19 de agosto de 2012

O Fim.

Hoje eu não vou ser sincera, porque eu estou cansada disso. Hoje eu estou com raiva de ser mimimi, de ser fantasiosa. Estou cansada de tentar escrever e não conseguir porque não existe uma paz dentro de mim que organize meus sentimentos. Estou cansada de sentir. Cansada de ser atormentada pelo que foi e pelo que nunca vai ser. Cansada de tentar me enganar que algum dia vai ser. Estou cansada de ser.

Ser sincera foi o que sempre me colocou nessa posição. Mesmo quando eu não tentava, eu era pega pelas minhas atitudes, que sempre demonstravam o que eu queria e tentava esconder com mentiras escabrosas. 

Eu não sei qual caminho é o correto e eu sinto que eu avanço e retrocedo, não importa para onde eu decida seguir.

Eu decido desistir. Desistir de colocar em palavras esses sentimentos. Cansada do These Conversations Kill como eu um dia me senti do Wanna Be Uncool. Culpando os blogs eu não percebia que o problema estava comigo. Não eram os títulos ou as cores, mas o conteúdo. Era eu me expondo em cada palavra, em cada linha. Como eu sempre faço. Mostrando fraquezas.

Hoje TCK chega ao fim. Pelo menos com isso eu consigo acabar.

E quanto a aquelas coisas que eu não consigo matar, malditos super homens, ninguém jamais ouvirá sobre isso novamente. Ninguém jamais ouvirá sobre meus devaneios, meus desejos. E se algo em algum momento me trair não exitarei em extraí-los. Arrancar o brilho dos olhos. Isso pode nunca me trazer felicidade, mas isso já parece ser algo impossível de alcançar de qualquer forma.

15 de agosto de 2012

Bem x Mal

Vermillion Part 2 fica no repeat porque nada mais parece combinar com as palavras que estou prestes a escrever. Sim, é claro, outras músicas devem combinar com esse momento sombrio, mas sinceramente, não quero procurá-las. Nem sei se devo.

"I won't let this build up inside me". É talvez a frase que resumiria esse texto. Ou não. Meus textos não são planejados. Eles se escrevem ao longo do caminho e tudo o que eu faço é guiar o dedo pelas teclas. Entretanto é isso ai o que eu sinto que eu deveria fazer, só que as vezes é difícil. Não somos feitos de aço. Não somos Super Homens. Eu sou uma maldita anti-heroína que as vezes quer ver o sangue inimigo para sentir que a justiça está sendo feita. Arranhões não me satisfazem. Quero carnificina.

O ser humano continua me enojando. O que é complicado porque, na verdade, minha relação com ele é de verdadeiro amor e ódio. Os erros, as maldades não intencionais, mas que não deixam de ser maldades, as falhas de caráter, a maneira como perdemos nosso rumo, como nos esquecemos do que queríamos, de quem somos. Toda essa batalha diária para alcançar sabe-se lá Deus o que. Talvez apenas uma luta contra o relógio para aproveitar tudo o que queremos aproveitar antes que nossa jornada chegue ao fim. 

Mas o ser humano é cruel. Como se não bastasse ser cruel, eles ainda se disfarçam em pele de cordeiro. Não os chamarei de lobos. Os lobos não merecem tamanho insulto. Gente suja, que joga baixo, que passa a perna, que só quer ver o bem dos seus. Gente mesquinha. Gente escrota. Eu os odeio, mas o ódio é inútil. O ódio só gera ódio. Me torna igual a eles. Cheia de vontade de destruir vidas. Mas eu não quero ser assim. Não quero ser vingativa, porque não acredito em vingança. Não quero nutrir sentimentos ruins, porque eles apenas me destroem por dentro. Não quero me tornar o que eu tanto odeio. E pra piorar não quero mais odiar. Odiar é se importar. Que Deus me permita a indiferença, como se certas coisas nem estivessem acontecendo.

Mas elas acontecem e eu ainda não cheguei nesse estágio de paz interior. Não sou a favor do revidar, mas acho que é muito masoquista dar a cara a tapa. Há limites para o que uma pessoa deveria aguentar. E há limites para ser um filho da puta e se passar por filho de Deus.

E todos aqueles discursos que eu passei toda minha vida ouvindo, que me deixavam triste, hoje fazem sentido. Hoje eu entendo aquelas pessoas que se afastaram.

Acho que hoje eu só precisava escrever, botar pra fora. Admitir o sentimento é o primeiro passo para sublimá-lo. Transformar o mal em bem. Porque diferente o bem pode não sempre vencer o mal no mundo lá fora, mas bem que pode ser assim pelo menos dentro de mim.

16 de julho de 2012

Procrastinação

Para aqueles que não sabem, eu não tenho mais vergonha de dizer: eu leio fanfictions. Sou uma leitora ávida delas há 12 anos. Começo com isso, porque as pessoas abandonam boas histórias. Fanfictions longas são postadas em capítulos, e muitas vezes as pessoas nunca mais postam o próximo. Ontem estava relendo uma das minhas histórias não-terminadas favoritas, que se passa com os personagens de Card Captors Sakura. A fanfic é em inglês e a autora não toca nela desde 2007. Hoje eu sentei e mandei uma mensagem pra essa autora. Assim, por mandar. Pela necessidade de expressar mais do que "Please, don't give up on this." ou um simples "Update!!". Escrevi um texto de verdade. E no fim, quando eu o reli, acho que estava escrevendo um pouco para ela... e um pouco pra mim.

Procrastino todas as coisas que de fato acho importantes na minha vida. Escrever é, definitivamente, uma delas. O "diário" que eu dizia que queria manter. Todos aqueles sentimentos diários que passam dentro de mim, os pensamentos, que se perdem pela simples falta de manter um registro daquilo. Este blog que é deixado as moscas. O Cubo do Cúbito que parece um projeto abandonado. Todos os projetos de contos que eu acumulo, mas não sento para escrever.

Oportunidades não me faltam. Eu não vivo a vida que as outras pessoas vivem. a maioria delas não tem tempo para se dedicar a Arte, a Beleza, a Verdade como gostariam. Eu tenho tempo pra tudo isso e não o faço. Não sei se é por medo ou por preguiça, ou os dois. Os grandes males da minha vida.

Sempre fui movida pelo medo. Medo de errar, medo de partir meu coração. Medo de terminar um conto e todos acharem que é uma merda. Medo de não ser boa no que eu gosto de fazer. Medo de não conseguir as coisas que eu quero. Mas não conquistar por medo é covardia. Não conquistar por qualquer outro motivo simplesmente faz parte.

Quem escreve quer ser lido, sempre me diz uma querida amiga. É mais que isso. Quem pinta quer ser admirado. Quem faz música quer alcançar as pessoas. Quem ama quer apenas demonstrar. Quem tem algo a dizer apenas quer colocar pra fora.


"Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio
Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silencio"

26 de junho de 2012

Fim da Greve Pessoal

Essa greve da UFRJ me deixou tão preguiçosa que eu mesma acabei entrando em greve.

Eu que deveria estar escrevendo, um conto um livro, até mesmo uma maldita fanfiction. Eu que devia estar praticando minhas palavras, colocando na forma sua essência, minha essência. Todas essas merdas.

Eu que deveria estar lendo, lendo para poder escrever, lendo para descobrir mundos novos, cenários, gente nova. Para amar, para odiar, para querer ser igual. Ler quadrinhos, ler clássicos, ler guerra. Não ler Jane Austin. Fuck Jane Austin. 

Eu que deveria estar costurando, pintando, fazendo cordões. Eu que deveria estar usando as mãos para coisas mais importantes do que bater os dedos numa tecla - a não ser que seja para escrever algo de útil.

Eu que deveria ir a Lagoa, ir a praia, voltar ao boxe, passear pelo Leblon, pelos museus, pelos cinemas. Sair sozinha, com uma música no ouvido, não só ir de um ponto para o outro, como se fosse um marcador do google maps, mas apenas explorando. "Life's a journey, not a destination" já dizia Aerosmith.

Eu que estou mudando de lado. Eu que estou tão imersa em pensamentos que esqueço das coisas que importam no mundo real. Eu que estou apenas tentando me redescobrir. Eu que lembrei o quão bom é ser rock'n'roll. Eu que redescobri o prazer de me montar para pagar conta no banco. Eu uso xadrez com oncinha, eu gosto de tatuagens, de pop art, de filmes Tarantinescos, de literatura Bukowskiana, de muitos anéis nos dedos, de lenços amarrados na cabeça tipo "we can do it" motivational poster. E eu não dou a mínima para minha má reputação... Não, não, não, não. Não eu. Yeah. 

Eu que quero ser quem eu sou, e não me esconder por trás de batons nude. 

Eu que gasto minha vida nessas linhas. Tanta coisa que eu falo, que eu penso, que eu sinto. E eu não vivo, vivo, VIVO. Onde está a vida, aquilo que faz meu coração bater mais forte? Um soco, um coração partido, uma topada com o dedinho do pé na quina da parede, uma briga, um grito. 

O silencio me incomoda, por isso ouço Joan Jett. E The Smiths, e Depeche Mode, e New Order, e Iggy Pop. Essas músicas me trazem velhas sensações tão engraçadas que sinto vontade de rir. São músicas que não fazem parte da minha história, mas que me lembram lugares e momentos. Coisas daquele tipo de vontade que me dá e que passa com a mesma rapidez.

E eu declaro o fim da greve e faço de mim rainha do offline. Porque estar fora da linha é sempre bom.

21 de junho de 2012

O Fim (Temporário) da Utopia

As vezes parece que tudo está pequeno demais para mim. Tenho dessas coisas... Parece que a vida que eu realmente quero viver está tão distante que não a vejo nem no final do túnel, então continuo vivendo a que me deram para viver. Isso não me torna triste, apenas cansada. Essa eterna espera por algo que nunca vai chegar... a satisfação. Na minha vida perfeita tantas coisas seriam diferentes. Este não é o local e nem a hora de dizer que coisas seriam essas, mas adianto dizendo que minha vida perfeita não está na Prudente Morais com um Mini Cooper na garagem. Essa não seria minha vida perfeita. Posso, entretanto, dizer que minha vida perfeita começaria com um fusca.

Hoje foi dia de faxina. Joguei tantas coisas no lixo, coisas das quais tinha dificuldade de me desapegar. Vogues antigas, todo meu material da época que eu ainda fazia Relações Internacionais, roupas, dentre tantas outras coisas. Sacos e mais sacos indo para o lixo, ou simplesmente para longe da minha casa. Entretanto eu parei minha arrumação entre cartolinas, colas coloridas, penas e folhas coloridas quando encontrei um papel com uma daquelas brincadeiras que fazíamos quando éramos crianças. Lembro do dia e da circunstancia e quem fez aquela brincadeira comigo. Ela fazia para as meninas de nove anos e para ela mesma, quando eu achei divertido e pedi "faz pra mim também". E ela fez. Três garotos. Três carros, três lugares pra passar a lua de mel. Idade que você quer se casar. Que a sorte seja lançada. Parabéns, você vai se casar aos 27 anos, vai ser rica, vai ter três filhos, vai casar com o cara que você queria, passar a lua de mel no lugar que você queria e vai ter um Jeep. Um Jeep.

Vejam bem vocês, eu sou uma garota Fusca, não uma garota Jeep. Ousei questionar as opções como se o futuro pertencesse a mim. Eu deixaria de ser uma garota Fusca para ser a garota Jeep apenas para me encaixar naquela vida que me pareceu tão perfeita... que eu guardei o papel da brincadeira boba que se faz com meninas de nove anos.

Eu sempre pegava aquele caminho e olhava atentamente para os rostos na rua e para a esquina que me fazia sorrir. Até que parei de fazer isso. Percebi que as chances daquilo acontecer, o encontro de olhares que eu esperava, era mínima. Mas, logo depois disso, eu parecia atraída por aquela rua e por aquela esquina, de maneira que eu poderia ter vindo a viagem inteira lendo um livro e eu levantaria a cabeça, finalmente, quando passasse por ali. Era como meu coração chamasse por aquilo. Então hoje, no dia em que eu tinha me questionado sobre ser uma menina Jeep ou uma menina Fusca - como se fosse escolha minha - eu me peguei distraída olhando para a janela do ônibus, sem prestar atenção verdadeira a nenhum rosto que passava pela rua ou para a pessoa que conversava comigo. Apenas divagava divagando quando, de repente, eu o vi. Finalmente, sem procurá-lo, sem caçá-lo. Lá estava ele e eu o encontrei. Wally no meio da multidão. Meu olhar o seguiu, mas, principalmente, meu coração continuou ali, mesmo quando desci do ônibus, muitos pontos depois.

Sinais e existência perfeita, as grandes utopias da minha vida. Sapos não caem do céu, não existe o inevitável. Não consigo pensar na minha vida como se ela fosse controlada por algo maior do que eu. Acredito em pagar o preço, mas acredito que os lugares onde chegamos é onde nossos pés nos levaram, através de nossas escolhas.

Hoje eu me desapeguei do passado, dando espaço para coisas novas, um presente e, eventualmente, um futuro. Não digam "finalmente", não digam "até que enfim". Não digam porque dói, como já dizia Gwen Stefani. A mesma pergunta pode ter várias respostas diferentes, então nunca lhes darei uma resposta a uma pergunta tão importante do tipo "o que você quer agora?" ou "como é a vida perfeita pra você?" como sendo a única e definitiva. Hoje eu quero ser uma garota Fusca, a garota do Loft, das pontas dos cabelos coloridos, das tatuagens, dos quadros de Roy Lichtenstein, das Ball Chairs, do intercambio, do Canadá, de Nova York, da estrada, do mundo, de mim mesma, sozinha. E nesse exato momento eu só quero duas coisas: um show do Leonard Cohen e ser ninada pela voz de Tom Waits. 

14 de junho de 2012

Desabafo de Velha

Estou cansada de pessoas falsas. Prefiro aquelas que não gostam de mim e possuem a coragem de simplesmente me ignorarem quando passo por elas. Estou cansada de correr atrás, de viver atrás de fantasmas, de ser a única que sente saudades, esse bicho dá dos dois lados. Estou cansada de gente maluca, de gente chata, de gente complicada, de gente conservadora, de gente controladora. Que todos vocês vão para o quinto dos infernos!

Esse é o meu ano bom, meu ano Scott Pilgrim, no qual em breve eu sairei dos 23 e entrarei nos 24 anos e farei deste ano e desta idade os melhores da minha vida. O ano em que eu me encontrei, me desencontrei e estou me reencontrando, cada coisa em seu determinado aspecto. Um ano tão importante academicamente, no âmbito da amizade, de análises internas e externas. Um ano em que estou aprendendo que algumas pessoas simplesmente não se importam e que certas portas devem ser fechadas. 

Tudo bem, as vezes aquele demônio de vidas passadas vem me tentar, sussurrando na beira do ouvido, onde ir, o que fazer. Estou vacinada. Acho que aprendi o limite e aprendi que nem tudo o que quero fazer eu faço. Algumas coisas ainda parecem incompletas, mas a ansiedade de possuí-las vai passar. Sempre passa. Se não passar, aqui estou eu, pronta para cometer novos velhos erros. A vida é assim, feita de altos e baixos.

Aprendi a gostar de passar de um degrau para o outro. Não estou ficando velha, estou subindo de nível.  Um level 24 é muito mais forte que um level 16. A cada nível que eu subo mais coisas eu descubro, mais coisas eu aprendo, mais coisas sobre a vida, mais coisas sobre mim mesma. Apesar de amar essa sabedoria que vem com a idade, a tal comemoração me incomoda. Reúne-se os amigos e comemora-se o que? A vida? Isso eu comemoro todos os dias, a cada momento que faço o que gosto e estou com pessoas que eu amo.

Ficar velha - que drama! - me fez mais impaciente. Preciso fazer as coisas, mais coisas, mais rápido. É uma corrida contra o relógio! Mais filmes, mais livros, mais séries, mais pessoas, mais shows, mais risadas, mais amores, mais chocolate, mais praia, mais Lagoa, mais Lavradio, mais contos, curtas, romances, HQs. Me fez ver que certas coisas só me fazem perder meu tempo. Principalmente certas pessoas. Portanto, estou cortando alguns nomes da lista. Envelhecer nos faz ficar cansados de coisas que nos distraem de nossos objetivos, de coisas que foram, não são e, quem sabe, se voltarão a ser.

10 de junho de 2012

Sobre um relacionamento.

Eu estou em um relacionamento há quase um ano e meio. Eu amava meu objeto de afeição de todo meu coração. Esta é, na verdade, nossa segunda tentativa. Tivemos uma breve tentativa em 2008 que acabou não por falta de amor, mas por fatores externos que nos separaram. Eu sofri mas por algum tempo evitei pensar nisso. Mas músicas e lugares me lembravam aquele antigo amor. O visitei algumas vezes e via que, realmente, não tínhamos nascido para ficarmos juntos, pensávamos diferente víamos o mundo de maneira diferente. Ele sempre, meu amor, sempre tão conservador e eu tão free bird, sempre precisando da minha liberdade para voar por ai e de lutar pelo que eu acreditava.

Mas em 2010 a mesma coisa que me afastou dele fez com que nos aproximássemos novamente. Eu percebi ali que nunca o havia esquecido de verdade. Eu o amava verdadeiramente. Voltamos e eu estava verdadeiramente feliz. Suportando todas as dores, todos os problemas, todas as situações. Não precisou de muito tempo para que tudo se complicasse novamente, para que ficássemos distantes. Paramos de nos ver nos horários de sempre, seria apenas duas vezes durante a semana, e fui sendo colocada de lado para a entrada de coisas novas. Ele sempre gostou de novidades e principalmente as novidades que acrescentassem algo a ele. Sempre tão interesseiro. Seis meses de sofrimento, de humilhações. Seis meses sendo mulher de malandro.

No ano novo nos separamos, cada um foi para seu canto e eu tive um renascimento. Na tal viagem sabática de Itaipuaçu eu nasci de novo e passei a me perguntar se eu estava destinada mesmo a ficar com ele ou se tudo não passava de uma fase ruim. Cada dia que passava nos afastávamos mais e eu não via saudades por parte dele, apenas minha. Falta de quando eu era feliz e nós fazíamos parte de algo grande e lindo.

As lágrimas eram frequentes e os questionamentos rodavam meu coração todos os dias. Sempre que eu o via eu sentia meu coração aquecer e eu sabia que meus sentimentos continuavam iguais, mas ele continuava impassível e frio. Distante, como se só esperasse eu estender a toalha branca e me render.

Quando vale a pena continuar lutando e quando vale a pena desistir? E se essa for a última vez que eu ame e se eu nunca encontrar nada parecido? E se eu realmente não for boa o suficiente para ele? E se o problema está comigo? Se meus gostos, minha maneira de me vestir, de falar, de agir, minha falta de comprometimento é o que realmente atrapalha?

Quando amar deixa de ser o suficiente e a gente tem que assumir que acabou?

31 de maio de 2012

Sobre escrever.

Eu tenho escrito muito nesses últimos tempos. Tenho feito posts no blog, escrito cartas de cinco laudas, estou, inclusive, trabalhando em um conto nesses últimos dias. Rabisco palavras em qualquer lugar, basta vir qualquer coisas que eu sinta que eu precise colocar para fora. Acho que tenho me sentido em contato com a vida e com suas opções. Talvez fatores externos estejam me inspirando. Talvez essas mudanças loucas que eu sinto que estão acontecendo dentro de mim estejam sendo o pivô dessa mudança positiva.

Escrever sempre foi algo importante para mim. Desde que eu tinha quinze/dezesseis anos aproximadamente eu já tinha blogs toscos onde eu vomitava todas minhas depressões de adolescência (que eram muitas). Escrevia fanfics, historinhas, poemas mal-feitos que graças a Deus devem estar em decomposição em algum lugar. Mas tudo isso serviu para aumentar esse desejo. Queria ser jornalista. Foi o grande sonho de toda minha adolescência. Mais, queria ser uma crítica de rock, tal como Cameron Crowe. Uma crítica de cinema. Queria escrever sobre todas as coisas que eu amava. Mas a vida não é feita de coisas que amamos. A vontade de fazer jornalismo se foi quando eu percebi que queria ser muitas outras coisas e que eu não precisava de um diploma para escrever sobre as coisas que eu queria falar sobre.

Essa fome pelas palavras me atinge até hoje. Tenho alma de escritora, porém não a disciplina. Me distraio com extrema facilidade e, além disso, não consigo achar inspiração aqui. Olho ao meu redor e esse quarto parece sugar minha criatividade. Um escritor medíocre culpa seu plano de fundo. Tenho excentricidades ao escrever. Preciso que tudo ao meu redor esteja minimamente organizado (principalmente a minha mesa), a música depende com o que estou escrevendo e com o que estou sentido, as vezes sequer coloco música. Gosto de escrever no frio e quando está chovendo. Tenho preferencia por escrever a noite e se for de dia que seja com o dia nublado, por mais que, depois de muito tempo, eu tenha passado a apreciar os dias de sol. Gosto também de acender um incenso para refrescar o ambiente.

Escrever não é uma obrigação, é uma necessidade. Quando eu sinto algo tão forte eu preciso colocar para fora, mesmo que não publique. Quantos textos eu tenho nos rascunhos deste blog... Sem contar que, as vezes, eu quero apenas escrever para mim mesma. Coisas tão íntimas e pessoais que não quero compartilhar com nenhum outro ser humano.

Escrevo não porque vivo, mas pelo que quero viver. A vida é uma só e, por mais que a gente mude constantemente ao longo dela, não mudamos o suficiente. Acredito que uma vez postei aqui no blog uma citação que achei de um diário de Sylvia Plath na qual ela fala sobre escrever para poder viver outras vidas e eu me indentifiquei na hora. Quando você cria um outro personagem você pode ser uma outra pessoa, com outros credos, outros sentimentos, uma maneira completamente de observar a vida da sua própria. É como se você conseguisse ter muitas existências numa só vida.

Escrever está no meu top 10 de coisas favoritas no mundo. Talvez no top 5. É algo que relaxa, que me deixa feliz, que me completa. Eu sei que essa urgência que eu sinto as vezes é incompreendida pelas pessoas. O que tem de tão importante que essa menina precisa escrever a meia noite que ela não pode escrever amanha pela manhã? A ideia foge pelos dedos e a paixão, a adorável paixão, se esvai. Pode-se escrever sim pela manhã, mas aquilo que você tinha que falar ali, naquela hora, se perde. Um lado meu odeia edições, por isso evito ler o que escrevo. Outro lado sabe que é necessário, ainda mais se o que se está escrevendo é uma ficção.

Fuçando por essa imensidão cibernética achei uma lista de 30 Coisas Essenciais aparentemente escrita por Jack Kerouac (sempre duvido de citações na internet) que, mesmo que não tenham sido escritas por ele, são interessantes. "As indizíveis visões do indivíduo", "algo que você sente encontrará sua própria forma" e "seja apaixonado pela sua vida" me parecem boas "dicas" de um jovem escritor beatnik para toda uma geração que sente vontade de escrever por necessidade e não por vontade.

28 de maio de 2012

Sobre o não-escrever

Há coisas que não consigo falar sobre, ficam presas na garganta, nos dedos que não ousam pousar nas teclas. Meu grande medo é chegar no meu leito de morte igual ao protagonista do conto As Neves de Kilimanjaro do Hemingway que só conseguia pensar em todas as coisas sobre as quais ele sempre quis escrever mas se acomodou e acabou nunca falando sobre. Ao mesmo tempo, me acho extremamente repetitiva. Eu funciono bem na minha mente.

A verdade incomoda. Me incomoda. As ambiguidades me deixam louca. Eu amo e odeio estar aqui. Eu sei o que eu quero, mas ao mesmo tempo quero outras coisas também. Estou cansada de tentar. Estou cansada de me importar. "Abaixo meus olhos desejando poder chorar mais e me importar menos", mas é tão difícil para alguém como eu. Eu minto. Tento parecer descolada, mas não o sou. Não é tão difícil me conhecer, saber quem eu sou por debaixo da casca de super heroína. 

Tanta coisa a dizer, mas não digo. Escrever sobre mim mesma parece tão difícil. Talvez eu devesse escrever sobre outras pessoas, outras vidas. Talvez eu não devesse escrever de jeito nenhum.

Se perder também é caminho... mas estou cansada de rodar em círculos e terminar em lugar nenhum.

13 de maio de 2012

Sinceridade espontânea


Tenho tido uma dificuldade em me sentar aqui e escrever por diversos motivos, mas vou dar apenas o que tem ligação direta apenas comigo: tenho que falar em códigos. Tudo o que eu falo inclui a vida que eu vivo e, principalmente, as pessoas ao meu redor, por isso é tão difícil me expor nesse lugar. Recentemente arrumei uma espécie de diário onde eu posso escrever nomes. Nomes. Que alívio. Odeio reler coisas minhas e sequer lembrar do que estava falando, ter que procurar nos arquivos da minha memória com quem eu andava, o que eu fazia, para onde eu ia. Tão complicado! O diário é simples, além de me acompanhar para todos os lugares. Entretanto, não escrevo nele tanto quando desejaria. Tantas coisas que passaram e que não foram registradas. Tantas sensações, sentimentos, vontades, sonhos, pensamentos que vem e vão, junto com o vento que bate na janela, nas minhas idas e vindas do fundão.

Mas não estou no diário, não estou escrevendo uma carta, estou no blog. Não sei se quero simplesmente aproveitar a trilha sonora que me inspira a sentar aqui e falar algo ou se apenas estou tentando matar tempo. Talvez um pouco dos dois.

Complexo de Courtney Love. I want to be the girl with the most cake. Não não. Ela finge tão bem que está além do fingimento, já eu me entrego com meus olhares inocentes. Inocentes? Ingênuos talvez. Provavelmente tenho estado um pouco mais com complexo de Fiona Apple. Sempre fui tão na cara, talvez seja por isso que eu odeio coisas meio explicadas ou indiretas.

Me peguei escrevendo e reescrevendo uma carta. Tão difícil tem sido, talvez porque não faça sentido eu escreve-la. Primeiro porque ela não chegará ao destinatário e segundo porque tudo parece tão ridículo. Tento fazer uma recapitulação de tudo o que aconteceu... mas pra quê? Qual é o ponto? Me martirizar porque um dia na minha vida eu poderia ter tido algo que eu sempre quis e não pude ter porque estava me agarrando a algo passageiro? Erros. Infelizmente não sou Erica Strange e não tenho um Dr. Tom que pode me fazer voltar ao passado e fazer tudo diferente. Se eu pudesse, eu faria. Não sei o que aconteceria daquele ponto em diante mas este ai é um dos erros que estaria na minha lista. Mas está no passado. Tudo ficou para trás junto com a oportunidade. Não quero me prender ao que já foi e o que só Deus sabe se tem chance de ser. Estou cansada de correr atrás do vento. Eu achei graça quando um certo amigo me questionou quando eu disse que não era Penélope. Que Penélope moderna é essa que durante os momentos em que tece e destece o tapete vai se engraçar com outras pessoas? Não vou culpar o medo. A culpa é minha. Eu não fui Penélope e por isso não tenho o direito de dizer "eu sempre quis você". Onde ele em mim quando eu estava em outros braços?

Não sei se eu rio, se eu choro ou se eu mudo de trilha sonora. Comecei a escrever pensando em outra coisa, mas tudo vira Pedro. É, ele tem um nome. Que coisa. Ele se resume a cartas com frases riscadas, posts e músicas. Sempre na mente, mas tão distante. É uma ideologia, um amor fictício por alguém que eu sequer conheci bem o suficiente, cujo calor nunca me aqueceu. Como falar de amor quando eu "amei" tantos depois. Existiu Pedro e os que vieram no meio dele. Pausa para parar de ser masoquista. Voltar a ouvir 3x4. Pausa para tentar ser feliz. Voltar a ouvir Refrão de Bolero. Pausa. Morte. Meu coração funciona com a lógica Marvel, nada morre de verdade. Voltar a ouvir Dom Quixote, que sempre descreveu de maneira exata esse sentimento. "Muito prazer, ao seu dispor, se for por amor as causas perdidas". Por amor as causas perdidas e ao fim do medo de ser sincera como não se pode ser.