com quem eu não acho que vivi tempo suficiente, que estão em falta mais reuniões em casa e principalmente viagens para explorarmos o mundo juntos. Ou alguma cidadezinha há uma hora do Rio.
E eu penso pra onde a vida irá levá-los. Porque é inevitável. Mesmo que a gente não queira, as vezes um vai para lá, outro para o outro lado, alguns ficam aqui. Mas as histórias, as risadas, as lágrimas, os momentos de silencio, os momentos de barulho, uma madrugada virada, apagando apenas com o nascer do sol... e tantas, tantas outras coisas que nos fazem pensar neles, me fazem ter certeza que mesmo que eventualmente a vida nos afaste, ela nunca destruirá esses laços que sempre vão existir.
3 de outubro de 2010
Sobre a falta de coragem
Ouvindo: Engenheiros do Hawaii
Eu sou medrosa. Mas pelo menos sou uma medrosa convicta e sincera, pois eu venho aqui abrir meu coração e falar sem um pingo de vergonha na cara: Eu sou medrosa! Escrever sempre foi minha terapia. Mas a coisa que eu mais odeio sobre meu hábito de escrever, vindo inclusive antes de ter vontade de escrever e não saber exatamente sobre o que falar, é a vontade de escrever sobre uma coisa e não ter coragem.
Escrever é se expor. É ter um lugar para poder colocar todas as coisas que eu não posso dizer. Mas algumas coisas parecem tão erradas, me sinto tão envergonhada de meus sentimentos, me sinto tão rejeitada pelos meus desejos, que sequer consigo falar sobre isso, seja aqui, seja num poema, seja num roteiro de qualquer coisa. É como se todos fossem ver através de mim, transparente como sou.
Ser transparente é dificil quando o preço a se pagar por essa transparencia pode ser muito alto, quando a humilhação pode ser mortal. Quando a gente está cansada de sofrer e mascaramos nossos sentimentos reais em um monte de abobrinhas. Quando começamos a tomar atitudes idiotas que nos faz termos vergonha alheia de nós mesmos.
Mas eu sou assim. Medrosa e sempre agindo como uma tola, uma típica personagem loser de filme adolescente que é apaixonada pelo bonitão da escola e sempre gagueja ou tropeça diante dele. Mas eu não sou mais adolescente e muito menos apaixonada pelo bonitão da escola. Ainda assim, entra ano e passa ano, eu continuo me sentindo assim. Complexo de Malandragem. "Quem sabe eu ainda sou uma garotinha...".
27 de setembro de 2010
The word she knows, the tune she hums...*
Ouvindo: Stone Temple Pilots - Big Empty; Stone Temple Pilots - Sour Girl; Tom Petty - Free Fallin'
"Sem música a vida seria um erro".
Nietzsche era, sem duvidas, um cara brilhante. E essa frase é uma das coisas mais certas que alguém poderia vir a dizer. Seja uma música cuja letra de diga algo, ou apenas uma melodia que te embale acompanhando seu estado de espirito, nada como ouvir uma música para comemorar algo ou para desabafar. Eu poderia (ou na verdade não, porque seriam muitas) citar algumas músicas que marcaram determinados momentos da minha vida. Músicas que lembram épocas, anos, épocas, ou até mesmo um dia especifico. Músicas que lembram pessoas.
Acho que poderiamos viver sem música, mas seria bem mais sem graça. Não é a toa que os grandes filmes tem alguma música que só de você ouvi-la você já se lembra das cenas. Assistir Casablanca é sorrir toda vez que Sam se senta ao piano e toca As Time Goes By, assim como Moon River me faz lembrar de Audrey Hepburn parada em frente a Tiffany's em seu vestido preto clássico Givenchy. Unchained Melody é Demi Moore e Patrick Swayze fazendo vaso de argila. My Heart Will Go On é o Titanic caindo. Pessoas precisam de músicas para eternizar um momento. E não só para isso, músicas servem para tornar uma caminhada mais agradável, ou uma road trip mais divertida. E para cada momento, existe uma música que se encaixará perfeitamente. E quando Beatles e Gessinger não tiverem a resposta, basta olhar ao redor, se permitir ouvir, porque seja no rock, ou na bossa, alguém terá a palavra que você precisa ouvir.
* Elton Jonh - Tiny Dancer
20 de setembro de 2010
Ouvindo: Album Talkie Walkie da banda Air
"Amo as pessoas. Todas elas. Amo-as, creio, como um colecionador de selos ama sua coleção. Cada história, cada incidente, cada fragmento de conversa é matéria-prima para mim. Meu amor não é impessoal, nem tampouco inteiramente subjetivo. Gostaria de ser qualquer um, aleijado, moribundo, puta, e depois retornar para escrever sobre os meus pensamentos, minhas emoções enquanto fui aquela pessoa. Mas não sou onisciente. Tenho de viver a minha vida, ela é a única que terei. E você não pode considerar a própria vida com curiosidade objetiva o tempo todo..."
Sylvia Plath
Em algum determinado momento de minha vida me deparei com Sylvia Plath. Provavelmente foi citada em um filme que eu tenha gostado muito e esse nome rondou minha mente. Uma poeta que tirou sua vida ainda jovem, aos 30 anos de idade. Durante muitas das minhas idas a Livraria da Travessa eu me vi com Redoma de Vidro nas mãos, interessada em levá-lo para casa, mas sempre o largava novamente na prateleira. Nunca li, apesar de ainda ter vontade. Mas ela ganhou meu respeito desde que li - e me apaixonei - por seu poema Lady Lazarus. Sylvia Plarth me passa intensidade em sua escrita. Não sei se a dor a deixava profunda ou se sua profundidade lhe trazia dor. Sempre gostei da mistura de ambas, talvez por isso o encanto com ela.
Então, hoje a noite em busca de citações, achei essa citação de Sylvia. Sinto a mesma ânsia. Amo as pessoas, suas histórias, sempre gostei de ouví-las (apesar de ser uma pessoa que gosta muito de falar), sempre gostei de conhecê-las. Acho que ficar preso a nossa verdade, a nossos pensamentos, a nossas histórias reduz a gama de possibilidades, principalmente para mim que sempre gostei de escrever. Cada pessoa passa por coisas diferentes, sente de maneira diferente. Me trás uma sensação meio Manon, mas não totalmente ao pé da letra "Odeio minha vida. Quero viver outras.".
Essa madrugada gelada de Setembro me lembra do meu ano de 2004, das minhas noites frias de Novembro, que sempre pareciam pedir por November Rain do Guns. Me lembra minha própria época depressiva, a época onde eu tanto escrevia sobre o vazio. Sobre Hell. Me assusto ao pensar que depois de tanto tempo Hell tem surgido frequentemente em minha mente. Deve ser só impressão. Sinto falta das quartas feiras em Ipanema indo para terapia, onde eu colocava meus demonios pra fora, onde aprendi a lidar com outros. Se bem que nunca fui bem em lidar com fantasmas, musas ou demonios - e olha que sou uma Warlock Demonology!
Todas as vezes que abro o Living In Bars me deparo com a foto de Scarlett Johansson e Bill Murray no Tokyo Hyatt no filme Encontros e Desencontros. Penso em que outra foto eu poderia colocar lá, algum filme que eu goste mais - não que eu desgoste dele! Mas, dai observo a foto. Ali estão Charlotte e Bob. Perdidos na tradução. Quantas vezes não dizia que sofria de Sindrome de Charlotte e ficava ouvindo Just Like Honey do Jesus and the Mary Chain? Mas acima de tudo isso, tirando do contexto do filme, apenas a foto. São duas pessoas tristes, desiludidas, entediadas, num bar, bebendo. Pra encontrar uma saida, precisando se encontrar, bebendo para esquecer as perguntas sem resposta. Vivendo de bar em bar, como dançando embreagadamente em mesas, cansados de serem não-legais e de correrem atrás da felicidade! Bill mentira, after all ... Não fica mais fácil. Posso colocar Jesse e Celine como exemplo disso. Jovens, cheios de sonhos e de esperanças no auge de seus 23 anos, com um mundo a sua frente, tantas coisas para fazerem, tantos planos, tantas possibilidades. Então você sonha que você tem 32 anos. Você acorda assustado e vê que você tem 23 anos, suspira aliviado. Então você acorda, e você tealmente tem 32 anos. E tudo aquilo que você achava que ia acontecer, aquelas coisas grandiosas, elas não acontecem.
Mas é melhor que minhas divagações sobre Jesse e Celine terminem por aqui. Eles dão pano para uma madrugada inteira e bem, esta já está quase no final. E hoje eu não posso permanecer acordada como fazia quando era mais nova e eu entoava No Rain do Blind Melon como um hino. Onde "tudo o que posso fazer é ler um livro para ficar acordada". Os anos passaram e eu não posso me dar ao luxo de curtir o vazio das madrugadas geladas. Até porque esta é a Cidade Maravilhosa. Sabe-se-lá se amanha não surge um lindo sol que ilumine as idéias frias. Um lado meu espera que não. Fazia tempo que não escrevia assim.
Afinal, além de uma manha nova, em algumas horas (só é amanha quando eu durmo) será Segunda feira. O dia em que as dietas começam, em que a gente volta a ir a academia, em que a gente escolhe um dos mil livros na prateleira para ler e coloca todas as pendências em dia! Segunda feira é o dia oficial da esperança. Se não por tudo isso, pelo menos que a semana passe logo e que chegue sexta. E que os velhos encontros adiados se realizem e que tudo volte a ser como era há dois anos atrás. Que a gente volte a ser feliz de verdade.
14 de setembro de 2010
Sobre não ter o que dizer
Sempre que ouço The Lines of My Earth do Sixpence None The Richer é porque há algo a se dizer que eu não quero falar, que eu não tenho certeza ou que eu não sei. É uma música que remete ao meu interior, a dificuldade de me expressar. Agora não é diferente. Mais uma vez ouço essa música e não tenho nada a dizer, apesar de querer poder falar. Quem sabe colocando pra fora não fosse mais fácil. Tanta coisa que preciso jogar numa folha de papel, gritar com uma música de fundo, mas que não sei como e, sinceramente, não sei se consigo. Algo para aliviar o coração angustiado.
Mas como é difícil falar sobre um problema cuja origem ainda não consegui desvendar, preciso ao menos sentar e escrever que não consigo escrever. Que não consigo organizar meus pensamentos e que não consigo dissipar esse sentimento vazio. Não sei se isso ajuda em alguma coisa, mas pelo menos consigo despejar um pouco de honestidade, mesmo que obscura.
6 de setembro de 2010
Sobre casamentos felizes
Estou viciada em sites de fotos de casamento. Tenho alguns gravados nos favoritos e costumo visitá-los com certa frequência, procurando novidades. São lindos. Dos mais requintados aos mais simples (os que, pessoalmente, são os mais perfeitos). Ensaios inovadores e criativos, decoração impecavel de acordo com os gostos pessoais dos noivos. Formais e informais. Noivas tatuadas, loiras, morenas, tradicionais, extravagantes, campestres. Noivas. Noivos de barba, alargador, cabeça raspada, terno e gravata, colete.
Um dos momentos mais incríveis e emocionantes na vida de alguém. Uma preparação miniciosa de uma cerimônia que, seja ela grande ou pequena, tem em vista o objetivo de unir o amor dos dois em laços matrimoniais esperando que aquela chama que eles carregam em si nunca se apague.
Mas olhando agora aquelas fotos eu pensei "quantos desses casamentos realmente duram?". Como eles lidam com o dia a dia? Será que esse sorriso aberto, feliz, se tornou em um choro miserável e numa maldição? Será que algum deles vai terminar assim? Ou simplesmente terminar. Com lutas na justiça pela guarda de filhos, partilha de bens. Raiva, decepção, sensação de perda de tempo, cicatrizes.
Quantos deles vão chegar aos setenta anos, olhando para seus albuns de casamento e poderão falar um para o outro "somos felizes até hoje" ou ainda "somos ainda mais felizes hoje". Quantos desses casamentos chegarão a bodas de ouro. De diamantes. Quando olho essas fotos agora, tudo o que eu espero - com meu suspiro de esperança na sociedade - é que eles sejam felizes. Na saúde, na doença, na riqueza, na pobreza. Até que a morte os separe.
Um dos momentos mais incríveis e emocionantes na vida de alguém. Uma preparação miniciosa de uma cerimônia que, seja ela grande ou pequena, tem em vista o objetivo de unir o amor dos dois em laços matrimoniais esperando que aquela chama que eles carregam em si nunca se apague.
Mas olhando agora aquelas fotos eu pensei "quantos desses casamentos realmente duram?". Como eles lidam com o dia a dia? Será que esse sorriso aberto, feliz, se tornou em um choro miserável e numa maldição? Será que algum deles vai terminar assim? Ou simplesmente terminar. Com lutas na justiça pela guarda de filhos, partilha de bens. Raiva, decepção, sensação de perda de tempo, cicatrizes.
Quantos deles vão chegar aos setenta anos, olhando para seus albuns de casamento e poderão falar um para o outro "somos felizes até hoje" ou ainda "somos ainda mais felizes hoje". Quantos desses casamentos chegarão a bodas de ouro. De diamantes. Quando olho essas fotos agora, tudo o que eu espero - com meu suspiro de esperança na sociedade - é que eles sejam felizes. Na saúde, na doença, na riqueza, na pobreza. Até que a morte os separe.
27 de agosto de 2010
Sobre Hell
Léo Ferré - Avec Le Temps
Há muitos anos eu não escrevo sobre Hell. O que me fez voltar a escrever sobre isso? Devaneios dentro de um frescão na volta pra casa. Li Hell quando tinha meus 16 anos e fiquei apaixonada por Lolita Pille, tanto que comprei logo seu segundo livro, Bubble Gum. Hell era uma constante nas minhas sessões de terapia. Apesar de ter um lifestyle um tanto quanto diferente de Hell, eu me identificava com ela. Durante tantas vezes comparei o vazio sentido por ela e sentido por mim. Era uma época difícil. Eramos semelhantes apesar de nossas diferenças, algo nela fazia eu me identificar.
É engraçado ver, com o passar do tempo, que aquela época de Hell, dormir ouvindo minha playlist depressiva e calmantes ficou há tanto tempo para trás. Eu era nova e não tinha forças pra ir em frente. Porque a grande verdade é que é muito mais fácil você parar no tempo, se prender na torre e colocar a trança para dentro. Era muito difícil para mim naquela época tentar ser feliz. Era mais fácil e mais inspirador ser miseravel. Eu e Hell estavamos acomodadas, não conseguiamos ver a felicidade que estava do nosso lado. Ao invés disso eu me deliciava masoquistamente em passar dia após dia com aquele vazio que dominava o peito e que me fazia sentar na cadeira, a hora que fosse, para escrever sobre ele. Até porque sempre tive uma convicção de que os grandes escritores eram sempre os depressivos, os depravados, os boêmios, os miseraveis.
Tanta coisa aconteceu desde aquele tão distante ano de 2004. Eu cresci, amadureci, fiz algumas bobagens, me comportei como Scarlett O'Hara, vi bons filmes, conheci boas bandas, evolui como pessoa, me tornei mais aberta, me tornei mais tradicional, passei a me autocriticar menos e passei a criticar mais os outros. Afinal, o inferno são os outros.
Mas Hell me trás boas lembranças, apesar de tudo. E graças a Lolita Pille e seus dois livros eu comecei a ler mais - mesmo que não tanto quanto deveria - conheci Avec Le Temps de Léo Ferré e principalmente... fui apresentada a Leonard Cohen. Não me lembro bem se há menção a ele ambos os livros, mas Leonard Cohen se tornou um dos meus orgulhos musicais.
Durante seis meses Hell conseguiu viver de "amor, Evian e Marlboro Light" e achar que isso bastava. E isso basta.
Há muitos anos eu não escrevo sobre Hell. O que me fez voltar a escrever sobre isso? Devaneios dentro de um frescão na volta pra casa. Li Hell quando tinha meus 16 anos e fiquei apaixonada por Lolita Pille, tanto que comprei logo seu segundo livro, Bubble Gum. Hell era uma constante nas minhas sessões de terapia. Apesar de ter um lifestyle um tanto quanto diferente de Hell, eu me identificava com ela. Durante tantas vezes comparei o vazio sentido por ela e sentido por mim. Era uma época difícil. Eramos semelhantes apesar de nossas diferenças, algo nela fazia eu me identificar.
É engraçado ver, com o passar do tempo, que aquela época de Hell, dormir ouvindo minha playlist depressiva e calmantes ficou há tanto tempo para trás. Eu era nova e não tinha forças pra ir em frente. Porque a grande verdade é que é muito mais fácil você parar no tempo, se prender na torre e colocar a trança para dentro. Era muito difícil para mim naquela época tentar ser feliz. Era mais fácil e mais inspirador ser miseravel. Eu e Hell estavamos acomodadas, não conseguiamos ver a felicidade que estava do nosso lado. Ao invés disso eu me deliciava masoquistamente em passar dia após dia com aquele vazio que dominava o peito e que me fazia sentar na cadeira, a hora que fosse, para escrever sobre ele. Até porque sempre tive uma convicção de que os grandes escritores eram sempre os depressivos, os depravados, os boêmios, os miseraveis.
Tanta coisa aconteceu desde aquele tão distante ano de 2004. Eu cresci, amadureci, fiz algumas bobagens, me comportei como Scarlett O'Hara, vi bons filmes, conheci boas bandas, evolui como pessoa, me tornei mais aberta, me tornei mais tradicional, passei a me autocriticar menos e passei a criticar mais os outros. Afinal, o inferno são os outros.
Mas Hell me trás boas lembranças, apesar de tudo. E graças a Lolita Pille e seus dois livros eu comecei a ler mais - mesmo que não tanto quanto deveria - conheci Avec Le Temps de Léo Ferré e principalmente... fui apresentada a Leonard Cohen. Não me lembro bem se há menção a ele ambos os livros, mas Leonard Cohen se tornou um dos meus orgulhos musicais.
Durante seis meses Hell conseguiu viver de "amor, Evian e Marlboro Light" e achar que isso bastava. E isso basta.
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