14 de junho de 2012

Desabafo de Velha

Estou cansada de pessoas falsas. Prefiro aquelas que não gostam de mim e possuem a coragem de simplesmente me ignorarem quando passo por elas. Estou cansada de correr atrás, de viver atrás de fantasmas, de ser a única que sente saudades, esse bicho dá dos dois lados. Estou cansada de gente maluca, de gente chata, de gente complicada, de gente conservadora, de gente controladora. Que todos vocês vão para o quinto dos infernos!

Esse é o meu ano bom, meu ano Scott Pilgrim, no qual em breve eu sairei dos 23 e entrarei nos 24 anos e farei deste ano e desta idade os melhores da minha vida. O ano em que eu me encontrei, me desencontrei e estou me reencontrando, cada coisa em seu determinado aspecto. Um ano tão importante academicamente, no âmbito da amizade, de análises internas e externas. Um ano em que estou aprendendo que algumas pessoas simplesmente não se importam e que certas portas devem ser fechadas. 

Tudo bem, as vezes aquele demônio de vidas passadas vem me tentar, sussurrando na beira do ouvido, onde ir, o que fazer. Estou vacinada. Acho que aprendi o limite e aprendi que nem tudo o que quero fazer eu faço. Algumas coisas ainda parecem incompletas, mas a ansiedade de possuí-las vai passar. Sempre passa. Se não passar, aqui estou eu, pronta para cometer novos velhos erros. A vida é assim, feita de altos e baixos.

Aprendi a gostar de passar de um degrau para o outro. Não estou ficando velha, estou subindo de nível.  Um level 24 é muito mais forte que um level 16. A cada nível que eu subo mais coisas eu descubro, mais coisas eu aprendo, mais coisas sobre a vida, mais coisas sobre mim mesma. Apesar de amar essa sabedoria que vem com a idade, a tal comemoração me incomoda. Reúne-se os amigos e comemora-se o que? A vida? Isso eu comemoro todos os dias, a cada momento que faço o que gosto e estou com pessoas que eu amo.

Ficar velha - que drama! - me fez mais impaciente. Preciso fazer as coisas, mais coisas, mais rápido. É uma corrida contra o relógio! Mais filmes, mais livros, mais séries, mais pessoas, mais shows, mais risadas, mais amores, mais chocolate, mais praia, mais Lagoa, mais Lavradio, mais contos, curtas, romances, HQs. Me fez ver que certas coisas só me fazem perder meu tempo. Principalmente certas pessoas. Portanto, estou cortando alguns nomes da lista. Envelhecer nos faz ficar cansados de coisas que nos distraem de nossos objetivos, de coisas que foram, não são e, quem sabe, se voltarão a ser.

10 de junho de 2012

Sobre um relacionamento.

Eu estou em um relacionamento há quase um ano e meio. Eu amava meu objeto de afeição de todo meu coração. Esta é, na verdade, nossa segunda tentativa. Tivemos uma breve tentativa em 2008 que acabou não por falta de amor, mas por fatores externos que nos separaram. Eu sofri mas por algum tempo evitei pensar nisso. Mas músicas e lugares me lembravam aquele antigo amor. O visitei algumas vezes e via que, realmente, não tínhamos nascido para ficarmos juntos, pensávamos diferente víamos o mundo de maneira diferente. Ele sempre, meu amor, sempre tão conservador e eu tão free bird, sempre precisando da minha liberdade para voar por ai e de lutar pelo que eu acreditava.

Mas em 2010 a mesma coisa que me afastou dele fez com que nos aproximássemos novamente. Eu percebi ali que nunca o havia esquecido de verdade. Eu o amava verdadeiramente. Voltamos e eu estava verdadeiramente feliz. Suportando todas as dores, todos os problemas, todas as situações. Não precisou de muito tempo para que tudo se complicasse novamente, para que ficássemos distantes. Paramos de nos ver nos horários de sempre, seria apenas duas vezes durante a semana, e fui sendo colocada de lado para a entrada de coisas novas. Ele sempre gostou de novidades e principalmente as novidades que acrescentassem algo a ele. Sempre tão interesseiro. Seis meses de sofrimento, de humilhações. Seis meses sendo mulher de malandro.

No ano novo nos separamos, cada um foi para seu canto e eu tive um renascimento. Na tal viagem sabática de Itaipuaçu eu nasci de novo e passei a me perguntar se eu estava destinada mesmo a ficar com ele ou se tudo não passava de uma fase ruim. Cada dia que passava nos afastávamos mais e eu não via saudades por parte dele, apenas minha. Falta de quando eu era feliz e nós fazíamos parte de algo grande e lindo.

As lágrimas eram frequentes e os questionamentos rodavam meu coração todos os dias. Sempre que eu o via eu sentia meu coração aquecer e eu sabia que meus sentimentos continuavam iguais, mas ele continuava impassível e frio. Distante, como se só esperasse eu estender a toalha branca e me render.

Quando vale a pena continuar lutando e quando vale a pena desistir? E se essa for a última vez que eu ame e se eu nunca encontrar nada parecido? E se eu realmente não for boa o suficiente para ele? E se o problema está comigo? Se meus gostos, minha maneira de me vestir, de falar, de agir, minha falta de comprometimento é o que realmente atrapalha?

Quando amar deixa de ser o suficiente e a gente tem que assumir que acabou?

31 de maio de 2012

Sobre escrever.

Eu tenho escrito muito nesses últimos tempos. Tenho feito posts no blog, escrito cartas de cinco laudas, estou, inclusive, trabalhando em um conto nesses últimos dias. Rabisco palavras em qualquer lugar, basta vir qualquer coisas que eu sinta que eu precise colocar para fora. Acho que tenho me sentido em contato com a vida e com suas opções. Talvez fatores externos estejam me inspirando. Talvez essas mudanças loucas que eu sinto que estão acontecendo dentro de mim estejam sendo o pivô dessa mudança positiva.

Escrever sempre foi algo importante para mim. Desde que eu tinha quinze/dezesseis anos aproximadamente eu já tinha blogs toscos onde eu vomitava todas minhas depressões de adolescência (que eram muitas). Escrevia fanfics, historinhas, poemas mal-feitos que graças a Deus devem estar em decomposição em algum lugar. Mas tudo isso serviu para aumentar esse desejo. Queria ser jornalista. Foi o grande sonho de toda minha adolescência. Mais, queria ser uma crítica de rock, tal como Cameron Crowe. Uma crítica de cinema. Queria escrever sobre todas as coisas que eu amava. Mas a vida não é feita de coisas que amamos. A vontade de fazer jornalismo se foi quando eu percebi que queria ser muitas outras coisas e que eu não precisava de um diploma para escrever sobre as coisas que eu queria falar sobre.

Essa fome pelas palavras me atinge até hoje. Tenho alma de escritora, porém não a disciplina. Me distraio com extrema facilidade e, além disso, não consigo achar inspiração aqui. Olho ao meu redor e esse quarto parece sugar minha criatividade. Um escritor medíocre culpa seu plano de fundo. Tenho excentricidades ao escrever. Preciso que tudo ao meu redor esteja minimamente organizado (principalmente a minha mesa), a música depende com o que estou escrevendo e com o que estou sentido, as vezes sequer coloco música. Gosto de escrever no frio e quando está chovendo. Tenho preferencia por escrever a noite e se for de dia que seja com o dia nublado, por mais que, depois de muito tempo, eu tenha passado a apreciar os dias de sol. Gosto também de acender um incenso para refrescar o ambiente.

Escrever não é uma obrigação, é uma necessidade. Quando eu sinto algo tão forte eu preciso colocar para fora, mesmo que não publique. Quantos textos eu tenho nos rascunhos deste blog... Sem contar que, as vezes, eu quero apenas escrever para mim mesma. Coisas tão íntimas e pessoais que não quero compartilhar com nenhum outro ser humano.

Escrevo não porque vivo, mas pelo que quero viver. A vida é uma só e, por mais que a gente mude constantemente ao longo dela, não mudamos o suficiente. Acredito que uma vez postei aqui no blog uma citação que achei de um diário de Sylvia Plath na qual ela fala sobre escrever para poder viver outras vidas e eu me indentifiquei na hora. Quando você cria um outro personagem você pode ser uma outra pessoa, com outros credos, outros sentimentos, uma maneira completamente de observar a vida da sua própria. É como se você conseguisse ter muitas existências numa só vida.

Escrever está no meu top 10 de coisas favoritas no mundo. Talvez no top 5. É algo que relaxa, que me deixa feliz, que me completa. Eu sei que essa urgência que eu sinto as vezes é incompreendida pelas pessoas. O que tem de tão importante que essa menina precisa escrever a meia noite que ela não pode escrever amanha pela manhã? A ideia foge pelos dedos e a paixão, a adorável paixão, se esvai. Pode-se escrever sim pela manhã, mas aquilo que você tinha que falar ali, naquela hora, se perde. Um lado meu odeia edições, por isso evito ler o que escrevo. Outro lado sabe que é necessário, ainda mais se o que se está escrevendo é uma ficção.

Fuçando por essa imensidão cibernética achei uma lista de 30 Coisas Essenciais aparentemente escrita por Jack Kerouac (sempre duvido de citações na internet) que, mesmo que não tenham sido escritas por ele, são interessantes. "As indizíveis visões do indivíduo", "algo que você sente encontrará sua própria forma" e "seja apaixonado pela sua vida" me parecem boas "dicas" de um jovem escritor beatnik para toda uma geração que sente vontade de escrever por necessidade e não por vontade.

28 de maio de 2012

Sobre o não-escrever

Há coisas que não consigo falar sobre, ficam presas na garganta, nos dedos que não ousam pousar nas teclas. Meu grande medo é chegar no meu leito de morte igual ao protagonista do conto As Neves de Kilimanjaro do Hemingway que só conseguia pensar em todas as coisas sobre as quais ele sempre quis escrever mas se acomodou e acabou nunca falando sobre. Ao mesmo tempo, me acho extremamente repetitiva. Eu funciono bem na minha mente.

A verdade incomoda. Me incomoda. As ambiguidades me deixam louca. Eu amo e odeio estar aqui. Eu sei o que eu quero, mas ao mesmo tempo quero outras coisas também. Estou cansada de tentar. Estou cansada de me importar. "Abaixo meus olhos desejando poder chorar mais e me importar menos", mas é tão difícil para alguém como eu. Eu minto. Tento parecer descolada, mas não o sou. Não é tão difícil me conhecer, saber quem eu sou por debaixo da casca de super heroína. 

Tanta coisa a dizer, mas não digo. Escrever sobre mim mesma parece tão difícil. Talvez eu devesse escrever sobre outras pessoas, outras vidas. Talvez eu não devesse escrever de jeito nenhum.

Se perder também é caminho... mas estou cansada de rodar em círculos e terminar em lugar nenhum.

13 de maio de 2012

Sinceridade espontânea


Tenho tido uma dificuldade em me sentar aqui e escrever por diversos motivos, mas vou dar apenas o que tem ligação direta apenas comigo: tenho que falar em códigos. Tudo o que eu falo inclui a vida que eu vivo e, principalmente, as pessoas ao meu redor, por isso é tão difícil me expor nesse lugar. Recentemente arrumei uma espécie de diário onde eu posso escrever nomes. Nomes. Que alívio. Odeio reler coisas minhas e sequer lembrar do que estava falando, ter que procurar nos arquivos da minha memória com quem eu andava, o que eu fazia, para onde eu ia. Tão complicado! O diário é simples, além de me acompanhar para todos os lugares. Entretanto, não escrevo nele tanto quando desejaria. Tantas coisas que passaram e que não foram registradas. Tantas sensações, sentimentos, vontades, sonhos, pensamentos que vem e vão, junto com o vento que bate na janela, nas minhas idas e vindas do fundão.

Mas não estou no diário, não estou escrevendo uma carta, estou no blog. Não sei se quero simplesmente aproveitar a trilha sonora que me inspira a sentar aqui e falar algo ou se apenas estou tentando matar tempo. Talvez um pouco dos dois.

Complexo de Courtney Love. I want to be the girl with the most cake. Não não. Ela finge tão bem que está além do fingimento, já eu me entrego com meus olhares inocentes. Inocentes? Ingênuos talvez. Provavelmente tenho estado um pouco mais com complexo de Fiona Apple. Sempre fui tão na cara, talvez seja por isso que eu odeio coisas meio explicadas ou indiretas.

Me peguei escrevendo e reescrevendo uma carta. Tão difícil tem sido, talvez porque não faça sentido eu escreve-la. Primeiro porque ela não chegará ao destinatário e segundo porque tudo parece tão ridículo. Tento fazer uma recapitulação de tudo o que aconteceu... mas pra quê? Qual é o ponto? Me martirizar porque um dia na minha vida eu poderia ter tido algo que eu sempre quis e não pude ter porque estava me agarrando a algo passageiro? Erros. Infelizmente não sou Erica Strange e não tenho um Dr. Tom que pode me fazer voltar ao passado e fazer tudo diferente. Se eu pudesse, eu faria. Não sei o que aconteceria daquele ponto em diante mas este ai é um dos erros que estaria na minha lista. Mas está no passado. Tudo ficou para trás junto com a oportunidade. Não quero me prender ao que já foi e o que só Deus sabe se tem chance de ser. Estou cansada de correr atrás do vento. Eu achei graça quando um certo amigo me questionou quando eu disse que não era Penélope. Que Penélope moderna é essa que durante os momentos em que tece e destece o tapete vai se engraçar com outras pessoas? Não vou culpar o medo. A culpa é minha. Eu não fui Penélope e por isso não tenho o direito de dizer "eu sempre quis você". Onde ele em mim quando eu estava em outros braços?

Não sei se eu rio, se eu choro ou se eu mudo de trilha sonora. Comecei a escrever pensando em outra coisa, mas tudo vira Pedro. É, ele tem um nome. Que coisa. Ele se resume a cartas com frases riscadas, posts e músicas. Sempre na mente, mas tão distante. É uma ideologia, um amor fictício por alguém que eu sequer conheci bem o suficiente, cujo calor nunca me aqueceu. Como falar de amor quando eu "amei" tantos depois. Existiu Pedro e os que vieram no meio dele. Pausa para parar de ser masoquista. Voltar a ouvir 3x4. Pausa para tentar ser feliz. Voltar a ouvir Refrão de Bolero. Pausa. Morte. Meu coração funciona com a lógica Marvel, nada morre de verdade. Voltar a ouvir Dom Quixote, que sempre descreveu de maneira exata esse sentimento. "Muito prazer, ao seu dispor, se for por amor as causas perdidas". Por amor as causas perdidas e ao fim do medo de ser sincera como não se pode ser.

23 de abril de 2012

Coisas que nunca direi


Algumas coisas passam pela nossa mente, mas não possuímos coragem de colocá-las para fora. Algumas são apenas embaraçosas demais, outras tem consequências. Suspiro. Continuo a mesma medrosa. Ou não. Nem tudo deve ser dito indisciplinadamente. Certas coisas estarão bem melhor guardadas se continuarem dentro da gente, sem atingir a superfície onde os danos podem ser grandes. Só existir na minha mente não faz dessas coisas reais. E, conforme o tempo passa, elas passam também. Elas sempre passam. Certo. Certo?

Dai rolam aquelas apostas internas que sempre me parecem sinais, mesmo quando não são. Se o Ted tivesse ido para a esquerda e não para a direita ele jamais teria reencontrado a Stella. E isso me faz sair do micro e ir para o macro. A vida é o que fazemos que ela seja. Minhas decisões me levaram para onde estou hoje e se muitas coisas ficaram para trás, mesmo que eu não quisesse que elas ficassem, é porque assim eu fiz ser. Não adianta idealizar como teria sido se eu não tivesse tomado aquela decisão errada, ou aquela outra, ou ainda como seria se as coisas não fossem assim... Ou se não existissem barreiras que impedissem de colocar em prática as coisas loucas que passam pela minha cabeça.

Existem coisas que eu não vou falar, mas é tão bom quando a gente ouve outra pessoa falando exatamente o que eu queria poder dizer. 

21 de abril de 2012

Gerador de Improbabilidade Infinita


"O Gerador de Improbabilidade Infinita é um novo e maravilhoso método de cruzar longas distâncias sem ter que passar pela chatice do hiperespaço. Quando o Gerador de Improbabilidade Infinita alcança improbabilidade infinita, ele passa por todos os pontos do Universo quase que ao mesmo tempo. Resumindo: Você nunca sabe onde vai parar, e nem que espécie vai ser quando chegar.(…) O Gerador de Improbabilidade Infinita foi descoberto durante pesquisas com o Gerador de Improbabilidade Finita, que era usado para quebrar o gelo em festas, fazendo as moléculas da calcinha da anfitriã se deslocarem 30 centímetros para a direita de acordo com a Teoria da Indeterminação. Os cientistas repudiaram isso, em parte porque era uma avacalhação a ciência, mas principalmente, porque eles não eram convidados para essas festas." - O Guia do Mochileiro das Galáxias

Ligaram o Gerador de Improbabilidade Infinita na minha vida. Quem diria... Abro um sorriso. Quem diria que eu conheceria tantas pessoas na faculdade e falaria com elas com tanta facilidade. Lembro-me de tantos ambientes anteriores, incluindo minha faculdade anterior, onde eu tinha apenas duas amigas na minha turma e falava com os veteranos amigos do meu namorado. O Gerador já começou trabalhando me jogando na UFRJ... Que improvável. Eu sequer queria a UFRJ, estava morrendo de amores pela UERJ, por suas disciplinas, por sua proximidade de minha casa e de meu trabalho... Mas eu não sabia que não seria mais uma voluntária este ano, nem que o outro negócio que estava em minhas mãos escaparia por meus dedos... Me senti desolada, mas eu não sabia que era tudo culpa do Gerador. Num segundo me vi sendo chamada pela UFRJ e não acreditei até o dia em que fui fazer minha inscrição em matérias. Como seria se eu tivesse ficado na LEI? Se eu tivesse sido selecionada para o 2º semestre? Não sei, prefiro nem pensar. Gosto de pensar que a imprevisibilidade me levou exatamente para onde eu tinha que estar, na LEJ junto com a LEL.

Boom. Eis que a bomba cai em nossa cabeça. Quem diria, quem diria, ó céus, eu não sabia. Como havia eu de saber? O que me deixou perplexa por dias... passou. Isso também é uma surpresa. Esqueci... como achava que não esqueceria. Mas algo maior que eu e que você ainda brinca e joga na minha frente algo que me faz rir com as coincidências da vida... Espera ai, coincidência? Eu sequer acredito nisso. Por falar em acreditar, acho que possuo um Gerador dentro de mim também. Tudo em mim parece se mover na velocidade da luz, meus pensamentos e meus conceitos, aqueles tão poderosos, se desfazem. É como se me reconstruísse. Isso é bom. Tenho permitido mudanças de conceitos, de ideias. Chamam isso por ai de amadurecimento. Aprendemos lições com as rasteiras da vida... e nos tornamos uma versão melhorada de nós mesmas. Máquinas extraordinárias, como na canção de Fiona Apple.

Eu sorrio de forma boba quando penso em certas pessoas, de uma maneira não romântica. Nada de crushes. É. Não é disso que estou falando. Mas a aproximação de certas pessoas foi uma verdadeira surpresa, porque ninguém previa isso... Mas as pessoas crescem e junto com esse crescimento totalmente individual que forma a pessoa e seu caráter, gostos e ideologias, surge no meio de tudo isso identificação. Laços que começam a se formar depois de anos, laços que parecem ficar mais fortes com o tempo, laços que se mostram resistente as dificuldades de estar juntos, mas que continuam sendo laços e laços que se formaram de maneira tão inesperada. Laços. Sempre me interessei em laços porque sou uma dessas pessoas que gostam de coisas que durem. Gosto de levar as pessoas ao longo da vida.

Por fim quem diria que meus planos dariam certo. Aquela lista de resoluções de fim de ano parece que por mágica está se cumprindo em minha vida conforme os tempos passam. Todos os meus focos tem sido atingidos e eu me sinto imensamente feliz por isso. Posso dizer que há nos eu não sentia tamanha alegria. Lógico que nem tudo são sempre rosas e enquanto algumas coisas boas crescem dentro de nós e alguns laços se criam, também nos afastamos de outras coisas que um dia amamos e que hoje apenas nos trazem estranheza. Mas talvez até isso seja algo positivo. Algumas coisas ainda não se encaixaram, mas se tivessem se encaixado não teria graça. É tão melhor descobrir as coisas aos poucos, uma improbabilidade a cada dia. E a possibilidade infinita de se gerar felicidade.

6 de abril de 2012

Nada foi por acaso...

Suspiro. Isso vai ser difícil.

As vezes eu quero jogar teorias de HIMYM pelo ralo. As vezes quero acreditar naquilo como se fosse minha vida. Nada disso tem, na verdade, a ver com o que eu tenho a dizer. A questão é, será que tenho coragem de dizer tudo o que está aqui dentro?

Não adianta querer viver de passado. Querer mudar coisas que não podem ser mudadas. Viagem no tempo não existe e se existisse, será que valeria a pena? Tantas coisas aconteceram em tão pouco tempo que é difícil dizer se era aquilo que eu realmente queria. Era e não era. Era a coisa certa, na hora errada. Vai entender. Isso não faz o menor sentido. Como eu tenho coragem de dizer que era a hora errada dele estar na minha vida. Qualquer hora deveria ser a certa, não? Não.

Talvez algumas coisas não tenham sido feitas para acontecerem. Não tenho vocação pra ser Penélope, tecer o tapete de dia, e destece-lo a noite... eu preciso dormir em algum momento. Eu consigo esperar, mas sempre tive medo de esperar em vão, esperar uma vida toda por nada. Acho que hoje, e não só hoje, mas como há pouco tempo atrás, esperar por ele seria tão inútil como correr atrás do vento. Se isso em algum momento foi interpretado como sentimento falso, nada posso fazer. Meus sentimentos foram sinceros e eu vivi de acordo com eles no momento em que os senti.

A vida dá volta e as coisas mudam. Hoje eu sou outra pessoa. Cheia de experiências e arrependimentos. Um deles, eu creio, foi o que gerou todo esse post. O tal acontecimento que teria mudado a história da minha vida se eu não o tivesse vivido. Eu teria vivido outra coisa. Teria vivido outra pessoa, alguém por quem meu coração bateu tão forte que dava vontade de sorrir só de pensar. Mas agora não mais. Eu cansei de sonhar pelos cantos, de ouvir canções que me lembram ele o dia inteiro. Por Deus, eu merecia ser feliz e eu corri atrás dessa felicidade. Talvez minhas escolhas tenham sido infelizes, talvez eu tenha sido precipitada, mas eu tinha que fazer algo. Como apostar toda minha felicidade, minhas expectativas num cara que falava sobre outra? Como esperar pacientemente por alguém cujo coração estava tomado por um fantasma do passado? Ele não fechou a porta dele, eu tive de fechar a minha.

Ninguém pode dizer que eu não tentei. Eu tentei quando era certo, quando meu coração clamou por ele. Quando eu o amei, mais do que como um amigo, eu tentei. E fui rejeitada. E durante todo esse tempo eu ainda sonhava. Ainda me atrevia a escrever sobre ele. Ainda tinha a carta. Ah. A carta. Ela continuava lá, rodando pela casa, como uma sombra. Até que um dia eu decidi que ele precisava morrer. E o matei através da carta. Foi duro, mas eu consegui. Ou assim eu pensava.

Como disse meu querido leitor fantasma, eu tinha que mirar bem e acertar um ponto vital. A verdade é que eu não consegui matá-lo de fato, mas apenas o deixei em coma. E lá, ele está. Respirando por aparelhos, meio morto, meio vivo. Eu não o amo. Não, não. Não mais. Mas matar alguém está além de matar o amor. Eu também não tenho esperança. Depois de tudo o que aconteceu, a probabilidade dele desenvolver qualquer tipo de interesse por mim é patética, assim como a probabilidade de eu investir nisso. Cansei de ser masoquista. Qual é o ponto então? Eu não sei.

No fundo, acho que estou confusa. Tudo isso levantou inúmeras questões. Me deixou com um certo receio. Mas esse receio é ridículo e quase chega a desmentir o "paragrafo" anterior, por isso não tocarei nele. Mas, acho que estou apenas frustrada. Queria muito que um dr. Tom (sem piadinhas de duplo sentido) aparecesse agora e me dissesse umas verdades. Principalmente sobre o timing, que foi um dos fails de toda essa história. Lembrei de quando Erica e Ethan se interessaram um pelo outro e ela quis voltar no tempo para conquistá-lo assim que o conheceu, o que não deu certo, já que, naquela época, ele gostava de outra. Para que algo aconteça são necessárias duas pessoas, dois sentimentos. O que antes não funcionaria, porque ele não estava pré disposto, pode funcionar depois, que ele estava. Não sei se estou disposta a fazer necromancia, até porque o objeto de estudo sequer está morto, como já disse antes, ou se algum dia eu voltarei a minha greve de fome, tal como sugere Fiona Apple, mas hoje essa história termina com um ponto final e sem intenção de to be continued.

22 de março de 2012

Pensamentos abstratos (oh me, oh life)

O último post que eu escrevi foi misteriosamente deletado. Quer dizer, nem chegou a ter chance. Foi escrito num momento de fraqueza, de mimimice, e foi como se o universo dissesse para eu parar com essa palhaçada de reclamar como uma menininha e ir a luta. Or so I thought.

Pra dizer a verdade, há muita coisa a se dizer... mas muitas dessas coisas são aquelas que não devem ser expostas. Quer dizer, até devem, em seu momento e lugar certo, o que não é aqui nem agora. Não vou ficar falando sobre projetos e sonhos e como estou feliz. Não. Falar sobre felicidade no "papel" me cansa. Sempre disse por ai que não gosto de escritas felizes. Quer dizer, até gosto. As vezes. Não agora.

Estava num daqueles dias que pareciam não ter fim, perdida em folhas da faculdade, F5 no facebook, esperando alguma coisa. Alguém? É, pode ser. Também. Esperando uma música, a chuva. A hora de dormir. Pensando sobre quem eu sou, sobre o que quero ser. Sobre mudanças. Mudar as vezes é bom. Se abrir as críticas e se permitir mudar. Mas é tão difícil. Abri o youtube e coloquei a carta de Hank para Karen no episódio In Utero de Californication. Eu amo aquela carta. Eu e Hank Moody somos opostos. Não há nada com que eu me identifique no personagem... a não ser esta carta. Agora. Pela primeira vez eu ouvi a carta como se fosse escrita por mim e não para mim.

Eu tenho essa coisa dentro de mim, que é meio contra tudo o que eu quero. Mas é algo que urge, que me sufoca, e que por muitas vezes não quer se prender. É estranho. Não vou ficar falando sobre meus traumas e problemas - eles são chatos e ninguém quer saber deles - mas a verdade é que eu sou medrosa. E ser medrosa me leva muitas vezes a certos delírios. As vezes me imagino entrando num bar e bebendo até ficar zonza, fumando um cigarro, falando pseudo-intelectualidades com uma pessoa qualquer. As vezes imagino como seria mais feliz se eu fosse menos apegada a tudo. E de certa forma um lado meu é, apenas não consegue colocar em prática. Fica tudo preso na minha cabeça, aprisionado, como a Kyuubi. Meu grande dilema é soltar a Kyuubi ou apenas seguir o meu jeito ninja. Porque eu sempre comparo as coisas com Naruto? Vai entender...

A questão é: eu não tenho feito sentido. Eu sei, leitores fantasmas. Vocês não devem entender. Talvez alguém ai no meio arrisque palpites e provavelmente até acertem. Eu sou tão previsível e simples de ser lida, como pseudo literatura barata. Acho que no fim estou lutando contra mim mesma, contra essa minha dualidade. Tentando achar o equilíbrio no que eu sou, no que eu gostaria de ser, no que eu posso ser. Acho que não aprendi a delimitar isso. Mas, será isso delimitável? Essa palavra sequer existe? Vocês entederam, pelo menos. Ou não. Não importa muito, na verdade.

Quanto mais eu tento entender, menos eu entendo. Quanto mais eu questiono, mais perguntas. Quanto mais eu tento entender o que é literatura, o conceito se torna mais abstrato. Mas eu amo Teoria Literária, ah, sim, eu amo. E isso tem me bastado ultimamente. Ou não. A gente esconde as cartas e sorri e finge que entende. Quando não entendemos. E nem queremos entender.

7 de março de 2012

O Sentido (ou a falta dele)

O sentido (ou a falta dele) vem acompanhando minhas últimas semanas. Talvez eu possa (e deva) estender esse sentido para a viagem de fim de ano. Desde lá, parece que tudo começou a se encaixar de uma maneira que eu não esperava. Eu levei projetos para frente, talvez não com tanto afinco, mas tudo se começa com baby steps. Eu tive a oportunidade de começar o curso de Letras na UFRJ e de me olhar no reflexo de um ponto de ônibus e perceber, no segundo dia de aula, que eu nasci para aquilo. E que tudo acontece em seu determinado tempo. Eu quis ser advogada, jornalista, diplomata. E aqui estou eu, encantada por falar em inglês em sala de aula. Quem me conhece por tempo suficiente sabe que minha paixão pelo idioma é muito grande e existe há uns 10 anos (desde o primeiro cd de Britney Spears, ouso dizer).

A questão é: porque agora? Eu não sei. Mas sei que agora era o momento certo. Talvez com 17 anos eu não teria essa maturidade, talvez eu tivesse que passar por outras coisas. Mas percebi recentemente algo em mim que eu jamais pensei que um dia eu poderia possuir: foco. Sim, foco. Acho que finalmente eu sei o que eu quero. Claro, coisas novas aparecem todos os dias, mas eu finalmente estou entendendo minhas motivações (e a mim mesma). Sim, eu ouso sonhar com futuros distantes, mas ao invés de apenas idealizar futuros perfeitos, eu estou conseguindo enxergar o hoje, que sempre foi tão difícil para mim, e apostar nele. Eu ainda suspiro pelos cantos e penso como eu adoraria estar indo para o Canadá, mas eu sei que esse momento não será agora e eu entendo que eu tenho que aguardar esse tão esperado dia. Assim como todos os delírios de carreira e sonhos que não ouso jogar em palavras, mas que estão sendo construídos aos poucos dentro de mim.

Eu estou feliz. Eu chorei, sofri, me decepcionei, mas olhei adiante. Não é isso que importa? Lembro bem de quando eu dava uma topada com uma pedra no caminho eu esperava morrer pela primeira vez nessa década, como Lady Lazarous, para ressurgir das cinzas. Eu aprendi que a vida não é um poema de Sylvia Plath, não há necessidade de ser tão dramática. Eu estou feliz porque entendi que essas coisas acontecem, mas que elas não devem ditar a nossa jornada.

Estou me permitindo, me lançando, correndo riscos de cair, de terminar aos pedaços e de coração partido. Mas que graça tem a vida de ficarmos sempre com os pés no chão? Metade de mim é céu e metade de mim é terra, como já dizia meu querido Tom Petty. Quero voar sem ajuda de balões e mergulhar em águas profundas. Sinto que há tanta coisa para mim ai que basta eu não tentar abraçar o mundo com as pernas para conseguir chegar nesses lugares em determinado momento.

Hoje eu não tenho complexo de Erica, de Claire, de Celine nem de Boltie. Apesar de sempre ter dentro de mim um pouco de todas elas. Aprendi a aceitar o que é, o que não é e o que não precisa ser. Quebrar conceitos e barreiras. A única coisa que ainda não aprendi é a ler as entrelinhas e o que é meio dito, o que é deixado subentendido ainda me faz querer arrancar meus cabelos em ansiedade.

E o sentido? Bem, este é relativo. Talvez não faça para você, mas essa sensação de paz interior faz todas essas coisas que eu falei serem significativas o suficiente para serem expostas aqui.