Ouvindo: Ani DiFranco
Devo admitir que senti falta da minha psicóloga. Larguei a terapia há alguns anos, mas ver séries sobre sessões sempre me deixa meio nostálgica. Como seria voltar a ter sessões? As vezes sinto que preciso apenas poder colocar meus pensamentos e frustrações em algum lugar e nenhum lugar por aqui me soa satisfatório. Acho que me fechei com o tempo e acho isso triste. Não que isso não seja uma coisa positiva por um lado, mas é uma negativa por outro, então ambas acabam se anulando e eu permaneço nesse estado onde falar sobre qualquer coisa que envolva o que eu estou realmente sentido é praticamente algo proibido. E falar sobre isso é quase como um SOS. Eu preciso falar sobre o que me machuca, sobre meus sonhos, pesadelos, o que passa na minha cabeça, mas sem esse medo de terminar pisoteada. É normal que uma menina de 22 anos seja tão desconfiada assim? Mas as pessoas são tão cruéis e tão críticas. Elas julgam constantemente sem sequer saber, conhecer de fato, o objeto de seus julgamentos. Talvez eu passe a impressão errada, mas quem se importa? Todos passamos a impressão errada. É absolutamente estúpido julgar um livro pela sua capa. Não digo que estou imune a isso, mas tento estar sempre aberta a qualquer tipo de ser humano e me sinto meio orgulhosa de mim mesma por ter essa vontade de mergulhar em pessoas tão diferentes de mim. A gente aprende com todo o tipo de gente. Porque nos negarmos isso?
Eu não tenho o que reclamar. Estou chegando a me perder em tantas perspectivas novas. O que antigamente era um grande vazio virou um mar de opções. Por onde começar? E como fazer para não viver de futuro, almejando coisas que não estão na sua hora certa? Tudo tem o seu momento. Dar um passo de cada vez é a melhor solução. Aprendi que não adianta correr atrás do seu destino. Se for este seu destino, ele vai esbarrar em você numa esquina, derrubando seu café. A questão é: isso não representa nada. São apenas pensamentos abstratos que fazem parte do muito de coisas consistentes que eu queria dizer mas não tenho coragem. É tão difícil ser sincera?
As vezes sonhamos constantemente com certas coisas e nos pegamos nos perguntando de manha se tomamos as decisões corretas. Se me concedessem a chance de voltar ao passado e corrigir alguns arrependimentos, certamente alguns estariam na minha lista pipocaram na minha cabeça esses dias. Mas ao mesmo tempo, a resposta de outras coisas também pipocaram. Esclarecimentos. Algumas coisas são feitas com data de validade. E fugir de seus problemas não leva a nada. O que devemos fazer é exatamente nada. Eu estou tão satisfeita com a maneira que eu tenho agido perante tudo isso. Acho que fazer algo me faria apenas evitar lidar com algo que é inevitável.
A verdadeira sabedoria está em saber lidar com a dor e com as pessoas. Não podemos mudar as pessoas ou o que sentimos, então apenas continuamos sentindo a dor até que ela se torne apenas uma lembrança. E quanto as pessoas, não podemos editar suas ações nem o que saem de suas bocas, mas tentamos aceitar que todos nós possuímos livre arbítrio e que temos o direito de pensar e falar o que quisermos, quando bem quisermos, de quem bem quisermos.
A caminhada continua, os erros estarão ai e a dor virá, inevitavelmente, junto com os comentários maldosos daqueles que não enxergam o quadro completo.
"Seja bom comigo, ou me trate mal, eu farei o melhor que puder, eu sou uma máquina extraordinária". Fiona Apple.
17 de abril de 2011
6 de abril de 2011
Pensamentos
Ao som de Beirut
Vocês já tiveram a sensação que há tanta coisa a ser dita e ao mesmo tempo tão pouco a se dizer? Muitas coisas acontecem no meu dia a dia, pensamentos, coisas dignas de serem colocadas num papel, num blog, em algum lugar, mas que quando eu pego uma caneta ou fico de frente a tela, me acanho e não digo nada do que tenho que dizer. Já perdi as contas também de quantas vezes abri esta página, escrevi 2, 5, 10, 15 linhas, e terminei deletando tudo e fechando a página do blog. Talvez o mundo não estivesse pronto para ouvir certas verdades, talvez eu não tivesse falando nada, talvez não tivesse sendo sincera, talvez não estivesse pronta para expor aquelas coisas ao mundo. Seja qual tenha sido o motivo, eu fechei todas aquelas minhas idéias, sentimentos e os joguei num mar de esquecimento.
Tenho pensado muito em escolhas e destino. Como certas coisas alteram nosso futuro, como ele teria sido se tivessemos trilhado outros caminhos, se teríamos chegado ao mesmo lugar no fim de tudo, talvez de maneira menos dolorosa, talvez mais, talvez mais rápido, talvez mais devagar. Não há como saber, mas não consigo deixar isso de lado. Como certas coisas acontecem e parecem providencia divina, mas na verdade não são. São apenas acontecimentos, apenas erros, apenas escolhas. Ou não. De repente por trás de tudo aquilo haja um bem maior, algo que um dia eu irei perceber, ou jamais me atentarei para isto. Mas a gente continua andando, pois é a única coisa que podemos fazer. Comecei a assistir esta série, Being Erica, que fala exatamente sobre isso, voltar para trás e reparar erros. Mas os erros não são reparados, algumas vezes você só os piora, outras vezes não importa o quanto você faça certo, as coisas dão erradas por si só, e quando você acerta lá, você continua fazendo suas escolhas aqui, agora, e você não sabe onde estas escolhas vão te guiar até você chegar neste lugar.
Continuamos andando e aprendendo com estes erros passados, torcendo para que não os cometamos novamente. Mas uma hora a gente aprende. Percebi o quanto um grande erro, que foi uma maravilha e depois foi um inferno me enriqueceu como pessoa. Certos erros tem seu lado bom. Aprendemos algumas lições e vamos leva-las adiante para que não percamos algo mais precioso. Se aquilo tudo não serviu para mais nada, ao menos para aprender isto serviu. E não sei se foi o tempo ou as oportunidades, mas hoje percebi que estou curada de uma doença. E dois erros foram devidamente enterrados, sem chance de me importunarem novamente, podendo eu assim seguir em frente.
Temos a escolha e essa molda nossas vidas para o bem e para o mal. E eu escolho dar um passo de cada vez, sem olhar para trás, esperando que as coisas venham ao seu tempo.
Vocês já tiveram a sensação que há tanta coisa a ser dita e ao mesmo tempo tão pouco a se dizer? Muitas coisas acontecem no meu dia a dia, pensamentos, coisas dignas de serem colocadas num papel, num blog, em algum lugar, mas que quando eu pego uma caneta ou fico de frente a tela, me acanho e não digo nada do que tenho que dizer. Já perdi as contas também de quantas vezes abri esta página, escrevi 2, 5, 10, 15 linhas, e terminei deletando tudo e fechando a página do blog. Talvez o mundo não estivesse pronto para ouvir certas verdades, talvez eu não tivesse falando nada, talvez não tivesse sendo sincera, talvez não estivesse pronta para expor aquelas coisas ao mundo. Seja qual tenha sido o motivo, eu fechei todas aquelas minhas idéias, sentimentos e os joguei num mar de esquecimento.
Tenho pensado muito em escolhas e destino. Como certas coisas alteram nosso futuro, como ele teria sido se tivessemos trilhado outros caminhos, se teríamos chegado ao mesmo lugar no fim de tudo, talvez de maneira menos dolorosa, talvez mais, talvez mais rápido, talvez mais devagar. Não há como saber, mas não consigo deixar isso de lado. Como certas coisas acontecem e parecem providencia divina, mas na verdade não são. São apenas acontecimentos, apenas erros, apenas escolhas. Ou não. De repente por trás de tudo aquilo haja um bem maior, algo que um dia eu irei perceber, ou jamais me atentarei para isto. Mas a gente continua andando, pois é a única coisa que podemos fazer. Comecei a assistir esta série, Being Erica, que fala exatamente sobre isso, voltar para trás e reparar erros. Mas os erros não são reparados, algumas vezes você só os piora, outras vezes não importa o quanto você faça certo, as coisas dão erradas por si só, e quando você acerta lá, você continua fazendo suas escolhas aqui, agora, e você não sabe onde estas escolhas vão te guiar até você chegar neste lugar.
Continuamos andando e aprendendo com estes erros passados, torcendo para que não os cometamos novamente. Mas uma hora a gente aprende. Percebi o quanto um grande erro, que foi uma maravilha e depois foi um inferno me enriqueceu como pessoa. Certos erros tem seu lado bom. Aprendemos algumas lições e vamos leva-las adiante para que não percamos algo mais precioso. Se aquilo tudo não serviu para mais nada, ao menos para aprender isto serviu. E não sei se foi o tempo ou as oportunidades, mas hoje percebi que estou curada de uma doença. E dois erros foram devidamente enterrados, sem chance de me importunarem novamente, podendo eu assim seguir em frente.
Temos a escolha e essa molda nossas vidas para o bem e para o mal. E eu escolho dar um passo de cada vez, sem olhar para trás, esperando que as coisas venham ao seu tempo.
16 de fevereiro de 2011
Vintage Effect
Ouvindo: Devendra Banhart
As coisas nunca estão cem por cento em nossas vida, sempre existem pendências, problemas a serem resolvidos, aquelas coisas que empurramos com a barriga e deixamos sempre para depois. Mas um dia eu fui capaz de aprender a não tão singela quanto eu pensava diferença entre estar feliz e ser feliz. A vida é bem simples, tal como um jogo de video game, assim que você o zera, você vai atrás de um novo jogo para zerar. Aqueles vestidos lindos que você tanto queria não parecem mais tão atraentes depois que saem da sacola e entram no seu armário. Eles se tornam algo que você possui e nós, seres humanos, por causa de nossa natureza megalomaníaca sempre queremos mais. Ser feliz é um estado além disso, além das conquistas que se tornam desmerecidas, assim como os problemas que continuam aparecendo ao longo do tempo. Ser feliz é um estado permanente. Nos estados passageiros se encontram ansiedade, euforia, raiva, tristeza, mágoa, entre outros (claro, para os evoluídos que não sentem a necessidade de permitir que uma mágoa por alguém dure vinte anos - mas essas pessoas seriam as que eu diria que estão no estado permanente de infelicidade, não se abrem ao perdão, ao brilho eterno de uma mente esquecida, a chance de redenção, mas não quero perder meu tempo falando desse tipo de gente).
Eu comecei esse texto de forma pretenciosamente poética por algum motivo, o qual não saberei explicar. Talvez seja efeito da trilha sonora, de tudo o que tenho passado, ou talvez seja o Efeito do Vintage Effect. Quando eu caminho pelas ruas do Grajaú, a frase "se você morasse aqui, você estaria em casa agora" costuma aparecer na minha mente constantemente. As ruazinhas, as casinhas, as árvores cheias de lindas flores coloridas. Eu caminho pela rua Itabaiana cedo, cedo demais para mim, e abro os portões deste lugar, ainda, silencioso. Mas passada uma meia hora, agendas para cá, sucos para lá, brinquedos espalhados no chão, Scooby Doo e Jimmy Neutron na televisão, pão, Nescau, café-com-leite para os que preferem. Mais tarde, mais crianças, correria, carrinho pra cá, carrinho para lá, folhas com desenhos, pequenos seres todos rabiscados de canetinha. Eu me sento, exausta, as vezes admirando perdida em outra galáxia a comoção que coisinhas tão pequenas conseguem fazer. Um puxa a corda daqui, o outro puxa de lá, estranhamento, cara de raiva, um se enrola na corda, enrolando o outro junto, fazendo este rir. Ambos começam a rir e a se enrolarem na corda e você só consegue rir também. Como é contagiante essa coisa estranha chamada criança. As vezes tenho a sensação de que irei acordar de madrugada após um pesadelo gritando "BRENO!", as vezes parece que meu corpo vai entrar em colapso, mas a recompensa vem e nos faz esquecer do como eles nos enlouquecem as vezes. Quando fecho os olhos só lembro dos sorrisos que eles são capazes de dar, ou das histórias que as vezes parecem tão insignificantes para as pessoas grandes, mas que eles contam com tanta empolgação que eu penso que vale a pena gastar um minuto para escutá-los.
No fim das contas eu perdi o fio do raciocínio inicial, como faço quando me empolgo demais com algo. O que é o Vintage Effect exatamente? É algo similar as fotos da Cherry Blossom Girl, sem as bolsas e sapatos Miu Miu, com aparência de antigas, em tons pasteis. Enquanto eu ouço Devendra Banhart, e penso nas ruas arborizadas do Grajaú e no som das risadas daquelas crianças, me sinto presa num Vintage Effect, onde tudo é tão lindo, simples como a grama, tão perfeitos como origamis. Vintage Effect representa sonhos lúdicos, sonhos lúcidos. Em suas cores pastéis e seus primeiros raios de sol, ele representa simplesmente a felicidade.
As coisas nunca estão cem por cento em nossas vida, sempre existem pendências, problemas a serem resolvidos, aquelas coisas que empurramos com a barriga e deixamos sempre para depois. Mas um dia eu fui capaz de aprender a não tão singela quanto eu pensava diferença entre estar feliz e ser feliz. A vida é bem simples, tal como um jogo de video game, assim que você o zera, você vai atrás de um novo jogo para zerar. Aqueles vestidos lindos que você tanto queria não parecem mais tão atraentes depois que saem da sacola e entram no seu armário. Eles se tornam algo que você possui e nós, seres humanos, por causa de nossa natureza megalomaníaca sempre queremos mais. Ser feliz é um estado além disso, além das conquistas que se tornam desmerecidas, assim como os problemas que continuam aparecendo ao longo do tempo. Ser feliz é um estado permanente. Nos estados passageiros se encontram ansiedade, euforia, raiva, tristeza, mágoa, entre outros (claro, para os evoluídos que não sentem a necessidade de permitir que uma mágoa por alguém dure vinte anos - mas essas pessoas seriam as que eu diria que estão no estado permanente de infelicidade, não se abrem ao perdão, ao brilho eterno de uma mente esquecida, a chance de redenção, mas não quero perder meu tempo falando desse tipo de gente).
Eu comecei esse texto de forma pretenciosamente poética por algum motivo, o qual não saberei explicar. Talvez seja efeito da trilha sonora, de tudo o que tenho passado, ou talvez seja o Efeito do Vintage Effect. Quando eu caminho pelas ruas do Grajaú, a frase "se você morasse aqui, você estaria em casa agora" costuma aparecer na minha mente constantemente. As ruazinhas, as casinhas, as árvores cheias de lindas flores coloridas. Eu caminho pela rua Itabaiana cedo, cedo demais para mim, e abro os portões deste lugar, ainda, silencioso. Mas passada uma meia hora, agendas para cá, sucos para lá, brinquedos espalhados no chão, Scooby Doo e Jimmy Neutron na televisão, pão, Nescau, café-com-leite para os que preferem. Mais tarde, mais crianças, correria, carrinho pra cá, carrinho para lá, folhas com desenhos, pequenos seres todos rabiscados de canetinha. Eu me sento, exausta, as vezes admirando perdida em outra galáxia a comoção que coisinhas tão pequenas conseguem fazer. Um puxa a corda daqui, o outro puxa de lá, estranhamento, cara de raiva, um se enrola na corda, enrolando o outro junto, fazendo este rir. Ambos começam a rir e a se enrolarem na corda e você só consegue rir também. Como é contagiante essa coisa estranha chamada criança. As vezes tenho a sensação de que irei acordar de madrugada após um pesadelo gritando "BRENO!", as vezes parece que meu corpo vai entrar em colapso, mas a recompensa vem e nos faz esquecer do como eles nos enlouquecem as vezes. Quando fecho os olhos só lembro dos sorrisos que eles são capazes de dar, ou das histórias que as vezes parecem tão insignificantes para as pessoas grandes, mas que eles contam com tanta empolgação que eu penso que vale a pena gastar um minuto para escutá-los.
No fim das contas eu perdi o fio do raciocínio inicial, como faço quando me empolgo demais com algo. O que é o Vintage Effect exatamente? É algo similar as fotos da Cherry Blossom Girl, sem as bolsas e sapatos Miu Miu, com aparência de antigas, em tons pasteis. Enquanto eu ouço Devendra Banhart, e penso nas ruas arborizadas do Grajaú e no som das risadas daquelas crianças, me sinto presa num Vintage Effect, onde tudo é tão lindo, simples como a grama, tão perfeitos como origamis. Vintage Effect representa sonhos lúdicos, sonhos lúcidos. Em suas cores pastéis e seus primeiros raios de sol, ele representa simplesmente a felicidade.
4 de fevereiro de 2011
O lado de lá da tela
Ouvindo: Momentum - Aimee Mann
"It's not a habit, it's cool, I feel alright
If you don't have it you're on the other side"
É assim que alguns de nós, por vezes, enxergamos nossas vidas virtuais. Não seria capaz de contar - e sequer teria coragem de fazê-lo - o número de vezes que dou um F5 no meu Facebook, ou quantas horas por dia sou capaz de ficar na frente dessa tela, ou quantas pessoas eu já stalkeei via Orkut, Facebook, Twitter, ou qualquer outro meio de comunicação virtual.
Assustador, é a única palavra que tenho para isso. A internet e o computador tem suas vantagens, mas também tem as devantagens, mas deveríamos ter previsto tudo isso quando começaram a trancar pessoas em condomínios de luxo, isolando as pessoas da convivência com o mundo lá fora. O mundo lá fora. Isso aqui não é o mundo, as amizades que mantenho aqui não são de verdade. Até são, não vou menosprezar pessoas que eu adoro que eu conheci por este meio, ou até mesmo me aproximei por aqui antes de um contato pessoal, mas a verdade é que muitas vezes a internet é um mundo a parte. Podemos nos expor, sem ter que mostrar o quão embaraçada estamos, ou sem ter que estar bebadas. Nem sempre o fazemos, já que ainda possuímos amor próprio. Mas temos a vantagem de sermos outras pessoas. Com um photoshop ajeitamos nossas imperfeições, diminuímos alguns números do nosso manequim, adicionamos gostos musicais os quais conhecemos apenas duas músicas, filmes que nos fariam parecer legais. Chegue perto, venha para o outro lado da tela.
A internet é também a maior destruídora de relacionamentos da vida real. Nos meus dedos não cabem quantas vezes eu já ouvi falar e já vi traições virtuais, flertes e declarações mal compreendidas pelo amado. Já vi DR (discussão de relação) por scrap. A que nível chegamos? As pessoas terminavam ao vivo, depois começaram a fazer isto pelo telefone, com muito choro e vozes embargadas, então por grandes e-mails cheios de palavras grandes gordas e esmagadoramente bonitas que expressavam raiva, decepção ou pena. Hoje termina-se por scrap, depoimento, msn... sms? Chegará o dia em que não haverão apenas palavras, você só verá seu namorado aos beijos com uma mocréia e você entenderá o recado.
Não deletei hoje meu Orkut e meu Twitter por isso e não pretendo sair do radar deletando todo o resto, me desconectando. Não se trata disso, mas de valorizar mais a vida fora dessas telas, ter discussões cara a cara e não através de um programa de mensagens instantâneas. Nós, seres humanos, merecemos mais do que isso. Eu mereço mais do que um depoimento com limite de 1000 e sei lá quantos caracteres. É possível medir em quantas letras uma pessoa é importante para você? Escreva-lhe uma carta de dezoito folhas, frente e verso. Não conte seu amigo seus problemas via msn, chame-o para chorar numa mesa de bar e depois cantar Mandy do Barry Manilow num karaokê, com uma coca cola nas mãos.
Chegará o dia em que as propagandas de banda larga na tv virão com a seguinte mensagem final "aprecie com moderação".
"It's not a habit, it's cool, I feel alright
If you don't have it you're on the other side"
É assim que alguns de nós, por vezes, enxergamos nossas vidas virtuais. Não seria capaz de contar - e sequer teria coragem de fazê-lo - o número de vezes que dou um F5 no meu Facebook, ou quantas horas por dia sou capaz de ficar na frente dessa tela, ou quantas pessoas eu já stalkeei via Orkut, Facebook, Twitter, ou qualquer outro meio de comunicação virtual.
Assustador, é a única palavra que tenho para isso. A internet e o computador tem suas vantagens, mas também tem as devantagens, mas deveríamos ter previsto tudo isso quando começaram a trancar pessoas em condomínios de luxo, isolando as pessoas da convivência com o mundo lá fora. O mundo lá fora. Isso aqui não é o mundo, as amizades que mantenho aqui não são de verdade. Até são, não vou menosprezar pessoas que eu adoro que eu conheci por este meio, ou até mesmo me aproximei por aqui antes de um contato pessoal, mas a verdade é que muitas vezes a internet é um mundo a parte. Podemos nos expor, sem ter que mostrar o quão embaraçada estamos, ou sem ter que estar bebadas. Nem sempre o fazemos, já que ainda possuímos amor próprio. Mas temos a vantagem de sermos outras pessoas. Com um photoshop ajeitamos nossas imperfeições, diminuímos alguns números do nosso manequim, adicionamos gostos musicais os quais conhecemos apenas duas músicas, filmes que nos fariam parecer legais. Chegue perto, venha para o outro lado da tela.
A internet é também a maior destruídora de relacionamentos da vida real. Nos meus dedos não cabem quantas vezes eu já ouvi falar e já vi traições virtuais, flertes e declarações mal compreendidas pelo amado. Já vi DR (discussão de relação) por scrap. A que nível chegamos? As pessoas terminavam ao vivo, depois começaram a fazer isto pelo telefone, com muito choro e vozes embargadas, então por grandes e-mails cheios de palavras grandes gordas e esmagadoramente bonitas que expressavam raiva, decepção ou pena. Hoje termina-se por scrap, depoimento, msn... sms? Chegará o dia em que não haverão apenas palavras, você só verá seu namorado aos beijos com uma mocréia e você entenderá o recado.
Não deletei hoje meu Orkut e meu Twitter por isso e não pretendo sair do radar deletando todo o resto, me desconectando. Não se trata disso, mas de valorizar mais a vida fora dessas telas, ter discussões cara a cara e não através de um programa de mensagens instantâneas. Nós, seres humanos, merecemos mais do que isso. Eu mereço mais do que um depoimento com limite de 1000 e sei lá quantos caracteres. É possível medir em quantas letras uma pessoa é importante para você? Escreva-lhe uma carta de dezoito folhas, frente e verso. Não conte seu amigo seus problemas via msn, chame-o para chorar numa mesa de bar e depois cantar Mandy do Barry Manilow num karaokê, com uma coca cola nas mãos.
Chegará o dia em que as propagandas de banda larga na tv virão com a seguinte mensagem final "aprecie com moderação".
3 de fevereiro de 2011
O desabafo do príncipe
Lá estava ela, semi deitada, querendo apenas relaxar o corpo, enquanto alguns seres se encontravam a sua volta, nos braços de Morfeu. Entre eles estava um pequeno príncipe (não O Pequeno Principe que caiu no deserto do Saara para aprender a cativar e a ser cativado) reclamando sobre o quanto sua vida era difícil.
"Ser criança é muito difícil" ele disse, com seu rosto emburrado, típico de quando não lhe concedem seus desejos "somos obrigados a fazer tudo. A dormir, a comer...".
Teve vontade de dizer a ele que seria assim pelo resto de sua vida. Ele seria obrigado a trabalhar para pagar suas contas, a engolir sapos, a lidar com pessoas desagradáveis, a fazer compras do mês, limpar cocô de neném e tantas outras coisas. Não disse a ele para aproveitar as simples obrigações de uma criança, que só são apreciadas por nós, pessoas grandes, depois que já crescemos. Só não falou mesmo por medo de desmotivar.
7 de janeiro de 2011
Sobre a verdade
Uma das coisas que mais me dão raiva é não poder ser eu mesma, quando alguém me diz que eu tenho que segurar o que eu penso, o que eu sinto. Eu sou uma pessoa espontânea, não consigo ser pela metade, não consigo manter todas essas palavras não ditas presas em minha garganta. Sou uma grande fã da sinceridade que fere, que faz com que cuspam na sua cara... prefiro isto a olhar para alguém e não poder ser verdadeira. É como se nossas vidas fossem montadas em cima de mentiras. Não falo sobre a deselegância de dizer que alguém está gorda ou que aquele corte de cabelo lhe caiu muito mal; acredito que podemos nos calar ao invés de soltarmos insultos gratuitos. Mas eu prego a verdade no que realmente importa. A vida seria muito melhor, eu seria uma pessoa muito mais leve, se fosse capaz de dizer tudo o que penso. Sejam coisas ruins ou coisas, teoricamente, boas. Como eu gostaria de poder dizer a uma paixão platônica o quanto gosto dele, ou enfim, qualquer coisa relacionada a ele, não porque o desejo para mim, mas simplesmente pelo desejo de colocar todas aquelas sensações para fora. Falar de verdade me faz falta. Poder ser sincera sobre sentimentos profundos e efêmeros.
Sempre invejei pessoas que falavam o que pensavam. Prefiro estas loucas francas aos sorrisos enganosos. Como se pode haver felicidade plena quando guardamos para nós tantas coisas? Coisas que não ousam sair da base dos pensamentos, do piso do coração, para se transformar em som... em texto. Me reverencio a pessoas que dizem as verdades mais difíceis de se falar, que dão a cara a tapa. Me sinto estranhamente obcecada por estas pessoas que tem este maravilhoso defeito de serem elas mesmas. O mundo precisa de mais pessoas assim. Sem medo, sem pudores, sem engôdo. Abertas, sinceras, expostas.
Citando Henry Thoreau "em vez de amor, dinheiro, fama, me dê a verdade".
Sempre invejei pessoas que falavam o que pensavam. Prefiro estas loucas francas aos sorrisos enganosos. Como se pode haver felicidade plena quando guardamos para nós tantas coisas? Coisas que não ousam sair da base dos pensamentos, do piso do coração, para se transformar em som... em texto. Me reverencio a pessoas que dizem as verdades mais difíceis de se falar, que dão a cara a tapa. Me sinto estranhamente obcecada por estas pessoas que tem este maravilhoso defeito de serem elas mesmas. O mundo precisa de mais pessoas assim. Sem medo, sem pudores, sem engôdo. Abertas, sinceras, expostas.
Citando Henry Thoreau "em vez de amor, dinheiro, fama, me dê a verdade".
9 de dezembro de 2010
A alegria das terças feiras - parte 2
Ouvindo: Hillsong United
Em agosto de 2009 eu escrevi sobre a saudades da camisa do Laranja Mecânica, meu velho mp3 que tocava Semáforo, enquanto eu caminhava tranquilamente pelas ruas do Grajaú. E lá naquele texto eu já havia dito o quanto insuperável é aquele trajeto para mim. Mas, eu me achava incapaz de voltar. Mas o filho pródigo retorna a casa.
Eu havia esquecido como eu era, como eram aquelas sensações, coisas que eu só era capaz de sentir quando pertencia a essa pequena comunidade, quando eu frequentava aquelas ruas, aqueles lugares. Não é só uma igreja, não é só um colégio. São lugares santos com pessoas que se esforçam para dar o melhor de si. Tudo faz a diferença. E eu sempre fiz parte daquilo. Quando eu não me permiti mais estar ali, eu me atrofiei, me impedi de ser tudo o que eu era, tudo mais que eu poderia ter sido. Tão diferente do alguém que eu sou hoje. Cada pessoa tem seu lugar, cada lugar se encaixa em cada personalidade. E ali, naquela pequena igreja, com aquelas crianças no púlpito ministrando o louvor, as mesmas que eu esnobei com minha arrogância na primeira vez que coloquei meus pés lá, achando que aquele lugar não era grande o suficiente para mim e não possuia um verdadeiro ministério de louvor, eu pude descobrir, com outros olhos, que ali era maior do que qualquer outro lugar que eu já tivesse pisado anteriormente. Ali eu tinha meu lugar, minha importância, minha contribuição. Ali eu subi pela primeira vez num púlpito para encarar uma igreja num domingo de manha, para pregar... uma palavra que eu não ouvi. Uma pregação para os jovens... que foi ignorada pelos meu coração, que se deixou seduzir pelo mundo.
Para algumas pessoas eu posso parecer louca. E eu devo ser mesmo. E eu sou mesma. Sou doida para mergulhar de cabeça mais uma vez, para sentir aquelas sensações, para ter a mesma sede, para trabalhar na obra, para ser, acima de qualquer outra coisa, uma pescadora de almas. E não há nada que me deixaria mais feliz nesse mundo, pois é pra isso que estou aqui. E hoje eu posso ver a felicidade. A verdadeira felicidade. E eu sinto a alegria das terças, das quintas, dos domingos... e de todos os outros dias da semana.
Em agosto de 2009 eu escrevi sobre a saudades da camisa do Laranja Mecânica, meu velho mp3 que tocava Semáforo, enquanto eu caminhava tranquilamente pelas ruas do Grajaú. E lá naquele texto eu já havia dito o quanto insuperável é aquele trajeto para mim. Mas, eu me achava incapaz de voltar. Mas o filho pródigo retorna a casa.
Eu havia esquecido como eu era, como eram aquelas sensações, coisas que eu só era capaz de sentir quando pertencia a essa pequena comunidade, quando eu frequentava aquelas ruas, aqueles lugares. Não é só uma igreja, não é só um colégio. São lugares santos com pessoas que se esforçam para dar o melhor de si. Tudo faz a diferença. E eu sempre fiz parte daquilo. Quando eu não me permiti mais estar ali, eu me atrofiei, me impedi de ser tudo o que eu era, tudo mais que eu poderia ter sido. Tão diferente do alguém que eu sou hoje. Cada pessoa tem seu lugar, cada lugar se encaixa em cada personalidade. E ali, naquela pequena igreja, com aquelas crianças no púlpito ministrando o louvor, as mesmas que eu esnobei com minha arrogância na primeira vez que coloquei meus pés lá, achando que aquele lugar não era grande o suficiente para mim e não possuia um verdadeiro ministério de louvor, eu pude descobrir, com outros olhos, que ali era maior do que qualquer outro lugar que eu já tivesse pisado anteriormente. Ali eu tinha meu lugar, minha importância, minha contribuição. Ali eu subi pela primeira vez num púlpito para encarar uma igreja num domingo de manha, para pregar... uma palavra que eu não ouvi. Uma pregação para os jovens... que foi ignorada pelos meu coração, que se deixou seduzir pelo mundo.
Para algumas pessoas eu posso parecer louca. E eu devo ser mesmo. E eu sou mesma. Sou doida para mergulhar de cabeça mais uma vez, para sentir aquelas sensações, para ter a mesma sede, para trabalhar na obra, para ser, acima de qualquer outra coisa, uma pescadora de almas. E não há nada que me deixaria mais feliz nesse mundo, pois é pra isso que estou aqui. E hoje eu posso ver a felicidade. A verdadeira felicidade. E eu sinto a alegria das terças, das quintas, dos domingos... e de todos os outros dias da semana.
6 de novembro de 2010
Sobre a gelada chuva de novembro
De volta a 2004, onde eu passava madrugadas inteiras no computador, colocando meu coração em blogs, sendo tão explicita como eu jamais poderei voltar a ser, inocencia de criança, que achava que a melhor maneira de lidar com os problemas é exorcizando os demonios, olhando pela janela e vendo a chuva que caia ao som de November Rain. Hoje seis anos se passaram. Estou mais velha, mas não necessáriamente mais sábia. Provavelmente devo estar sim mais sábia, acho que aprendi com muitos erros passados, mas algumas coisas não mudam nunca, como a inspiração de um mês de novembro, que sempre traz um coração partido e a chuva, que vem pra limpar a alma e preparar terreno para as próximas coisas que vem vindo. O arco íris.
Eu amo fim de ano, começando justamente nesse mes, que sempre me parece nublado e preto e branco, mesmo quando estou embaixo de um sol, molhando os pés no mar. Dezembro me remete a minha infância, a arvore, trocas de presentes, jantares na casa do meu tio no dia 24 e almoços no dia 25 aqui em casa. Fim de ano, lista de coisas a fazer, coisas que passam despercebidas após janeiro. E o ano se repete, e chegamos novamente a novembro, passando por todas as outras coisas que vem antes disso.
Com um coração sentimental me ponho a fazer o que eu sempre faço. Escrevo incessantemente sobre os fantasmas e as musas que me trazem insonia. Espero não meter os pés pelas mãos e aprender a não agir com o coração. Aguardo não tão pacientemente que uma onda invada a areia e apague o nome que escrevi com tanto afinco e capricho, para um novo recomeço. Porque nada dura para sempre, nem mesmo a chuva de novembro.
Eu amo fim de ano, começando justamente nesse mes, que sempre me parece nublado e preto e branco, mesmo quando estou embaixo de um sol, molhando os pés no mar. Dezembro me remete a minha infância, a arvore, trocas de presentes, jantares na casa do meu tio no dia 24 e almoços no dia 25 aqui em casa. Fim de ano, lista de coisas a fazer, coisas que passam despercebidas após janeiro. E o ano se repete, e chegamos novamente a novembro, passando por todas as outras coisas que vem antes disso.
Com um coração sentimental me ponho a fazer o que eu sempre faço. Escrevo incessantemente sobre os fantasmas e as musas que me trazem insonia. Espero não meter os pés pelas mãos e aprender a não agir com o coração. Aguardo não tão pacientemente que uma onda invada a areia e apague o nome que escrevi com tanto afinco e capricho, para um novo recomeço. Porque nada dura para sempre, nem mesmo a chuva de novembro.
25 de outubro de 2010
Tentando evoluir
Ouvindo: Ani Difranco
Entra ano, passa ano. Coisa em cima de coisa. Erros, quedas, acertos, novas músicas, novos amores e Ani DiFranco sempre continua presente. Independente dos motivos iniciais da entrada dela em minha vida, eu consigo encaixa-la em quase qualquer momento de minha vida. E mesmo que uma hora suas músicas não me digam o que fazer, ao menos ela me ajuda a me acalmar. De tempos em tempos esqueço suas músicas, deixo-a pegando poeira na minha pasta para quando realmente preciso de ajuda ir atrás dela para que me dê algum apoio. Apoio tal que surge numa frase, numa música inteira ou na sua maneira de tocar o violão.
O engraçado é que foi só abrir minha pasta e jogar suas músicas para o Media Player que eu achei uma música sobre a qual eu poderia falar agora, cujo assunto está ainda bem quente, mas que não vale a pena expor dessa maneira. Não vale a pena mais causar dor a alguém que me foi muito bom mesmo que hoje essa pessoa não queira mais falar comigo, olhar na minha cara e me odeie, mesmo tendo prometido que nada que eu pudesse vir a falar a ele o faria me odiar. Me doi magoá-lo.
Ele acha que tudo o que ele disse entrou por um ouvido e saiu por outro, que eu ignorei tudo o que ele me disse. Mas isso é mentira. Eu tenho um defeito. Admitir que as pessoas estão certas sobre mim... só que apenas em voz alta. Dentro de mim, tudo funciona, analisa e examina aquelas afirmativas para achar algum sentido que no fim de tudo existe. Ele estava certo. Não sobre tudo, como eu tentei explicar mas ele se recusou em acreditar, mas ao menos em parte. Não ao que se referia a ele, mas ao que se referia a mim. Ele estava certo sobre como eu funciono e sobre o que eu deveria mudar em mim.
De certa forma isso me lembrou Comer, Rezar, Amar, que de alguma forma muito brega teve um impacto muito forte na minha vida. Eu estava perdida. E não é que eu precide comer na Itália, rezar na Índia e ir pra Bali encontrar um brasileiro para chamar de meu, mas cada um tem seu próprio comer, rezar, amar. Cada pessoa tem suas próprias descobertas pessoais que precisam ser feitas. Liz, a personagem do filme, estava insatisfeita, se sentindo morta, procurando significado. Eu estou em busca de evolução.
Evolução é algo relativo e pessoal. Eu sei os pontos que preciso evoluir, o que preciso melhorar em mim mesma, o que preciso buscar. Eu sei o que preciso e o que não preciso e, principalmente, eu sei o que eu sinto. Eu compreendo que certas coisas na minha vida aconteceram por algu motivo, motivos esses que eu ainda não descobri. Eu sei que algumas coisas que eu quero vão demorar. Algumas, se acontecerem, demorarão anos, e em relação a outras estou disposta a esperar o tempo necessário, o tempo que meu corpo suportar, até a areia terminar de cair na ampulheta. Eu achava que eu estava numa greve, mas percebi que minha greve começa agora.
Não me arrependo de ter dito aquelas palavras, foi a única coisa justa a se fazer. Espero que me perdoe um dia e que possamos ser bons amigos. Não sei o que esperar de um escorpiano furioso. Mas como uma geminiana, já estava na hora de me reinventar. Queimar para ressurgir de novo. Espero aprender as coisas que sempre tive preguiça de aprender, espero continuar tendo a coragem que demonstrei, espero voltar a aprimorar meu dom de ouvir, e aprender a me calar um pouco. Espero voltar a ser sincera, a colocar todos os sentimentos no papel. Pretendo me dedicar novamente a Igreja, a instituição e a palavra, me jogar nos ensinamentos religiosos, buscar um eu melhor do que o eu de hoje.
Preciso aprender a me separar das pessoas para aprender a lidar comigo mesma. Estar sozinha para aprender como estar junto. Mas isso não significa uma separação do mundo me isolando na minha torre de conformismo. Não que umas mudanças e umas viagens não me fariam bem. Mas, até então, minhas mudanças serão mais de dentro para fora do que de fora para dentro, apesar de algumas mudanças desse tipo estejam no meu roteiro de autodescoberta, exploração do mundo e levar as coisas mundanas e efêmeras menos a sério.
12 de outubro de 2010
Mimimi.
Ouvindo: She And Him
Falar sobre amor é clichê. Não querer falar sobre amor, como foi dito em Apenas o Fim também é clichê. Amor é algo tão extenso, tão cheio de silhuetas, que é complicado falar sobre ele sem deixar tantos detalhes de fora. Mas não estou aqui para decifrar o amor, ou falar de toda sua complexa simplicidade. Só estou precisando sentar na mesa do bar e abrir meu coração para o atencioso garçom, no estilo Reginaldo Rossi.
Quando eu era mais nova eu me apaixonava fácil, ou pelo menos pensava assim. Quando se é imatura é fácil confundir certos sentimentos. Eu sonhava acordada e escrevia no meu caderno o nome de qualquer menino que fizesse meu coração bater mais forte. Alguns anos depois eu percebi - com algumas excessões - que não bastava ele fazer meu coração disparar, mas precisavamos ter os mesmos gostos. Como eu poderia estar com alguém que não gostasse das mesmas músicas, dos mesmos filmes, mesmos tipos de lugares? Jamais fariamos nada juntos! Mas hoje, alguns meses depois de ter feito vinte e dois anos eu vejo um pouco mais a fundo, apesar de não tão fundo de como verei daqui há alguns anos. Não basta ele te fazer sorrir como uma idiota e compartilhar os seus gostos mais bizarros, mas você tem que olhar para frente e ver as mesmas coisas.
Uma amiga minha me disse certa vez que cada um tem suas prioridades na vida. Ela se comparou com sua irmã, que sempre planejou se casar e todos seus planos giraram em torno disso, diferente dos dela, que tem tantos sonhos e planos que, a principio, pretende realizar antes de juntar as escovas de dentes. Eu sempre gostei de parecer independente, principalmente depois que passei a morar sozinha. Eu tinha liberdade! Ouvir musicas nas alturas, esquecer um casaco em cima do sofá por uma semana, dormir a hora que eu quisesse, acordar a qualquer hora, não ter que lidar com as manias e defeitos de alguém todo dia. Mas no fim das contas é eu morro de medo de baratas, e preciso de alguém para matá-las. (Obs: olhando ao redor para ver se acho alguma)
A grande verdade que eu demorei pra admitir é que eu sou uma dessas garotas, que chora assistindo O Casamento do Meu Melhor Amigo e já viu diversos romances baratos escondida, vendo fotos de vestidos de noiva na internet, sonhando com o casamento dos sonhos e em que bairro gostaria de morar e qual nome daria para os filhos. Eu sou mimimi. O que importa não é conseguir um anel ou mudar o relacionamento no Orkut ou no Facebook. Acho triste casar para não ficar sozinha. Mas a questão é achar alguém pra estar do seu lado, compartilhando a vida dele, os problemas, os traumas, durante setenta anos, até que um de vocês se vá. E o outro vá logo em seguida.
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