26 de junho de 2012

Fim da Greve Pessoal

Essa greve da UFRJ me deixou tão preguiçosa que eu mesma acabei entrando em greve.

Eu que deveria estar escrevendo, um conto um livro, até mesmo uma maldita fanfiction. Eu que devia estar praticando minhas palavras, colocando na forma sua essência, minha essência. Todas essas merdas.

Eu que deveria estar lendo, lendo para poder escrever, lendo para descobrir mundos novos, cenários, gente nova. Para amar, para odiar, para querer ser igual. Ler quadrinhos, ler clássicos, ler guerra. Não ler Jane Austin. Fuck Jane Austin. 

Eu que deveria estar costurando, pintando, fazendo cordões. Eu que deveria estar usando as mãos para coisas mais importantes do que bater os dedos numa tecla - a não ser que seja para escrever algo de útil.

Eu que deveria ir a Lagoa, ir a praia, voltar ao boxe, passear pelo Leblon, pelos museus, pelos cinemas. Sair sozinha, com uma música no ouvido, não só ir de um ponto para o outro, como se fosse um marcador do google maps, mas apenas explorando. "Life's a journey, not a destination" já dizia Aerosmith.

Eu que estou mudando de lado. Eu que estou tão imersa em pensamentos que esqueço das coisas que importam no mundo real. Eu que estou apenas tentando me redescobrir. Eu que lembrei o quão bom é ser rock'n'roll. Eu que redescobri o prazer de me montar para pagar conta no banco. Eu uso xadrez com oncinha, eu gosto de tatuagens, de pop art, de filmes Tarantinescos, de literatura Bukowskiana, de muitos anéis nos dedos, de lenços amarrados na cabeça tipo "we can do it" motivational poster. E eu não dou a mínima para minha má reputação... Não, não, não, não. Não eu. Yeah. 

Eu que quero ser quem eu sou, e não me esconder por trás de batons nude. 

Eu que gasto minha vida nessas linhas. Tanta coisa que eu falo, que eu penso, que eu sinto. E eu não vivo, vivo, VIVO. Onde está a vida, aquilo que faz meu coração bater mais forte? Um soco, um coração partido, uma topada com o dedinho do pé na quina da parede, uma briga, um grito. 

O silencio me incomoda, por isso ouço Joan Jett. E The Smiths, e Depeche Mode, e New Order, e Iggy Pop. Essas músicas me trazem velhas sensações tão engraçadas que sinto vontade de rir. São músicas que não fazem parte da minha história, mas que me lembram lugares e momentos. Coisas daquele tipo de vontade que me dá e que passa com a mesma rapidez.

E eu declaro o fim da greve e faço de mim rainha do offline. Porque estar fora da linha é sempre bom.

21 de junho de 2012

O Fim (Temporário) da Utopia

As vezes parece que tudo está pequeno demais para mim. Tenho dessas coisas... Parece que a vida que eu realmente quero viver está tão distante que não a vejo nem no final do túnel, então continuo vivendo a que me deram para viver. Isso não me torna triste, apenas cansada. Essa eterna espera por algo que nunca vai chegar... a satisfação. Na minha vida perfeita tantas coisas seriam diferentes. Este não é o local e nem a hora de dizer que coisas seriam essas, mas adianto dizendo que minha vida perfeita não está na Prudente Morais com um Mini Cooper na garagem. Essa não seria minha vida perfeita. Posso, entretanto, dizer que minha vida perfeita começaria com um fusca.

Hoje foi dia de faxina. Joguei tantas coisas no lixo, coisas das quais tinha dificuldade de me desapegar. Vogues antigas, todo meu material da época que eu ainda fazia Relações Internacionais, roupas, dentre tantas outras coisas. Sacos e mais sacos indo para o lixo, ou simplesmente para longe da minha casa. Entretanto eu parei minha arrumação entre cartolinas, colas coloridas, penas e folhas coloridas quando encontrei um papel com uma daquelas brincadeiras que fazíamos quando éramos crianças. Lembro do dia e da circunstancia e quem fez aquela brincadeira comigo. Ela fazia para as meninas de nove anos e para ela mesma, quando eu achei divertido e pedi "faz pra mim também". E ela fez. Três garotos. Três carros, três lugares pra passar a lua de mel. Idade que você quer se casar. Que a sorte seja lançada. Parabéns, você vai se casar aos 27 anos, vai ser rica, vai ter três filhos, vai casar com o cara que você queria, passar a lua de mel no lugar que você queria e vai ter um Jeep. Um Jeep.

Vejam bem vocês, eu sou uma garota Fusca, não uma garota Jeep. Ousei questionar as opções como se o futuro pertencesse a mim. Eu deixaria de ser uma garota Fusca para ser a garota Jeep apenas para me encaixar naquela vida que me pareceu tão perfeita... que eu guardei o papel da brincadeira boba que se faz com meninas de nove anos.

Eu sempre pegava aquele caminho e olhava atentamente para os rostos na rua e para a esquina que me fazia sorrir. Até que parei de fazer isso. Percebi que as chances daquilo acontecer, o encontro de olhares que eu esperava, era mínima. Mas, logo depois disso, eu parecia atraída por aquela rua e por aquela esquina, de maneira que eu poderia ter vindo a viagem inteira lendo um livro e eu levantaria a cabeça, finalmente, quando passasse por ali. Era como meu coração chamasse por aquilo. Então hoje, no dia em que eu tinha me questionado sobre ser uma menina Jeep ou uma menina Fusca - como se fosse escolha minha - eu me peguei distraída olhando para a janela do ônibus, sem prestar atenção verdadeira a nenhum rosto que passava pela rua ou para a pessoa que conversava comigo. Apenas divagava divagando quando, de repente, eu o vi. Finalmente, sem procurá-lo, sem caçá-lo. Lá estava ele e eu o encontrei. Wally no meio da multidão. Meu olhar o seguiu, mas, principalmente, meu coração continuou ali, mesmo quando desci do ônibus, muitos pontos depois.

Sinais e existência perfeita, as grandes utopias da minha vida. Sapos não caem do céu, não existe o inevitável. Não consigo pensar na minha vida como se ela fosse controlada por algo maior do que eu. Acredito em pagar o preço, mas acredito que os lugares onde chegamos é onde nossos pés nos levaram, através de nossas escolhas.

Hoje eu me desapeguei do passado, dando espaço para coisas novas, um presente e, eventualmente, um futuro. Não digam "finalmente", não digam "até que enfim". Não digam porque dói, como já dizia Gwen Stefani. A mesma pergunta pode ter várias respostas diferentes, então nunca lhes darei uma resposta a uma pergunta tão importante do tipo "o que você quer agora?" ou "como é a vida perfeita pra você?" como sendo a única e definitiva. Hoje eu quero ser uma garota Fusca, a garota do Loft, das pontas dos cabelos coloridos, das tatuagens, dos quadros de Roy Lichtenstein, das Ball Chairs, do intercambio, do Canadá, de Nova York, da estrada, do mundo, de mim mesma, sozinha. E nesse exato momento eu só quero duas coisas: um show do Leonard Cohen e ser ninada pela voz de Tom Waits. 

14 de junho de 2012

Desabafo de Velha

Estou cansada de pessoas falsas. Prefiro aquelas que não gostam de mim e possuem a coragem de simplesmente me ignorarem quando passo por elas. Estou cansada de correr atrás, de viver atrás de fantasmas, de ser a única que sente saudades, esse bicho dá dos dois lados. Estou cansada de gente maluca, de gente chata, de gente complicada, de gente conservadora, de gente controladora. Que todos vocês vão para o quinto dos infernos!

Esse é o meu ano bom, meu ano Scott Pilgrim, no qual em breve eu sairei dos 23 e entrarei nos 24 anos e farei deste ano e desta idade os melhores da minha vida. O ano em que eu me encontrei, me desencontrei e estou me reencontrando, cada coisa em seu determinado aspecto. Um ano tão importante academicamente, no âmbito da amizade, de análises internas e externas. Um ano em que estou aprendendo que algumas pessoas simplesmente não se importam e que certas portas devem ser fechadas. 

Tudo bem, as vezes aquele demônio de vidas passadas vem me tentar, sussurrando na beira do ouvido, onde ir, o que fazer. Estou vacinada. Acho que aprendi o limite e aprendi que nem tudo o que quero fazer eu faço. Algumas coisas ainda parecem incompletas, mas a ansiedade de possuí-las vai passar. Sempre passa. Se não passar, aqui estou eu, pronta para cometer novos velhos erros. A vida é assim, feita de altos e baixos.

Aprendi a gostar de passar de um degrau para o outro. Não estou ficando velha, estou subindo de nível.  Um level 24 é muito mais forte que um level 16. A cada nível que eu subo mais coisas eu descubro, mais coisas eu aprendo, mais coisas sobre a vida, mais coisas sobre mim mesma. Apesar de amar essa sabedoria que vem com a idade, a tal comemoração me incomoda. Reúne-se os amigos e comemora-se o que? A vida? Isso eu comemoro todos os dias, a cada momento que faço o que gosto e estou com pessoas que eu amo.

Ficar velha - que drama! - me fez mais impaciente. Preciso fazer as coisas, mais coisas, mais rápido. É uma corrida contra o relógio! Mais filmes, mais livros, mais séries, mais pessoas, mais shows, mais risadas, mais amores, mais chocolate, mais praia, mais Lagoa, mais Lavradio, mais contos, curtas, romances, HQs. Me fez ver que certas coisas só me fazem perder meu tempo. Principalmente certas pessoas. Portanto, estou cortando alguns nomes da lista. Envelhecer nos faz ficar cansados de coisas que nos distraem de nossos objetivos, de coisas que foram, não são e, quem sabe, se voltarão a ser.

10 de junho de 2012

Sobre um relacionamento.

Eu estou em um relacionamento há quase um ano e meio. Eu amava meu objeto de afeição de todo meu coração. Esta é, na verdade, nossa segunda tentativa. Tivemos uma breve tentativa em 2008 que acabou não por falta de amor, mas por fatores externos que nos separaram. Eu sofri mas por algum tempo evitei pensar nisso. Mas músicas e lugares me lembravam aquele antigo amor. O visitei algumas vezes e via que, realmente, não tínhamos nascido para ficarmos juntos, pensávamos diferente víamos o mundo de maneira diferente. Ele sempre, meu amor, sempre tão conservador e eu tão free bird, sempre precisando da minha liberdade para voar por ai e de lutar pelo que eu acreditava.

Mas em 2010 a mesma coisa que me afastou dele fez com que nos aproximássemos novamente. Eu percebi ali que nunca o havia esquecido de verdade. Eu o amava verdadeiramente. Voltamos e eu estava verdadeiramente feliz. Suportando todas as dores, todos os problemas, todas as situações. Não precisou de muito tempo para que tudo se complicasse novamente, para que ficássemos distantes. Paramos de nos ver nos horários de sempre, seria apenas duas vezes durante a semana, e fui sendo colocada de lado para a entrada de coisas novas. Ele sempre gostou de novidades e principalmente as novidades que acrescentassem algo a ele. Sempre tão interesseiro. Seis meses de sofrimento, de humilhações. Seis meses sendo mulher de malandro.

No ano novo nos separamos, cada um foi para seu canto e eu tive um renascimento. Na tal viagem sabática de Itaipuaçu eu nasci de novo e passei a me perguntar se eu estava destinada mesmo a ficar com ele ou se tudo não passava de uma fase ruim. Cada dia que passava nos afastávamos mais e eu não via saudades por parte dele, apenas minha. Falta de quando eu era feliz e nós fazíamos parte de algo grande e lindo.

As lágrimas eram frequentes e os questionamentos rodavam meu coração todos os dias. Sempre que eu o via eu sentia meu coração aquecer e eu sabia que meus sentimentos continuavam iguais, mas ele continuava impassível e frio. Distante, como se só esperasse eu estender a toalha branca e me render.

Quando vale a pena continuar lutando e quando vale a pena desistir? E se essa for a última vez que eu ame e se eu nunca encontrar nada parecido? E se eu realmente não for boa o suficiente para ele? E se o problema está comigo? Se meus gostos, minha maneira de me vestir, de falar, de agir, minha falta de comprometimento é o que realmente atrapalha?

Quando amar deixa de ser o suficiente e a gente tem que assumir que acabou?

31 de maio de 2012

Sobre escrever.

Eu tenho escrito muito nesses últimos tempos. Tenho feito posts no blog, escrito cartas de cinco laudas, estou, inclusive, trabalhando em um conto nesses últimos dias. Rabisco palavras em qualquer lugar, basta vir qualquer coisas que eu sinta que eu precise colocar para fora. Acho que tenho me sentido em contato com a vida e com suas opções. Talvez fatores externos estejam me inspirando. Talvez essas mudanças loucas que eu sinto que estão acontecendo dentro de mim estejam sendo o pivô dessa mudança positiva.

Escrever sempre foi algo importante para mim. Desde que eu tinha quinze/dezesseis anos aproximadamente eu já tinha blogs toscos onde eu vomitava todas minhas depressões de adolescência (que eram muitas). Escrevia fanfics, historinhas, poemas mal-feitos que graças a Deus devem estar em decomposição em algum lugar. Mas tudo isso serviu para aumentar esse desejo. Queria ser jornalista. Foi o grande sonho de toda minha adolescência. Mais, queria ser uma crítica de rock, tal como Cameron Crowe. Uma crítica de cinema. Queria escrever sobre todas as coisas que eu amava. Mas a vida não é feita de coisas que amamos. A vontade de fazer jornalismo se foi quando eu percebi que queria ser muitas outras coisas e que eu não precisava de um diploma para escrever sobre as coisas que eu queria falar sobre.

Essa fome pelas palavras me atinge até hoje. Tenho alma de escritora, porém não a disciplina. Me distraio com extrema facilidade e, além disso, não consigo achar inspiração aqui. Olho ao meu redor e esse quarto parece sugar minha criatividade. Um escritor medíocre culpa seu plano de fundo. Tenho excentricidades ao escrever. Preciso que tudo ao meu redor esteja minimamente organizado (principalmente a minha mesa), a música depende com o que estou escrevendo e com o que estou sentido, as vezes sequer coloco música. Gosto de escrever no frio e quando está chovendo. Tenho preferencia por escrever a noite e se for de dia que seja com o dia nublado, por mais que, depois de muito tempo, eu tenha passado a apreciar os dias de sol. Gosto também de acender um incenso para refrescar o ambiente.

Escrever não é uma obrigação, é uma necessidade. Quando eu sinto algo tão forte eu preciso colocar para fora, mesmo que não publique. Quantos textos eu tenho nos rascunhos deste blog... Sem contar que, as vezes, eu quero apenas escrever para mim mesma. Coisas tão íntimas e pessoais que não quero compartilhar com nenhum outro ser humano.

Escrevo não porque vivo, mas pelo que quero viver. A vida é uma só e, por mais que a gente mude constantemente ao longo dela, não mudamos o suficiente. Acredito que uma vez postei aqui no blog uma citação que achei de um diário de Sylvia Plath na qual ela fala sobre escrever para poder viver outras vidas e eu me indentifiquei na hora. Quando você cria um outro personagem você pode ser uma outra pessoa, com outros credos, outros sentimentos, uma maneira completamente de observar a vida da sua própria. É como se você conseguisse ter muitas existências numa só vida.

Escrever está no meu top 10 de coisas favoritas no mundo. Talvez no top 5. É algo que relaxa, que me deixa feliz, que me completa. Eu sei que essa urgência que eu sinto as vezes é incompreendida pelas pessoas. O que tem de tão importante que essa menina precisa escrever a meia noite que ela não pode escrever amanha pela manhã? A ideia foge pelos dedos e a paixão, a adorável paixão, se esvai. Pode-se escrever sim pela manhã, mas aquilo que você tinha que falar ali, naquela hora, se perde. Um lado meu odeia edições, por isso evito ler o que escrevo. Outro lado sabe que é necessário, ainda mais se o que se está escrevendo é uma ficção.

Fuçando por essa imensidão cibernética achei uma lista de 30 Coisas Essenciais aparentemente escrita por Jack Kerouac (sempre duvido de citações na internet) que, mesmo que não tenham sido escritas por ele, são interessantes. "As indizíveis visões do indivíduo", "algo que você sente encontrará sua própria forma" e "seja apaixonado pela sua vida" me parecem boas "dicas" de um jovem escritor beatnik para toda uma geração que sente vontade de escrever por necessidade e não por vontade.

28 de maio de 2012

Sobre o não-escrever

Há coisas que não consigo falar sobre, ficam presas na garganta, nos dedos que não ousam pousar nas teclas. Meu grande medo é chegar no meu leito de morte igual ao protagonista do conto As Neves de Kilimanjaro do Hemingway que só conseguia pensar em todas as coisas sobre as quais ele sempre quis escrever mas se acomodou e acabou nunca falando sobre. Ao mesmo tempo, me acho extremamente repetitiva. Eu funciono bem na minha mente.

A verdade incomoda. Me incomoda. As ambiguidades me deixam louca. Eu amo e odeio estar aqui. Eu sei o que eu quero, mas ao mesmo tempo quero outras coisas também. Estou cansada de tentar. Estou cansada de me importar. "Abaixo meus olhos desejando poder chorar mais e me importar menos", mas é tão difícil para alguém como eu. Eu minto. Tento parecer descolada, mas não o sou. Não é tão difícil me conhecer, saber quem eu sou por debaixo da casca de super heroína. 

Tanta coisa a dizer, mas não digo. Escrever sobre mim mesma parece tão difícil. Talvez eu devesse escrever sobre outras pessoas, outras vidas. Talvez eu não devesse escrever de jeito nenhum.

Se perder também é caminho... mas estou cansada de rodar em círculos e terminar em lugar nenhum.

13 de maio de 2012

Sinceridade espontânea


Tenho tido uma dificuldade em me sentar aqui e escrever por diversos motivos, mas vou dar apenas o que tem ligação direta apenas comigo: tenho que falar em códigos. Tudo o que eu falo inclui a vida que eu vivo e, principalmente, as pessoas ao meu redor, por isso é tão difícil me expor nesse lugar. Recentemente arrumei uma espécie de diário onde eu posso escrever nomes. Nomes. Que alívio. Odeio reler coisas minhas e sequer lembrar do que estava falando, ter que procurar nos arquivos da minha memória com quem eu andava, o que eu fazia, para onde eu ia. Tão complicado! O diário é simples, além de me acompanhar para todos os lugares. Entretanto, não escrevo nele tanto quando desejaria. Tantas coisas que passaram e que não foram registradas. Tantas sensações, sentimentos, vontades, sonhos, pensamentos que vem e vão, junto com o vento que bate na janela, nas minhas idas e vindas do fundão.

Mas não estou no diário, não estou escrevendo uma carta, estou no blog. Não sei se quero simplesmente aproveitar a trilha sonora que me inspira a sentar aqui e falar algo ou se apenas estou tentando matar tempo. Talvez um pouco dos dois.

Complexo de Courtney Love. I want to be the girl with the most cake. Não não. Ela finge tão bem que está além do fingimento, já eu me entrego com meus olhares inocentes. Inocentes? Ingênuos talvez. Provavelmente tenho estado um pouco mais com complexo de Fiona Apple. Sempre fui tão na cara, talvez seja por isso que eu odeio coisas meio explicadas ou indiretas.

Me peguei escrevendo e reescrevendo uma carta. Tão difícil tem sido, talvez porque não faça sentido eu escreve-la. Primeiro porque ela não chegará ao destinatário e segundo porque tudo parece tão ridículo. Tento fazer uma recapitulação de tudo o que aconteceu... mas pra quê? Qual é o ponto? Me martirizar porque um dia na minha vida eu poderia ter tido algo que eu sempre quis e não pude ter porque estava me agarrando a algo passageiro? Erros. Infelizmente não sou Erica Strange e não tenho um Dr. Tom que pode me fazer voltar ao passado e fazer tudo diferente. Se eu pudesse, eu faria. Não sei o que aconteceria daquele ponto em diante mas este ai é um dos erros que estaria na minha lista. Mas está no passado. Tudo ficou para trás junto com a oportunidade. Não quero me prender ao que já foi e o que só Deus sabe se tem chance de ser. Estou cansada de correr atrás do vento. Eu achei graça quando um certo amigo me questionou quando eu disse que não era Penélope. Que Penélope moderna é essa que durante os momentos em que tece e destece o tapete vai se engraçar com outras pessoas? Não vou culpar o medo. A culpa é minha. Eu não fui Penélope e por isso não tenho o direito de dizer "eu sempre quis você". Onde ele em mim quando eu estava em outros braços?

Não sei se eu rio, se eu choro ou se eu mudo de trilha sonora. Comecei a escrever pensando em outra coisa, mas tudo vira Pedro. É, ele tem um nome. Que coisa. Ele se resume a cartas com frases riscadas, posts e músicas. Sempre na mente, mas tão distante. É uma ideologia, um amor fictício por alguém que eu sequer conheci bem o suficiente, cujo calor nunca me aqueceu. Como falar de amor quando eu "amei" tantos depois. Existiu Pedro e os que vieram no meio dele. Pausa para parar de ser masoquista. Voltar a ouvir 3x4. Pausa para tentar ser feliz. Voltar a ouvir Refrão de Bolero. Pausa. Morte. Meu coração funciona com a lógica Marvel, nada morre de verdade. Voltar a ouvir Dom Quixote, que sempre descreveu de maneira exata esse sentimento. "Muito prazer, ao seu dispor, se for por amor as causas perdidas". Por amor as causas perdidas e ao fim do medo de ser sincera como não se pode ser.

23 de abril de 2012

Coisas que nunca direi


Algumas coisas passam pela nossa mente, mas não possuímos coragem de colocá-las para fora. Algumas são apenas embaraçosas demais, outras tem consequências. Suspiro. Continuo a mesma medrosa. Ou não. Nem tudo deve ser dito indisciplinadamente. Certas coisas estarão bem melhor guardadas se continuarem dentro da gente, sem atingir a superfície onde os danos podem ser grandes. Só existir na minha mente não faz dessas coisas reais. E, conforme o tempo passa, elas passam também. Elas sempre passam. Certo. Certo?

Dai rolam aquelas apostas internas que sempre me parecem sinais, mesmo quando não são. Se o Ted tivesse ido para a esquerda e não para a direita ele jamais teria reencontrado a Stella. E isso me faz sair do micro e ir para o macro. A vida é o que fazemos que ela seja. Minhas decisões me levaram para onde estou hoje e se muitas coisas ficaram para trás, mesmo que eu não quisesse que elas ficassem, é porque assim eu fiz ser. Não adianta idealizar como teria sido se eu não tivesse tomado aquela decisão errada, ou aquela outra, ou ainda como seria se as coisas não fossem assim... Ou se não existissem barreiras que impedissem de colocar em prática as coisas loucas que passam pela minha cabeça.

Existem coisas que eu não vou falar, mas é tão bom quando a gente ouve outra pessoa falando exatamente o que eu queria poder dizer. 

21 de abril de 2012

Gerador de Improbabilidade Infinita


"O Gerador de Improbabilidade Infinita é um novo e maravilhoso método de cruzar longas distâncias sem ter que passar pela chatice do hiperespaço. Quando o Gerador de Improbabilidade Infinita alcança improbabilidade infinita, ele passa por todos os pontos do Universo quase que ao mesmo tempo. Resumindo: Você nunca sabe onde vai parar, e nem que espécie vai ser quando chegar.(…) O Gerador de Improbabilidade Infinita foi descoberto durante pesquisas com o Gerador de Improbabilidade Finita, que era usado para quebrar o gelo em festas, fazendo as moléculas da calcinha da anfitriã se deslocarem 30 centímetros para a direita de acordo com a Teoria da Indeterminação. Os cientistas repudiaram isso, em parte porque era uma avacalhação a ciência, mas principalmente, porque eles não eram convidados para essas festas." - O Guia do Mochileiro das Galáxias

Ligaram o Gerador de Improbabilidade Infinita na minha vida. Quem diria... Abro um sorriso. Quem diria que eu conheceria tantas pessoas na faculdade e falaria com elas com tanta facilidade. Lembro-me de tantos ambientes anteriores, incluindo minha faculdade anterior, onde eu tinha apenas duas amigas na minha turma e falava com os veteranos amigos do meu namorado. O Gerador já começou trabalhando me jogando na UFRJ... Que improvável. Eu sequer queria a UFRJ, estava morrendo de amores pela UERJ, por suas disciplinas, por sua proximidade de minha casa e de meu trabalho... Mas eu não sabia que não seria mais uma voluntária este ano, nem que o outro negócio que estava em minhas mãos escaparia por meus dedos... Me senti desolada, mas eu não sabia que era tudo culpa do Gerador. Num segundo me vi sendo chamada pela UFRJ e não acreditei até o dia em que fui fazer minha inscrição em matérias. Como seria se eu tivesse ficado na LEI? Se eu tivesse sido selecionada para o 2º semestre? Não sei, prefiro nem pensar. Gosto de pensar que a imprevisibilidade me levou exatamente para onde eu tinha que estar, na LEJ junto com a LEL.

Boom. Eis que a bomba cai em nossa cabeça. Quem diria, quem diria, ó céus, eu não sabia. Como havia eu de saber? O que me deixou perplexa por dias... passou. Isso também é uma surpresa. Esqueci... como achava que não esqueceria. Mas algo maior que eu e que você ainda brinca e joga na minha frente algo que me faz rir com as coincidências da vida... Espera ai, coincidência? Eu sequer acredito nisso. Por falar em acreditar, acho que possuo um Gerador dentro de mim também. Tudo em mim parece se mover na velocidade da luz, meus pensamentos e meus conceitos, aqueles tão poderosos, se desfazem. É como se me reconstruísse. Isso é bom. Tenho permitido mudanças de conceitos, de ideias. Chamam isso por ai de amadurecimento. Aprendemos lições com as rasteiras da vida... e nos tornamos uma versão melhorada de nós mesmas. Máquinas extraordinárias, como na canção de Fiona Apple.

Eu sorrio de forma boba quando penso em certas pessoas, de uma maneira não romântica. Nada de crushes. É. Não é disso que estou falando. Mas a aproximação de certas pessoas foi uma verdadeira surpresa, porque ninguém previa isso... Mas as pessoas crescem e junto com esse crescimento totalmente individual que forma a pessoa e seu caráter, gostos e ideologias, surge no meio de tudo isso identificação. Laços que começam a se formar depois de anos, laços que parecem ficar mais fortes com o tempo, laços que se mostram resistente as dificuldades de estar juntos, mas que continuam sendo laços e laços que se formaram de maneira tão inesperada. Laços. Sempre me interessei em laços porque sou uma dessas pessoas que gostam de coisas que durem. Gosto de levar as pessoas ao longo da vida.

Por fim quem diria que meus planos dariam certo. Aquela lista de resoluções de fim de ano parece que por mágica está se cumprindo em minha vida conforme os tempos passam. Todos os meus focos tem sido atingidos e eu me sinto imensamente feliz por isso. Posso dizer que há nos eu não sentia tamanha alegria. Lógico que nem tudo são sempre rosas e enquanto algumas coisas boas crescem dentro de nós e alguns laços se criam, também nos afastamos de outras coisas que um dia amamos e que hoje apenas nos trazem estranheza. Mas talvez até isso seja algo positivo. Algumas coisas ainda não se encaixaram, mas se tivessem se encaixado não teria graça. É tão melhor descobrir as coisas aos poucos, uma improbabilidade a cada dia. E a possibilidade infinita de se gerar felicidade.

6 de abril de 2012

Nada foi por acaso...

Suspiro. Isso vai ser difícil.

As vezes eu quero jogar teorias de HIMYM pelo ralo. As vezes quero acreditar naquilo como se fosse minha vida. Nada disso tem, na verdade, a ver com o que eu tenho a dizer. A questão é, será que tenho coragem de dizer tudo o que está aqui dentro?

Não adianta querer viver de passado. Querer mudar coisas que não podem ser mudadas. Viagem no tempo não existe e se existisse, será que valeria a pena? Tantas coisas aconteceram em tão pouco tempo que é difícil dizer se era aquilo que eu realmente queria. Era e não era. Era a coisa certa, na hora errada. Vai entender. Isso não faz o menor sentido. Como eu tenho coragem de dizer que era a hora errada dele estar na minha vida. Qualquer hora deveria ser a certa, não? Não.

Talvez algumas coisas não tenham sido feitas para acontecerem. Não tenho vocação pra ser Penélope, tecer o tapete de dia, e destece-lo a noite... eu preciso dormir em algum momento. Eu consigo esperar, mas sempre tive medo de esperar em vão, esperar uma vida toda por nada. Acho que hoje, e não só hoje, mas como há pouco tempo atrás, esperar por ele seria tão inútil como correr atrás do vento. Se isso em algum momento foi interpretado como sentimento falso, nada posso fazer. Meus sentimentos foram sinceros e eu vivi de acordo com eles no momento em que os senti.

A vida dá volta e as coisas mudam. Hoje eu sou outra pessoa. Cheia de experiências e arrependimentos. Um deles, eu creio, foi o que gerou todo esse post. O tal acontecimento que teria mudado a história da minha vida se eu não o tivesse vivido. Eu teria vivido outra coisa. Teria vivido outra pessoa, alguém por quem meu coração bateu tão forte que dava vontade de sorrir só de pensar. Mas agora não mais. Eu cansei de sonhar pelos cantos, de ouvir canções que me lembram ele o dia inteiro. Por Deus, eu merecia ser feliz e eu corri atrás dessa felicidade. Talvez minhas escolhas tenham sido infelizes, talvez eu tenha sido precipitada, mas eu tinha que fazer algo. Como apostar toda minha felicidade, minhas expectativas num cara que falava sobre outra? Como esperar pacientemente por alguém cujo coração estava tomado por um fantasma do passado? Ele não fechou a porta dele, eu tive de fechar a minha.

Ninguém pode dizer que eu não tentei. Eu tentei quando era certo, quando meu coração clamou por ele. Quando eu o amei, mais do que como um amigo, eu tentei. E fui rejeitada. E durante todo esse tempo eu ainda sonhava. Ainda me atrevia a escrever sobre ele. Ainda tinha a carta. Ah. A carta. Ela continuava lá, rodando pela casa, como uma sombra. Até que um dia eu decidi que ele precisava morrer. E o matei através da carta. Foi duro, mas eu consegui. Ou assim eu pensava.

Como disse meu querido leitor fantasma, eu tinha que mirar bem e acertar um ponto vital. A verdade é que eu não consegui matá-lo de fato, mas apenas o deixei em coma. E lá, ele está. Respirando por aparelhos, meio morto, meio vivo. Eu não o amo. Não, não. Não mais. Mas matar alguém está além de matar o amor. Eu também não tenho esperança. Depois de tudo o que aconteceu, a probabilidade dele desenvolver qualquer tipo de interesse por mim é patética, assim como a probabilidade de eu investir nisso. Cansei de ser masoquista. Qual é o ponto então? Eu não sei.

No fundo, acho que estou confusa. Tudo isso levantou inúmeras questões. Me deixou com um certo receio. Mas esse receio é ridículo e quase chega a desmentir o "paragrafo" anterior, por isso não tocarei nele. Mas, acho que estou apenas frustrada. Queria muito que um dr. Tom (sem piadinhas de duplo sentido) aparecesse agora e me dissesse umas verdades. Principalmente sobre o timing, que foi um dos fails de toda essa história. Lembrei de quando Erica e Ethan se interessaram um pelo outro e ela quis voltar no tempo para conquistá-lo assim que o conheceu, o que não deu certo, já que, naquela época, ele gostava de outra. Para que algo aconteça são necessárias duas pessoas, dois sentimentos. O que antes não funcionaria, porque ele não estava pré disposto, pode funcionar depois, que ele estava. Não sei se estou disposta a fazer necromancia, até porque o objeto de estudo sequer está morto, como já disse antes, ou se algum dia eu voltarei a minha greve de fome, tal como sugere Fiona Apple, mas hoje essa história termina com um ponto final e sem intenção de to be continued.