22 de março de 2012

Pensamentos abstratos (oh me, oh life)

O último post que eu escrevi foi misteriosamente deletado. Quer dizer, nem chegou a ter chance. Foi escrito num momento de fraqueza, de mimimice, e foi como se o universo dissesse para eu parar com essa palhaçada de reclamar como uma menininha e ir a luta. Or so I thought.

Pra dizer a verdade, há muita coisa a se dizer... mas muitas dessas coisas são aquelas que não devem ser expostas. Quer dizer, até devem, em seu momento e lugar certo, o que não é aqui nem agora. Não vou ficar falando sobre projetos e sonhos e como estou feliz. Não. Falar sobre felicidade no "papel" me cansa. Sempre disse por ai que não gosto de escritas felizes. Quer dizer, até gosto. As vezes. Não agora.

Estava num daqueles dias que pareciam não ter fim, perdida em folhas da faculdade, F5 no facebook, esperando alguma coisa. Alguém? É, pode ser. Também. Esperando uma música, a chuva. A hora de dormir. Pensando sobre quem eu sou, sobre o que quero ser. Sobre mudanças. Mudar as vezes é bom. Se abrir as críticas e se permitir mudar. Mas é tão difícil. Abri o youtube e coloquei a carta de Hank para Karen no episódio In Utero de Californication. Eu amo aquela carta. Eu e Hank Moody somos opostos. Não há nada com que eu me identifique no personagem... a não ser esta carta. Agora. Pela primeira vez eu ouvi a carta como se fosse escrita por mim e não para mim.

Eu tenho essa coisa dentro de mim, que é meio contra tudo o que eu quero. Mas é algo que urge, que me sufoca, e que por muitas vezes não quer se prender. É estranho. Não vou ficar falando sobre meus traumas e problemas - eles são chatos e ninguém quer saber deles - mas a verdade é que eu sou medrosa. E ser medrosa me leva muitas vezes a certos delírios. As vezes me imagino entrando num bar e bebendo até ficar zonza, fumando um cigarro, falando pseudo-intelectualidades com uma pessoa qualquer. As vezes imagino como seria mais feliz se eu fosse menos apegada a tudo. E de certa forma um lado meu é, apenas não consegue colocar em prática. Fica tudo preso na minha cabeça, aprisionado, como a Kyuubi. Meu grande dilema é soltar a Kyuubi ou apenas seguir o meu jeito ninja. Porque eu sempre comparo as coisas com Naruto? Vai entender...

A questão é: eu não tenho feito sentido. Eu sei, leitores fantasmas. Vocês não devem entender. Talvez alguém ai no meio arrisque palpites e provavelmente até acertem. Eu sou tão previsível e simples de ser lida, como pseudo literatura barata. Acho que no fim estou lutando contra mim mesma, contra essa minha dualidade. Tentando achar o equilíbrio no que eu sou, no que eu gostaria de ser, no que eu posso ser. Acho que não aprendi a delimitar isso. Mas, será isso delimitável? Essa palavra sequer existe? Vocês entederam, pelo menos. Ou não. Não importa muito, na verdade.

Quanto mais eu tento entender, menos eu entendo. Quanto mais eu questiono, mais perguntas. Quanto mais eu tento entender o que é literatura, o conceito se torna mais abstrato. Mas eu amo Teoria Literária, ah, sim, eu amo. E isso tem me bastado ultimamente. Ou não. A gente esconde as cartas e sorri e finge que entende. Quando não entendemos. E nem queremos entender.

7 de março de 2012

O Sentido (ou a falta dele)

O sentido (ou a falta dele) vem acompanhando minhas últimas semanas. Talvez eu possa (e deva) estender esse sentido para a viagem de fim de ano. Desde lá, parece que tudo começou a se encaixar de uma maneira que eu não esperava. Eu levei projetos para frente, talvez não com tanto afinco, mas tudo se começa com baby steps. Eu tive a oportunidade de começar o curso de Letras na UFRJ e de me olhar no reflexo de um ponto de ônibus e perceber, no segundo dia de aula, que eu nasci para aquilo. E que tudo acontece em seu determinado tempo. Eu quis ser advogada, jornalista, diplomata. E aqui estou eu, encantada por falar em inglês em sala de aula. Quem me conhece por tempo suficiente sabe que minha paixão pelo idioma é muito grande e existe há uns 10 anos (desde o primeiro cd de Britney Spears, ouso dizer).

A questão é: porque agora? Eu não sei. Mas sei que agora era o momento certo. Talvez com 17 anos eu não teria essa maturidade, talvez eu tivesse que passar por outras coisas. Mas percebi recentemente algo em mim que eu jamais pensei que um dia eu poderia possuir: foco. Sim, foco. Acho que finalmente eu sei o que eu quero. Claro, coisas novas aparecem todos os dias, mas eu finalmente estou entendendo minhas motivações (e a mim mesma). Sim, eu ouso sonhar com futuros distantes, mas ao invés de apenas idealizar futuros perfeitos, eu estou conseguindo enxergar o hoje, que sempre foi tão difícil para mim, e apostar nele. Eu ainda suspiro pelos cantos e penso como eu adoraria estar indo para o Canadá, mas eu sei que esse momento não será agora e eu entendo que eu tenho que aguardar esse tão esperado dia. Assim como todos os delírios de carreira e sonhos que não ouso jogar em palavras, mas que estão sendo construídos aos poucos dentro de mim.

Eu estou feliz. Eu chorei, sofri, me decepcionei, mas olhei adiante. Não é isso que importa? Lembro bem de quando eu dava uma topada com uma pedra no caminho eu esperava morrer pela primeira vez nessa década, como Lady Lazarous, para ressurgir das cinzas. Eu aprendi que a vida não é um poema de Sylvia Plath, não há necessidade de ser tão dramática. Eu estou feliz porque entendi que essas coisas acontecem, mas que elas não devem ditar a nossa jornada.

Estou me permitindo, me lançando, correndo riscos de cair, de terminar aos pedaços e de coração partido. Mas que graça tem a vida de ficarmos sempre com os pés no chão? Metade de mim é céu e metade de mim é terra, como já dizia meu querido Tom Petty. Quero voar sem ajuda de balões e mergulhar em águas profundas. Sinto que há tanta coisa para mim ai que basta eu não tentar abraçar o mundo com as pernas para conseguir chegar nesses lugares em determinado momento.

Hoje eu não tenho complexo de Erica, de Claire, de Celine nem de Boltie. Apesar de sempre ter dentro de mim um pouco de todas elas. Aprendi a aceitar o que é, o que não é e o que não precisa ser. Quebrar conceitos e barreiras. A única coisa que ainda não aprendi é a ler as entrelinhas e o que é meio dito, o que é deixado subentendido ainda me faz querer arrancar meus cabelos em ansiedade.

E o sentido? Bem, este é relativo. Talvez não faça para você, mas essa sensação de paz interior faz todas essas coisas que eu falei serem significativas o suficiente para serem expostas aqui.

14 de fevereiro de 2012

Expectativas

Gotta feeling 2012 is gonna be a good year...

A vida é assim, minha gente. Algumas portas se fecham, outras se abrem. Umas pessoas se vão, outras chegam. As vezes a gente aprende, as vezes a gente erra tudo exatamente igual. Ouvimos coisas novas, mudamos de estação favorita, crescemos, amadurecemos. O sol é meu melhor amigo, o vento refrescante do verão, que leva meus cabelos de um lado para o outro, enquanto eu vejo o Rio de Janeiro através dos óculos escuros, ao som de Los Hermanos. E não há outra banda que tenha tanto a ver com esse momento que estou vivendo. It's good to take these chances.

Algumas coisas em mim precisam passar por uma reciclagem, é claro. Aprender a não viver presa na ficção, mas deixar a realidade acontecer. Deixar acontecer. Sorrir, rodopiar quando sentir vontade, cantarolar canções de um verão com efeito vintage, com um arzinho folk, que faz sentir sono a tarde, depois do almoço, mas que ao mesmo tempo nos faz querer viver. Escrever. Sonhar. Nos permitir. Sem forçar as coisas, sem pressa. Esperamos tanto tempo, porque não esperar um pouco mais? Ouvir um pouco mais a voz de Deus. Agradecer Deus a todo momento. Quando se levanta e quando se deita.

Estudar. É, estudar. Vocês acreditam? Nem eu. Segurar as lágrimas é coisa para fracos. Chorem. De tristeza e de alegria. Estejam com os amigos. Os melhores. Dê prioridades aos que te puxam a orelha e depois te deem um abraço apertado. Esses que te amam de verdade, sabe. Descansem. Se guardem para quando o Carnaval chegar. Estarei escrevendo, pintando, lendo, assistindo Woody Allen, sonhando, me desfazendo das velhas mágoas, abrindo meu coração. Estarei sentada no píer da Lagoa Rodrigo de Freitas. Estarei, enfim, feliz.

12 de fevereiro de 2012

Canções do passado e a negação

Estava caminhando pela rua quando meu celular/mp3 player parou numa faixa. Aquela música me era tão familiar. Lembro-me de passar dias ouvindo-a, pensando num certo alguém. Ouvi a canção... e não senti nada. Zero. Como se aquela canção nunca tivesse sido minha. Pensei em "Se" e me lembrei de como até hoje um sorriso brota em meu rosto e como meu coração bate um pouco mais devagar, numa doce nostalgia, sempre que a ouço. Tudo bem, essa segunda canção era o hino do meu amor mais creep, mas que mesmo sendo estranho e sem sentido, era verdadeiro. Talvez não fosse amor. Tá bem, não era. Mas era algo. Algo suficientemente real para que até hoje aquela melodia ainda surta algum efeito em mim.

Ouvi Keep Fishin' e sorri. Não tem nada a ver. Não significa nada. Ou significa. Pelo menos não tem nada a ver com ele. Ele? Ele. Quem é ele? Provavelmente uma idealização que não possui forma humana de algo que eu gostaria que existisse. Tipo tipo The One. Não uma idealização pastelona de alguém que existe, mas que você não aceita como é, mas prefere criar uma versão de superiormente interessante. Sim, tipo tipo Charlie Brown. Não é um codinome muito criativo, eu sei.

Algumas coisas não fazem sentido - e nem tem que fazer - temos apenas que aceitá-las e respeitá-las. Mesmo sendo efêmeras. Cantei a música da Meg e sorri. Eu tenho sorrido muito. Ando sem fome também. Isso também não significa nada. Tá bem, é mentira. Não acreditem em tudo o que eu digo; por trás dessa pose de durona moderninha existe uma ultra romântica sonhadora que sofre de um enorme complexo de Mãe.

1 de fevereiro de 2012

Devaneios

Hoje eu estava quase corajosa. Por infinitos segundos delirei sobre virar a esquina, tocar sua campainha e esperar o resultado. Talvez em em uns dez segundos, como aqueles sonhos enorme que temos de três minutos, eu tenha sonhado que o amava com todo meu coração - e que ele me amava - e que casaríamos e teríamos quatro filhos. Eu tinha um pressentimento que hoje seria o dia. Olhei para todos os lados, para todos os rostos, atravessei de uma calçada para a outra. Diminuí o passo, pensei em ir em direção a nossa futura casa, mas respirei fundo e segui reto na avenida principal.

27 de janeiro de 2012

Just a rat in a cage.

As vezes eu volto ao passado. Tipo hoje, durante um cochilo que foi um mero fechar de olhos. Embriagada de cansaço, as 19 horas, eu me dei conta que estava frio, que era sexta e que eu estava atrasada. O que eu estava fazendo em casa numa sexta feira a noite? Me perdi no tempo. Com direito a cheiros e sensações há tanto tempo esquecidas. Isso tem sido uma constante essa semana.

Essa semana eu tenho 16 anos, ao que me parece. Como estou fora da realidade. Como tem sido difícil me adequar a realidade. 2004 foi um ano difícil, 2005 foi mais ainda e foi decisivo. Mudou tudo. Me formou, me criou, me moldou. Com todos meus erros e acertos.

Um incenso teve que ser aceso, e interromper minha linha de raciocínio que não é boa desde essa época. As pessoas bem sabem... Ou não. Incenso aceso, Garbage e Smashing Pumpkins. Virar madrugadas, sair como um zumbi, maquiada, de preto, as 8 da manha para me manter acordada. Eu odeio aquele meu eu. Ele está lá trás, no meu passado, mas me assombra. Algumas pessoas não gostam de ouvir músicas que as fazem se lembrar de outras pessoas, pois bem, o quão estranho é ser seu próprio fantasma? As piores canções são as que me remetem a aquela época onde eu era feliz com a minha infelicidade.

As vezes eu reclamo demais. Mas a verdade é que tudo me decepciona. As pessoas me fazem perder a fé na humanidade. O amor ao próximo. A vontade que dá as vezes é chutar o balde, sumir. Ir para o Canadá e nunca mais voltar. Estou cansada. Cansada das decepções, de conhecer as pessoas tão bem que elas me dão ânsia de vômito. São sempre as que eu gosto... e elas sempre machucam as que eu amo.

Ter 16 anos era mais fácil. Eu tinha tudo nas mãos. As lágrimas caiam sem sentirem vergonha, eu era mais pura, mais amável. Muito mais sincera. Pelo menos comigo mesma. Parece que aprendi a camuflar meus sentimentos, até para mim mesma. Sofrer dói, mas mostrar isso para o mundo é o que mais incomoda. Eu me lembro, como se fosse ontem - será que não era? Sem preocupações, sem contas para pagar, sem trabalho, sem responsabilidades. Não me incomodo em pagar contas, mas era tão melhor quando eu vivia num castelo de gelo. É engraçado como eu sinto falta de ser infeliz... Mas no meio de toda aquela infelicidade havia algo, uma coisa que é essencial e que há muito tempo eu não sei o que é possuir... liberdade.

Eu amava, odiava, chorava, gritava.. era tudo tão limpo, tão na cara. Escrachada. Não vivia de fachada, com um sorriso falso para aqueles que na verdade eu gostaria de estrangular. Dissimulados... me fazem ser um deles. Minhas cicatrizes eram externas. Eu odeio esconder do mundo. Me esconder. "When will my reflection show who I am inside?". Não nasci para essas convenções sociais babacas. Odeio me esconder atrás de mascaras, que camuflam minha essência. Pensam que me conhecem? Pensem de novo. Eu poderia surpreende-los com meu passado, com meu presente, com meus pensamentos sombrios, com o que eu vejo toda vez que olho para você.

Eu escrevia. Escrevia de verdade, não tinha medo de pôr em palavras. Agora, eu sempre me podo. Raspe o cavanhaque, arranque as tatuagens. Quem é você? Quem é você, de verdade? Não seria melhor se pudéssemos ser nós mesmos?

21 de janeiro de 2012

I'm erasing you...

Já comecei o post apagando o que comecei escrevendo... me perdoem se eu chorar escrevendo ao som de Preciso Dizer Que Te Amo, mas a música fazia parte do contexto da playlist. Eu sei que vocês não vão saber se eu estou chorando ou não, mas eu só quis mostrar o nível da mimimice.

Mas hoje não estou aqui para ser mimimi. Não. Hoje eu estou aqui para matar. É, Valpaços way of life to deal with relationships. Hoje eu estou matando todo mundo. Mentira. Só o que precisa morrer. Preciso me reinventar, renascer, dar reboot.

Eu sou muito apegada. Muito. Mas hoje eu vou acender minha fogueira e queimar. Mentira, vou apenas rasgar aquilo que eu guardo com muito carinho há mais de um ano, que roda, roda e sempre termina em cima da minha mesa. A carta. Você, é você mesmo, você pode não saber que carta é essa... mas se você sabe, você entende. Se você não sabe, eu não vou explicar. Bom, pelo menos eu não vou dizer a quem era direcionada. Era uma carta que expressava meus sentimentos, minhas intenções. Era sincera, simples de coração. Era eu, derramando meu coração aos pés dele. Suspiro. Seco lágrimas. Can't believe I'm crying already.

Eu não tinha esperanças. De certa forma eu não tinha antes e tenho muito menos agora. Valeria muito menos a pena ter hoje, que não gosto mais dele como outrora, mas que ainda sinto meu coração cantarolando "I wanna hold your hand" sempre que o vejo. É meio assim. Vem Beatles no coração, sorriso babaca nos lábios e uma incontrolável vontade de sair dançando rodopiando por ai. Era sincero. Era de verdade. Era... masoquista. É masoquista. Vocês não sabem o que eu estou ouvindo agora. Cantar a música da outra não é legal. E eu canto, out loud, o nome dela. Eu escrevi um conto ruim sobre ela. E ele. E nós, que nunca existiu e nunca vai existir. Hoje você vai morrer.

O amor as causas perdidas tem data de validade. Você nunca vai ser mais um. E nesse instante eu tenho plena consciência de que eu realmente gostei tanto de você que partir meu coração em quatro é duro demais. Mas tem que ser feito. "Somos quem podemos ser, sonhos que podemos ter".

"Change is hard, I should know..."

Bang, bang, you're dead.

17 de abril de 2011

Aprendizados

Ouvindo: Ani DiFranco




Devo admitir que senti falta da minha psicóloga. Larguei a terapia há alguns anos, mas ver séries sobre sessões sempre me deixa meio nostálgica. Como seria voltar a ter sessões? As vezes sinto que preciso apenas poder colocar meus pensamentos e frustrações em algum lugar e nenhum lugar por aqui me soa satisfatório. Acho que me fechei com o tempo e acho isso triste. Não que isso não seja uma coisa positiva por um lado, mas é uma negativa por outro, então ambas acabam se anulando e eu permaneço nesse estado onde falar sobre qualquer coisa que envolva o que eu estou realmente sentido é praticamente algo proibido. E falar sobre isso é quase como um SOS. Eu preciso falar sobre o que me machuca, sobre meus sonhos, pesadelos, o que passa na minha cabeça, mas sem esse medo de terminar pisoteada. É normal que uma menina de 22 anos seja tão desconfiada assim? Mas as pessoas são tão cruéis e tão críticas. Elas julgam constantemente sem sequer saber, conhecer de fato, o objeto de seus julgamentos. Talvez eu passe a impressão errada, mas quem se importa? Todos passamos a impressão errada. É absolutamente estúpido julgar um livro pela sua capa. Não digo que estou imune a isso, mas tento estar sempre aberta a qualquer tipo de ser humano e me sinto meio orgulhosa de mim mesma por ter essa vontade de mergulhar em pessoas tão diferentes de mim. A gente aprende com todo o tipo de gente. Porque nos negarmos isso?

Eu não tenho o que reclamar. Estou chegando a me perder em tantas perspectivas novas. O que antigamente era um grande vazio virou um mar de opções. Por onde começar? E como fazer para não viver de futuro, almejando coisas que não estão na sua hora certa? Tudo tem o seu momento. Dar um passo de cada vez é a melhor solução. Aprendi que não adianta correr atrás do seu destino. Se for este seu destino, ele vai esbarrar em você numa esquina, derrubando seu café. A questão é: isso não representa nada. São apenas pensamentos abstratos que fazem parte do muito de coisas consistentes que eu queria dizer mas não tenho coragem. É tão difícil ser sincera?

As vezes sonhamos constantemente com certas coisas e nos pegamos nos perguntando de manha se tomamos as decisões corretas. Se me concedessem a chance de voltar ao passado e corrigir alguns arrependimentos, certamente alguns estariam na minha lista pipocaram na minha cabeça esses dias. Mas ao mesmo tempo, a resposta de outras coisas também pipocaram. Esclarecimentos. Algumas coisas são feitas com data de validade. E fugir de seus problemas não leva a nada. O que devemos fazer é exatamente nada. Eu estou tão satisfeita com a maneira que eu tenho agido perante tudo isso. Acho que fazer algo me faria apenas evitar lidar com algo que é inevitável.

A verdadeira sabedoria está em saber lidar com a dor e com as pessoas. Não podemos mudar as pessoas ou o que sentimos, então apenas continuamos sentindo a dor até que ela se torne apenas uma lembrança. E quanto as pessoas, não podemos editar suas ações nem o que saem de suas bocas, mas tentamos aceitar que todos nós possuímos livre arbítrio e que temos o direito de pensar e falar o que quisermos, quando bem quisermos, de quem bem quisermos.

A caminhada continua, os erros estarão ai e a dor virá, inevitavelmente, junto com os comentários maldosos daqueles que não enxergam o quadro completo.

"Seja bom comigo, ou me trate mal, eu farei o melhor que puder, eu sou uma máquina extraordinária". Fiona Apple.

6 de abril de 2011

Pensamentos

Ao som de Beirut




Vocês já tiveram a sensação que há tanta coisa a ser dita e ao mesmo tempo tão pouco a se dizer? Muitas coisas acontecem no meu dia a dia, pensamentos, coisas dignas de serem colocadas num papel, num blog, em algum lugar, mas que quando eu pego uma caneta ou fico de frente a tela, me acanho e não digo nada do que tenho que dizer. Já perdi as contas também de quantas vezes abri esta página, escrevi 2, 5, 10, 15 linhas, e terminei deletando tudo e fechando a página do blog. Talvez o mundo não estivesse pronto para ouvir certas verdades, talvez eu não tivesse falando nada, talvez não tivesse sendo sincera, talvez não estivesse pronta para expor aquelas coisas ao mundo. Seja qual tenha sido o motivo, eu fechei todas aquelas minhas idéias, sentimentos e os joguei num mar de esquecimento.

Tenho pensado muito em escolhas e destino. Como certas coisas alteram nosso futuro, como ele teria sido se tivessemos trilhado outros caminhos, se teríamos chegado ao mesmo lugar no fim de tudo, talvez de maneira menos dolorosa, talvez mais, talvez mais rápido, talvez mais devagar. Não há como saber, mas não consigo deixar isso de lado. Como certas coisas acontecem e parecem providencia divina, mas na verdade não são. São apenas acontecimentos, apenas erros, apenas escolhas. Ou não. De repente por trás de tudo aquilo haja um bem maior, algo que um dia eu irei perceber, ou jamais me atentarei para isto. Mas a gente continua andando, pois é a única coisa que podemos fazer. Comecei a assistir esta série, Being Erica, que fala exatamente sobre isso, voltar para trás e reparar erros. Mas os erros não são reparados, algumas vezes você só os piora, outras vezes não importa o quanto você faça certo, as coisas dão erradas por si só, e quando você acerta lá, você continua fazendo suas escolhas aqui, agora, e você não sabe onde estas escolhas vão te guiar até você chegar neste lugar.

Continuamos andando e aprendendo com estes erros passados, torcendo para que não os cometamos novamente. Mas uma hora a gente aprende. Percebi o quanto um grande erro, que foi uma maravilha e depois foi um inferno me enriqueceu como pessoa. Certos erros tem seu lado bom. Aprendemos algumas lições e vamos leva-las adiante para que não percamos algo mais precioso. Se aquilo tudo não serviu para mais nada, ao menos para aprender isto serviu. E não sei se foi o tempo ou as oportunidades, mas hoje percebi que estou curada de uma doença. E dois erros foram devidamente enterrados, sem chance de me importunarem novamente, podendo eu assim seguir em frente.

Temos a escolha e essa molda nossas vidas para o bem e para o mal. E eu escolho dar um passo de cada vez, sem olhar para trás, esperando que as coisas venham ao seu tempo.

16 de fevereiro de 2011

Vintage Effect

Ouvindo: Devendra Banhart


As coisas nunca estão cem por cento em nossas vida, sempre existem pendências, problemas a serem resolvidos, aquelas coisas que empurramos com a barriga e deixamos sempre para depois. Mas um dia eu fui capaz de aprender a não tão singela quanto eu pensava diferença entre estar feliz e ser feliz. A vida é bem simples, tal como um jogo de video game, assim que você o zera, você vai atrás de um novo jogo para zerar. Aqueles vestidos lindos que você tanto queria não parecem mais tão atraentes depois que saem da sacola e entram no seu armário. Eles se tornam algo que você possui e nós, seres humanos, por causa de nossa natureza megalomaníaca sempre queremos mais. Ser feliz é um estado além disso, além das conquistas que se tornam desmerecidas, assim como os problemas que continuam aparecendo ao longo do tempo. Ser feliz é um estado permanente. Nos estados passageiros se encontram ansiedade, euforia, raiva, tristeza, mágoa, entre outros (claro, para os evoluídos que não sentem a necessidade de permitir que uma mágoa por alguém dure vinte anos - mas essas pessoas seriam as que eu diria que estão no estado permanente de infelicidade, não se abrem ao perdão, ao brilho eterno de uma mente esquecida,  a chance de redenção, mas não quero perder meu tempo falando desse tipo de gente).

Eu comecei esse texto de forma pretenciosamente poética por algum motivo, o qual não saberei explicar. Talvez seja efeito da trilha sonora, de tudo o que tenho passado, ou talvez seja o Efeito do Vintage Effect. Quando eu caminho pelas ruas do Grajaú, a frase "se você morasse aqui, você estaria em casa agora" costuma aparecer na minha mente constantemente. As ruazinhas, as casinhas, as árvores cheias de lindas flores coloridas. Eu caminho pela rua Itabaiana cedo, cedo demais para mim, e abro os portões deste lugar, ainda, silencioso. Mas passada uma meia hora, agendas para cá, sucos para lá, brinquedos espalhados no chão, Scooby Doo e Jimmy Neutron na televisão, pão, Nescau, café-com-leite para os que preferem. Mais tarde, mais crianças, correria, carrinho pra cá, carrinho para lá, folhas com desenhos, pequenos seres todos rabiscados de canetinha. Eu me sento, exausta, as vezes admirando perdida em outra galáxia a comoção que coisinhas tão pequenas conseguem fazer. Um puxa a corda daqui, o outro puxa de lá, estranhamento, cara de raiva, um se enrola na corda, enrolando o outro junto, fazendo este rir. Ambos começam a rir e a se enrolarem na corda e você só consegue rir também. Como é contagiante essa coisa estranha chamada criança. As vezes tenho a sensação de que irei acordar de madrugada após um pesadelo gritando "BRENO!", as vezes parece que meu corpo vai entrar em colapso, mas a recompensa vem e nos faz esquecer do como eles nos enlouquecem as vezes. Quando fecho os olhos só lembro dos sorrisos que eles são capazes de dar, ou das histórias que as vezes parecem tão insignificantes para as pessoas grandes, mas que eles contam com tanta empolgação que eu penso que vale a pena gastar um minuto para escutá-los.

No fim das contas eu perdi o fio do raciocínio inicial, como faço quando me empolgo demais com algo. O que é o Vintage Effect exatamente? É algo similar as fotos da Cherry Blossom Girl, sem as bolsas e sapatos Miu Miu, com aparência de antigas, em tons pasteis. Enquanto eu ouço Devendra Banhart, e penso nas ruas arborizadas do Grajaú e no som das risadas daquelas crianças, me sinto presa num Vintage Effect, onde tudo é tão lindo, simples como a grama, tão perfeitos como origamis. Vintage Effect representa sonhos lúdicos, sonhos lúcidos. Em suas cores pastéis e seus primeiros raios de sol, ele representa simplesmente a felicidade.